Quentinho, macio, doce, salgado e delicioso, nada melhor do que um pãozinho no café da manhã, ainda mais acompanhado de um café. Nesta sexta-feira (16) é celebrado o Dia Mundial do Pão e, quando se trata dessa iguaria, as pessoas sempre ficam preocupadas com a quantidade de calorias ou se esse alimento é saudável ou não.
Para esclarecer e tranquilizar os fãs de pão, o Folha Vitória conversou com a nutricionista Julia Siquara, do Hospital Santa Rita, que explicou os benefícios da massa e como encaixá-la na dieta.
Segundo a especialista, o pão pode ser consumido diariamente sem prejudicar a saúde, desde que esteja inserido em uma alimentação adequada às necessidades de cada pessoa.
O mais importante é considerar a qualidade da alimentação como um todo, a quantidade consumida e os acompanhamentos escolhidos. O pão é uma fonte de energia e pode contribuir para uma alimentação variada e nutricionalmente adequada.
Pão francês ou integral?
A composição nutricional varia de acordo com os ingredientes, o processamento e o tipo de farinha utilizado. O pão francês e o pão de forma tradicional geralmente são feitos com farinha de trigo refinada, enquanto o pão integral utiliza farinha que preserva uma maior quantidade de fibras e outros componentes do grão.
De acordo com a nutricionista, os pães integrais tendem a oferecer mais fibras, que contribuem para o funcionamento intestinal e a saciedade. Já alguns pães de forma industrializados podem conter mais sódio, açúcar, gorduras e aditivos, dependendo da marca e da formulação.
Apesar das diferenças, não é necessário excluir nenhum desses tipos de pão da alimentação. A escolha deve considerar as necessidades e preferências individuais.
Outro cuidado é observar as informações da embalagem. A presença da palavra “integral” no rótulo não garante, por si só, uma composição nutricional superior. Por isso, vale conferir a lista de ingredientes e a quantidade de fibras.
Qual a quantidade ideal para comer por dia?
Não existe uma quantidade diária única que seja ideal para todas as pessoas. A porção deve considerar as necessidades energéticas e nutricionais, a rotina, o nível de atividade física, as condições de saúde e os demais alimentos consumidos ao longo do dia.
“Para algumas pessoas, uma unidade de pão francês no café da manhã pode ser adequada. Para outras, a quantidade pode ser maior ou menor. O importante é que o consumo esteja em equilíbrio com o restante da alimentação, sem excessos ou restrições desnecessárias.”
A nutricionista também explica que o consumo diário de pão, por si só, não causa ganho de peso. O aumento de peso está relacionado, principalmente, ao consumo de energia superior às necessidades do organismo ao longo do tempo, além de outros fatores individuais, comportamentais e metabólicos.
Assim, o pão pode fazer parte tanto da alimentação de quem deseja manter o peso quanto da rotina de quem busca emagrecer.
Pão pode aumentar glicemia?
Por ser fonte de carboidratos, o pão contribui para o aumento da glicemia após o consumo. Essa resposta varia conforme o tipo de pão, a quantidade ingerida, o grau de processamento e os alimentos consumidos na mesma refeição.
Segundo Siquara, pães feitos predominantemente com farinha refinada tendem a apresentar menos fibras. Já os integrais, especialmente os ricos nesse nutriente, podem contribuir para uma resposta glicêmica mais gradual.
Para tornar a refeição mais completa, a orientação é combinar o pão com fontes de proteínas, como ovos e queijos, e alimentos ricos em fibras. Essa combinação também pode favorecer a saciedade.
“Para pessoas com diabetes ou resistência à insulina, não é necessariamente preciso excluir o pão, na maioria das vezes, mas ajustar a porção e a composição das refeições de acordo com as necessidades individuais”, ressalta a especialista.
Acompanhamentos fazem diferença?
O valor nutricional da refeição também depende do que é colocado no pão. Manteiga, requeijão, queijos mais gordurosos e outros ingredientes podem aumentar consideravelmente o valor energético, dependendo da quantidade utilizada.
Por outro lado, ovos, queijos, iogurte natural, frango desfiado e outras fontes de proteína podem ser boas opções para acompanhar o alimento. A proteína contribui para a saciedade e para a manutenção da massa muscular, além de complementar o valor nutricional da refeição.
Também é possível incluir vegetais, como tomate e folhas, e combinar o pão com frutas. Essas escolhas aumentam a variedade de nutrientes e fibras na alimentação.
“Para quem busca uma alimentação mais equilibrada, vale priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e variar os acompanhamentos, evitando que a refeição fique baseada apenas em pão e produtos ricos em gordura, açúcar ou sódio”.
Folha Vitória