anucie aqui * 728x90-1
Banner Prefeitura Vila Velha INTERNET
Banner Prefeitura de Cariacica

Dor de cabeça frequente? Veja quando o problema pode estar na mandíbula

A disfunção temporomandibular pode provocar dor na face e nas têmporas, além de desconforto ao mastigar

Por Redação em 03/10/2026 às 09:00:13
Imagem de katemangostar no Magnific

Imagem de katemangostar no Magnific

Dor de cabeça é uma das queixas mais comuns da população. Para algumas pessoas, ela aparece ocasionalmente; para outras, torna-se recorrente e interfere no trabalho, no sono e na qualidade de vida.

Normalmente, quando pensamos em cefaleia, lembramos do neurologista. Mas existe uma situação em que o cirurgião-dentista também pode ter papel importante no diagnóstico e no tratamento: quando a dor está relacionada às disfunções temporomandibulares, conhecidas como DTM.

O que é DTM e quais são os sintomas?

As disfunções temporomandibulares compreendem diferentes alterações que envolvem as articulações temporomandibulares, responsáveis pelos movimentos da mandíbula, os músculos da mastigação e estruturas associadas. Seus sintomas podem incluir dor na face, nas têmporas ou próximo aos ouvidos, dificuldade ou desconforto para abrir a boca e mastigar e, em alguns casos, estalos articulares. A dor de cabeça também pode fazer parte desse quadro.

Essa relação é tão bem reconhecida que a Classificação Internacional das Cefaleias possui um diagnóstico denominado “cefaleia atribuída à disfunção temporomandibular”. Para estabelecer essa relação, entretanto, não basta que uma pessoa tenha simultaneamente dor de cabeça e DTM.

Uma pista importante é perceber se a cefaleia se modifica com os movimentos ou o uso da mandíbula.

Surge após permanecer muito tempo apertando os dentes?

Aumenta quando a boca é aberta amplamente?

Existe dor na região das têmporas associada à função mandibular?

Esse conceito é importante porque ajuda a diferenciar coincidência de uma possível relação causal.

Qual é a relação entre DTM, migrânea e cefaleia tensional?

Existe ainda uma interação complexa entre DTM e outras cefaleias. Uma revisão sistemática encontrou associação entre DTM e cefaleias primárias, principalmente migrânea e cefaleia do tipo tensional. Uma meta-análise mais recente também demonstrou que pacientes com migrânea ou cefaleia tensional apresentam maior ocorrência de DTM dolorosa, especialmente aquelas envolvendo os músculos da mastigação.

Isso, porém, não significa que a DTM seja a causa de toda migrânea nem que tratar a mandíbula fará desaparecer qualquer dor de cabeça.

A explicação envolve, entre outros fatores, a forma como nosso sistema nervoso processa a dor. Estruturas da face, músculos mastigatórios e articulações temporomandibulares enviam informações sensitivas por vias relacionadas ao nervo trigêmeo, que também desempenha papel importante em diferentes tipos de cefaleia. Quando condições dolorosas persistem, pode ocorrer aumento da sensibilidade do sistema nervoso, favorecendo sobreposição e amplificação dos sintomas.

O bruxismo também merece atenção. Apertar ou ranger os dentes pode aumentar a atividade dos músculos mastigatórios em algumas pessoas e agravar uma DTM dolorosa. Entretanto, bruxismo e DTM não são sinônimos, e a presença de desgaste dentário não comprova que alguém tenha bruxismo ativo nem explica, isoladamente, uma cefaleia. O diagnóstico exige avaliação mais ampla.

Quando procurar um cirurgião-dentista?

Quando a dor de cabeça está concentrada principalmente nas têmporas ou acompanha dor na mandíbula, piora durante a mastigação ou outros movimentos mandibulares, aparece associada ao apertamento dos dentes ou pode ser reproduzida durante o exame dos músculos mastigatórios e das articulações, uma avaliação odontológica direcionada à DTM e à dor orofacial pode ser indicada.

O tratamento dependerá do diagnóstico. Orientações sobre hábitos, controle de sobrecarga mandibular, exercícios terapêuticos e fisioterapia podem fazer parte da abordagem. Em pacientes selecionados, dispositivos intraorais, como placas oclusais, também podem ser utilizados. Alterações articulares específicas podem necessitar de outras modalidades terapêuticas.

O objetivo não é simplesmente “ajustar a mordida”, mas identificar os mecanismos envolvidos na dor e escolher estratégias conservadoras e individualizadas sempre que possível.

Quando a dor de cabeça exige avaliação médica?

Outro aspecto fundamental é reconhecer os limites da atuação odontológica. Cefaleia é um sintoma com inúmeras causas. Migrânea, cefaleia tensional e outras formas de dor de cabeça podem coexistir com DTM, tornando necessária a atuação conjunta entre cirurgião-dentista, neurologista, fisioterapeuta e outros profissionais.

Além disso, algumas dores exigem investigação médica imediata. Uma dor de cabeça súbita e extremamente intensa, diferente do padrão habitual, ou acompanhada de febre, desmaio, confusão mental, fraqueza, alteração da fala ou da visão não deve ser atribuída à DTM sem investigação. Cefaleias novas ou com mudança importante de padrão também merecem avaliação adequada.

A mensagem mais importante é que cabeça, face e mandíbula não funcionam de maneira independente. Uma dor percebida nas têmporas pode envolver estruturas do sistema mastigatório, mas também pode pertencer a outra categoria de cefaleia.

Por isso, diante de dores de cabeça recorrentes, a pergunta não deveria ser apenas “é um problema médico ou odontológico?”. Em muitos casos, o melhor caminho está justamente na integração. Identificar corretamente a origem da dor evita tratamentos desnecessários e permite que cada profissional atue onde realmente pode ajudar.

Fonte: Folha Vitória

Comunicar erro
anucie aqui * 728x90-2
Banner Prefeitura Cariacica  A CARIACICA TE CHAMA

Comentários

728x90-3
Banner vila vela refins