Praia de Itaparica, Praia da Costa, Itapuã e outros bairros da orla de Vila Velha estão no centro do atual ciclo imobiliário da Grande Vitória. A região administrativa que reúne esses bairros soma 7.861 unidades em produção e concentra, sozinha, quase 37% de todos os imóveis acompanhados pelo 47º Censo Imobiliário do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Espírito Santo (Sinduscon-ES).
O levantamento, referente ao primeiro semestre de 2026, mostra onde incorporadoras e construtoras concentram novos projetos em Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana. Ao todo, são 21.311 unidades em produção, maior volume registrado na série apresentada pelo sindicato desde maio de 2010. São considerados em produção empreendimentos na planta, fundação, estrutura ou acabamento.
Segundo o diretor do Sinduscon-ES, Eduardo Borges, esse avanço não começou agora. Ele lembra que os projetos imobiliários levam anos entre planejamento, lançamento, obras e entrega.
“Tivemos mais uma elevação neste censo. São mais de 10 anos de crescimento, e isso não é reflexo de poucos meses. O ciclo da incorporação imobiliária demora quatro a cinco anos. E Vila Velha, há mais de 10 anos, concentra boa parte da produção imobiliária da Grande Vitória”, afirma.
A maior concentração de imóveis lançados e em construção está na região central de Vila Velha, que inclui Praia de Itaparica, Praia da Costa, Itapuã, Jockey de Itaparica, Centro, Coqueiral de Itaparica, Residencial Coqueiral e Praia das Gaivotas.
Juntos, esses bairros somam 7.861 unidades em produção. Aribiri e Ataíde somam 1.152 unidades. Já Rio Marinho e Vale Encantado, na região de Cobilândia, concentram outras 898.
Além disso, quando a comparação considera os municípios, Vila Velha amplia a vantagem. A cidade reúne 10.653 das 21.311 unidades em produção, ou 50% do total pesquisado.
Borges atribui a liderança a uma combinação entre regras urbanísticas, capacidade de compra e atratividade da cidade.
“Vila Velha, há muito tempo, é a cidade mais favorável à verticalização em seu plano diretor. Tem índices maiores para construção e que trazem condições de viabilidade maiores para as incorporadoras. Elas conseguem fazer mais apartamentos no mesmo terreno do que em Vitória. Isso ajuda e estimula o processo de verticalização”, explica.
Ele ressalta, porém, que essas regras não seriam suficientes sem demanda, que é alta. Segundo Borges, esse público ajuda a diferenciar Vila Velha de Vitória. Enquanto o mercado da capital teria presença maior de compradores locais, Vila Velha atrai também moradores de outros Estados.
“Quem vem do Rio de Janeiro e de São Paulo já vem de uma realidade urbana com muito tempo de trânsito. Então, a distância entre Vitória e Vila Velha não faz tanta diferença. Em Vitória, enxergamos mais o próprio vitoriense comprando. Vila Velha tem um público mais mesclado, local e de fora”, disse.
A discussão recente sobre o horário de sombreamento da orla, segundo Borges, não muda essa leitura do mercado. A regra ficou mantida às 16 horas, como já ocorria anteriormente.
“Isso não impacta em nada esse olhar global sobre Vila Velha, porque é a mesma condição que já funcionava antes do plano diretor”, afirma.
Outros bairros da Grande Vitória
Depois de Vila Velha aparece a região de Laranjeiras, na Serra, com 2.452 unidades. O grupo inclui Morada de Laranjeiras, Jardim Limoeiro, Planalto de Carapina, Central Carapina, Santa Luzia, Parque Residencial Laranjeiras e Jardim Tropical.
Jardim Camburi, em Vitória, aparece logo atrás, mas com uma diferença importante. Neste caso, a região administrativa corresponde ao próprio bairro. São 2.295 unidades em produção, o que coloca Jardim Camburi entre os maiores polos imobiliários isolados da Grande Vitória.
Folha Vitoria