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Polícia

Militares afirmam que homem levou a mão à cintura antes de tiro em Vila Velha

Policiais interpretaram movimento na cintura como tentativa de apontar arma; familiares afirmam que homem fugiu por medo da polícia


Caio Abreu Rodrigues foi morto após uma perseguição policial no bairro Ilha das Flores, em Vila Velha. Moradores fizeram protesto. Fotos: Reprodução redes sociais/Reprodução TV Vitória

Os policiais militares que perseguiram e balearam Caio de Abreu Rodrigues, de 33 anos, em Vila Velha, afirmaram que o homem levou a mão à cintura e retirou um objeto antes do disparo. Segundo o Boletim de Ocorrência (BO) ao qual o Folha Vitória teve acesso, os agentes interpretaram o movimento como uma tentativa de sacar e apontar uma arma contra a equipe. Caio foi atingido, socorrido ao Hospital Evangélico, mas não resistiu e morreu.

De acordo com o BO, a Polícia Militar havia recebido uma denúncia de que um homem, que aparentava estar embriagado, também estaria armado e ameaçando pessoas próximo a uma distribuidora no bairro Vila Batista. A descrição seria compatível ao Caio, segundo os militares envolvidos na ocorrência.

Os agentes afirmam que identificaram um volume na cintura do homem, que suspeitaram ser uma arma de fogo. Eles fizeram a abordagem, no momento em que Caio fugiu. Durante a perseguição, um vídeo mostra que ele retirou um objeto da cintura, mas não é possível identificar do que se trata.

Um dos agentes relatou no BO que interpretou o movimento como o saque e o direcionamento de uma arma de fogo contra a equipe. Ele, então, efetuou um disparo que atingiu Caio, já no bairro Ilha das Flores.

Ele recebeu ordem de abordagem, porém fez menção de estar armado, o que provocou a reação dos militares. Houve disparo de arma de fogo por parte dos policiais e o indivíduo foi baleado, sendo socorrido ao Hospital Evangélico, onde foi a óbito.”

Polícia Militar, em nota divulgada pela Sesp

PMs não conseguiram revistar o corpo, segundo BO

De acordo com o boletim, a PM não conseguiu realizar busca pessoal em Caio no local devido à interferência de moradores. Após o tiro, pessoas se aproximaram e colocaram o homem ferido em um veículo particular para levá-lo ao Hospital Evangélico. A equipe policial acompanhou o transporte até a unidade, onde o homem não resistiu e morreu.

Após a ocorrência, a PM verificou uma denúncia anterior envolvendo Caio. De acordo com o registro, sua ex-esposa teria relatado ameaças, incluindo fotos de arma de fogo, com pedido de medida protetiva.

Segundo a PM, essas informações posteriores não eram conhecidas pelos militares no momento da abordagem.

A arma usada pelo militar foi recolhida pelo comandante de patrulhamento da unidade para as providências legais.

Família alega que Caio fugiu por problemas mentais

Em entrevista para a TV Vitória, familiares de Caio alegaram que ele fugiu da abordagem policial por conta de problemas mentais que estava tratando. Segundo o relato de uma prima, o homem enfrentava transtornos e tinha “medo de polícia”.

A prima contou que há cerca de um mês, a família acionou uma viatura para levá-lo ao Hospital Adauto Botelho para tratar um transtorno. Caio teria resistido e sido levado à força. Desde então, o homem teria gerado um trauma relacionado a policiais por conta do episódio.

Há uns seis meses, o Caio começou a ouvir vozes e começou a fazer um tratamento. Há um mês, nós chamamos o Samu para levá-lo ao Adauto Botelho, mas o Samu disse que só podia levar se tivesse uma viatura. A viatura veio, tentou agarrá-lo com força e ele ficou com aquele transtorno.”

Prima de Caio, em entrevista à TV Vitória

A família também reclamou da ação policial e chamou a atuação deste domingo (27) de “covardia”.

Testemunhas relataram à produção da TV Vitória que o homem estava bebendo em uma distribuidora de bebidas com cinco amigos quando o grupo foi abordado pelos militares. Segundo os relatos, Caio se assustou, correu e foi perseguido pelos policiais.

Moradores protestam queimando pneus após morte de Caio

Moradores do bairro fizeram protestos após a morte de Caio neste domingo. Pneus foram queimados e vias da região ficaram bloqueadas.

Os moradores também disseram que estão indignados com a situação pois, segundo eles, o homem era conhecido e querido no bairro. Ele deixa dois filhos.

De acordo com a PM, o Ciodes (190) recebeu denúncias de que indivíduos estariam ameaçando incendiar ônibus no bairro, sendo providenciada a intensificação do policiamento na região.

Ainda segundo a corporação, a Estrada Jerônimo Monteiro, no bairro Paul, foi bloqueada com pneus incendiados. Equipes do Batalhão de Missões Especiais (BME) foram acionadas, realizaram a desobstrução da Estrada de Capuaba e iniciaram o patrulhamento no interior do bairro. A manifestação no acesso ao Porto de Capuaba foi controlada e a pista liberada.

Folha Vitória

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