Um laudo da Polícia Científica do Paraná identificou fenol nas roupas de Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, que morreu em julho, em Ponta Grossa, após participar de um “banho de óleo” para celebrar o primeiro voo solo.
Segundo a perícia, as vestimentas da vítima estavam completamente embebidas em uma solução aquosa de fenol. As lesões descritas no laudo de necropsia também são compatíveis com a exposição à substância, que é tóxica, corrosiva e pode ser absorvida pela pele e pelas vias respiratórias.
O ritual é uma tradição entre pilotos para marcar a conclusão da formação e o primeiro voo solo. Durante a celebração, uma substância oleosa, inicialmente tratada como óleo de motor de avião usado, foi despejada sobre Gustavo. Ele passou mal logo depois, sofreu três paradas cardiorrespiratórias, foi socorrido e não resistiu.
A Polícia Científica também analisou uma garrafa apreendida durante a investigação. O líquido no recipiente tinha uma mistura de fenol e hidrocarbonetos, compatível com derivados de petróleo, mas o material não era compatível com a substância encontrada nas roupas de Gustavo.
O laudo não determinou se o produto usado no ritual foi adulterado ou contaminado. Inicialmente, a investigação também considerou a hipótese de uma reação alérgica severa ao óleo, mas segue apurando como o fenol teria chegado ao líquido despejado sobre o jovem.
Segundo relatos colhidos pela polícia, o instrutor Lucas Marangoni despejou a substância sobre Gustavo. Ele foi preso em flagrante por homicídio culposo e liberado após pagar fiança de R$ 3 mil. O instrutor afirma que não sabia como o fenol teria contaminado o produto utilizado no ritual.
A defesa informou que Lucas estava acompanhado de outro instrutor e de um funcionário da manutenção quando os líquidos foram recolhidos na oficina do clube aéreo. A investigação continua para esclarecer a origem do fenol e eventual responsabilidade pela presença da substância no produto.
*Texto sob a supervisão da editora Erika Santos, com informações do Portal R7
Folha Vitória