O voo direto do Aeroporto de Vitória para Buenos Aires já está 75% vendido. Faltam 40 lugares. São dados da CVC, a operadora que comercializa os pacotes. Mas mesmo antes do voo o Espírito Santo já está na capital argentina. E quer trazer para cá os hermanos, mirando um mercado que trouxe 3,39 milhões de turistas argentinos ao Brasil em 2025. Até esta terça (29), o Estado participa da Feira Internacional de Turismo da América Latina, a FIT 2026, em Buenos Aires, com uma agenda que vai além da promoção das praias, montanhas e experiências capixabas.
O movimento coloca o Espírito Santo diante de operadoras, agências e empresas que transformam destinos em produtos turísticos. E principalmente em negócios. A participação na feira é uma promoção de Setur/ES, Sebrae/ES, Espírito Santo Convention & Visitors Bureau, Conselho Estadual de Turismo do Espírito Santo (Contures), CET/Fecomércio-ES, e das secretarias de Turismo de Anchieta, Guarapari e Vila Velha.
E é justamente aí que está o dinheiro. Turista estrangeiro significa potencial hóspede para hotel, cliente para restaurante, consumidor para comércio, passageiro para empresas de transporte e comprador de experiências.
Turismo internacional, nesse sentido, funciona como uma exportação de serviços feita dentro de casa, com recursos de fora circulando na economia capixaba.
De turismo a corredor de negócios
A aproximação com a Argentina, porém, começa a ultrapassar o turismo. Mostramos recentemente que a NOVA ES abriu uma frente de cooperação com a PromArgentina para aproximar empresas e investimentos dos dois mercados. Também já mostramos a força do Espírito Santo na importação de vinhos, segmento em que empresas instaladas no Estado utilizam a vocação logística e tributária capixaba para abastecer diferentes regiões do país.
A Argentina já participa dessa corrente comercial. O desafio agora é usar essa aproximação para abrir portas também em alimentos, logística, energia, tecnologia, serviços e investimentos.
Há, porém, um teste importante pela frente. Participar de uma feira internacional, apresentar o destino e colocar um voo experimental no ar são apenas as primeiras etapas. Porém, precisamos de mais. O voo de outubro tem que demonstrar demanda suficiente para que a conexão com Buenos Aires deixe de ser experiência e passe a fazer parte da malha regular.
Agora a pergunta que todo capixaba deve se fazer e fazer para os conterrâneos é: Estamos prontos para receber nossos “clientes” argentinos? E você, está pronto para ver os argentinos por nossas praias e pontos turísticos?
Folha Vitoria