O dourado é um dos peixes que pode cair de preço nas peixarias. Foto: Thiago Soares/Folha Vtória
Consumir pescado no período de safra pode significar preço mais baixo, maior oferta e peixes maiores. É essa lógica que o Sindicato da Indústria da Pesca do Estado do Espírito Santo (Sindipesca-ES) quer fortalecer entre os consumidores capixabas.
Segundo o representante da entidade, Rafael Viola, a proposta é estimular uma cultura de consumo semelhante à que já ocorre com frutas, verduras e outros produtos agropecuários. Ou seja, aproveitar as espécies que aparecem em maior quantidade em cada época do ano.
“Queremos criar uma cultura alimentar para que as pessoas consumam o pescado da safra. Quando está na época, ele fica mais abundante, pode chegar com preço melhor e também com tamanho maior”, explica.
Entre as espécies que estão ou vão entrar em período de maior oferta agora estão o dourado e a corvina. Além disso, pescados que vêm de outros Estados, como a sardinha, que vem do litoral do Rio de Janeiro, também estão chegando ao mercado capixaba com preços mais baixos.
Na prática, essa diferença já aparece nas peixarias. A corvina, por exemplo, está em um período de boa oferta e teve redução de preço, segundo Tiago Souto, proprietário da peixaria Boutique do Mar, em Gaivotas, Vila Velha.
“A corvina está num preço bom, está na época. Hoje custa R$ 19,90, enquanto antes estava R$ 26,90. A sardinha também está num preço bom, uma média de R$ 20. Fora da época fica em torno de R$ 26”, afirma.
Outro pescado que começa a aparecer é o peroá. No entanto, a oferta ainda está limitada, o que mantém o preço elevado. “O peroá ainda está caro, mas a safra está começando agora. Além disso, não está fácil de encontrar”, diz Souto.
Já o dourado deve ganhar espaço a partir de outubro. Segundo o comerciante, o preço costuma cair nesse período. “É um peixe de temporada. Quando começa a safra, fica em torno de R$ 38, mas depende do valor que chega para a gente. Mas, fora da safra, o preço fica bem mais elevado e o peixe chega muito pequeno”, explica.
Outros peixes também estão mais baratos, segundo Jonathan Leite, da Peixaria do Neném. “Além da corvina e do dourado, temos a cavalinha e o camarão, que no momento estão com bons preços”, explica.
Por outro lado, algumas espécies seguem mais caras. É o caso do badejo, cujo preço aumentou em razão do período de defeso, segundo Souto.
Para aproximar essa produção do consumidor, o Sindipesca-ES promoveu a Semana do Pescado na primeira quinzena de setembro.
“Fizemos um movimento que se tornou referência nacional pela união do setor. Conseguimos reunir desde a piscicultura e as cooperativas até pescadores artesanais, indústrias, agricultura familiar, peixarias e feirantes”, diz Viola.
Além da busca por ampliar o consumo, o setor também chama a atenção para o perfil da atividade no Espírito Santo. Segundo Viola, cerca de 90% da pesca realizada no Estado é artesanal.
A atividade envolve principalmente pequenas embarcações, com tripulações que permanecem vários dias no mar.
“A grande parte da pesca no Espírito Santo, cerca de 90%, é artesanal. São barcos de dez ou 12 metros, nos quais vão quatro ou cinco pescadores, que passam de dez a 15 dias no mar”, afirma.
O perfil da pesca, porém, muda ao longo da costa brasileira. “No Espírito Santo e mais ao Norte encontramos, em geral, barcos menores e em maior número. Na Bahia, por exemplo, praticamente toda a atividade é artesanal. No Rio de Janeiro e em Santa Catarina há uma presença maior de grandes embarcações”, explica.
Além disso, as espécies disponíveis e os preços ajudam a definir essas diferenças regionais. De acordo com Viola, pescados capturados nas regiões mais ao Norte tendem a alcançar maior valor comercial, embora apareçam em menor volume. Em outras regiões, por outro lado, há maior oferta de espécies menores e com preços mais baixos.
Fonte: Folha Vitoria