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Polícia

Quadrilha furtava celulares em ônibus no ES e usava senhas para desviar dinheiro via Pix

O grupo era formado por três brasileiros e dois peruanos; veja como a quadrilha agia nos ônibus


Foto: Reprodução/PCES

Quatro pessoas suspeitas de integrar uma quadrilha especializada em furtos de celulares em ônibus da Grande Vitória foram presas. Segundo a Polícia Civil, o grupo era formado por três brasileiros e dois peruanos e agia principalmente em coletivos lotados, onde os integrantes aproveitavam a distração dos passageiros para levar os aparelhos e acessar contas bancárias.

Entre os presos estão duas mulheres, uma brasileira e uma peruana, apontadas como responsáveis por boa parte dos furtos. Elas foram detidas na semana passada, em Cariacica. Os outros dois integrantes foram presos anteriormente, um no Espírito Santo e outro em São Paulo. Um quinto suspeito foi identificado, mas ainda não havia sido preso.

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, os policiais encontraram 11 celulares furtados. A investigação também identificou dez vítimas até o momento, todas capazes de reconhecer os suspeitos, de acordo com o delegado Felipe Pimentel, responsável pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra o Transporte de Passageiros.

Os nomes das quatro pessoas presas e do suspeito foragido não foram divulgados pela polícia.

Suspeitas observavam senhas antes de furtar celulares

De acordo com a investigação, as mulheres observavam passageiros utilizando os celulares para descobrir as senhas de desbloqueio. Quando encontravam uma oportunidade, furtavam os aparelhos e os repassavam a outros integrantes do grupo.

Com as senhas, os suspeitos conseguiam acessar aplicativos bancários e realizar transferências via Pix para terceiros. Os celulares também eram destinados à venda, conforme a apuração policial.

“Com o primeiro vacilo, elas já conseguiam praticar esse furto. Aí, elas já tinham a senha e, com essa senha, praticavam os desvios do dinheiro das contas”, explicou o delegado Felipe Pimentel.

Os integrantes circulavam por diferentes terminais e embarcavam em ônibus à procura de veículos mais cheios, especialmente nos horários de pico. Em algumas situações, cercavam os passageiros e os pressionavam com o corpo para impedir que percebessem a retirada dos aparelhos.

“Eles cercam a pessoa e vão prensando a pessoa com o corpo mesmo. Então, ela não sente o movimento de que está ali manuseando, puxando, porque está sendo imprensada”, detalhou o delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno.

A investigação começou em janeiro, após a polícia identificar a necessidade de aprofundar as apurações sobre os furtos no transporte coletivo.

A identificação dos suspeitos contou com a análise de centenas de horas de imagens e o uso de reconhecimento facial, em trabalho conjunto com a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp).

A imagem dos suspeitos registrada por uma câmera instalada em um terminal foi divulgada pela polícia com o rosto dos acusados já distorcido.

Furtos em ônibus caíram mais de 50%

Segundo a Polícia Civil, as ações de investigação, as prisões e as apreensões contribuíram para a redução dos registros de furtos em coletivos no Espírito Santo.

Em maio, foram contabilizadas 308 ocorrências. Em setembro, o número caiu para 145, uma redução de mais de 50%.

A corporação avalia que a prisão dos suspeitos teve impacto nos indicadores porque o grupo praticava os crimes de forma recorrente. As investigações continuam para localizar outras possíveis vítimas e apurar se havia mais pessoas envolvidas no esquema.

Polícia alerta para falta de registros

Segundo a Polícia Civil, muitas vítimas deixam de procurar a polícia por vergonha ou por acreditarem que não conseguirão recuperar o aparelho. Essa subnotificação, porém, dificulta a identificação de padrões e a investigação dos crimes.

A orientação é redobrar a atenção em ônibus lotados, evitar deixar celulares em bolsos traseiros ou bolsas abertas e proteger a digitação de senhas de desbloqueio e de aplicativos bancários.

A Polícia Civil ressalta que o registro da ocorrência é importante mesmo quando a vítima só percebe o desaparecimento do aparelho após desembarcar do coletivo.

*Com informações do repórter Caio Dias, da TV Vitória/Record

Folha Vitória

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