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Chile abre mercado, mas mamão do ES ainda não consegue entrar no país

Brasil ainda não realizou embarques em volume comercial; Mapa negocia mudanças no protocolo e prevê concluir trâmites no primeiro semestre de 2027

Por Redação em 03/10/2026 às 09:00:19
Foto: Canva

Foto: Canva

O Chile abriu seu mercado ao mamão brasileiro em setembro de 2024, mas, dois anos depois, o Brasil ainda não conseguiu realizar exportações da fruta em volume comercial. O imbróglio atinge diretamente o Espírito Santo, maior produtor do país, responsável por 44% das frutas que saem de solo brasileiro. Entraves relacionados às exigências fitossanitárias mantêm os embarques parados, apesar do interesse de compradores chilenos.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou que há necessidade de alterar pontos do Plano de Trabalho para a Exportação de Frutos Frescos de Mamão do Brasil para o Chile. O documento estabelece os procedimentos que precisam ser cumpridos para que a fruta brasileira entre no país.

Segundo o ministério, o protocolo atual apresenta gargalos que precisam ser eliminados para permitir as exportações comerciais.

O mercado chileno foi oficialmente aberto ao produto brasileiro com a publicação de uma normativa que definiu os requisitos fitossanitários para a importação de frutos frescos de mamão destinados ao consumo. Na prática, porém, a abertura ainda não se transformou em vendas regulares.

José Roberto Fontes, da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex), afirma que os exportadores recebem consultas de compradores do Chile, mas não conseguem atender aos pedidos.

“Ainda não exportamos nada. Este problema já se arrasta há mais de ano. Estamos recebendo várias solicitações de compras, mas não podemos enviar os frutos por questões legais de bloqueio fitossanitário”, afirma.

Para Fontes, a entrada no mercado chileno poderia ajudar a ampliar os destinos da produção capixaba justamente em um momento no qual o setor busca crescimento das exportações.

“Estamos apostando na continuidade do aumento das exportações, inclusive para o Chile, mesmo com uma desaceleração nas áreas de plantios. Para isso, o foco na qualidade da fruta será determinante”, diz.

Mapa prevê conclusão em 2027

O Mapa informou que trabalha com o Serviço Agrícola e Ganadeiro do Chile (SAG), órgão responsável pela defesa agropecuária daquele país, para atualizar o protocolo de exportação.

Em junho de 2026, o ministério encaminhou ao governo chileno uma proposta de revisão do Plano de Trabalho. De acordo com o Mapa, Brasil e Chile já chegaram a um consenso técnico sobre os principais pontos. Agora, o processo está na etapa administrativa.

Ainda segundo o ministério, a autoridade chilena prevê apresentar uma resposta ao Brasil até dezembro de 2026. A expectativa é concluir todos os trâmites durante o primeiro semestre de 2027.

O Mapa afirma que a revisão busca retirar os obstáculos identificados no protocolo e criar condições para que as vendas ocorram em escala comercial. Dessa forma, embora o mercado esteja formalmente aberto desde 2024, ainda não há uma data definida para o início dos embarques comerciais.

Exportadores veem espaço para crescer

A abertura efetiva de novos destinos ganha importância diante da estratégia do setor de aumentar a participação do mamão brasileiro no mercado internacional.

Fontes afirma que as exportações vêm avançando gradualmente e que a Europa continua como principal destino. Outros países, porém, podem representar oportunidades de maior valor agregado em determinados períodos.

Apesar do crescimento das vendas externas, ele avalia que o potencial brasileiro e capixaba ainda está distante de ser totalmente explorado.

Além da abertura de mercados, o setor enfrenta desafios dentro das propriedades. Fontes aponta os custos de produção e os problemas fitossanitários, especialmente as viroses, entre os fatores que interferem diretamente na oferta da fruta.

Quando plantas infectadas precisam ser retiradas, ocorre perda imediata de produtividade. Dependendo da intensidade do problema, a continuidade da colheita pode deixar de ser economicamente viável.

A mão de obra também permanece como uma limitação para a expansão da atividade.

Segundo ele, enquanto esses fatores influenciam a produção, a retirada dos entraves para novos mercados, como o Chile, aparece como uma das alternativas para ampliar a demanda e melhorar a receita dos produtores.

Fonte: Folha Vitoria

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