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Saúde

Cansaço sem explicação? Veja os sinais da leucemia mieloide crônica

Especialistas explicam quando a fadiga merece investigação e quais outros sintomas podem aparecer


Cansaço sem explicação pode ser sinal de leucemia mieloide crônica. Imagem de zinkevych no Magnific

Sentir-se cansado depois de uma noite mal dormida, de um período de estresse ou de uma rotina intensa é algo comum. O problema é quando a sensação de fadiga se torna persistente, sem uma explicação clara, e passa a interferir nas atividades do dia a dia. Em algumas situações, esse sintoma pode estar relacionado a alterações no sangue, entre elas, a Leucemia Mieloide Crônica (LMC).

No dia 22 de setembro, data mundial dedicada à doença, especialistas explicam quais sinais merecem atenção. Confira!

O que é a Leucemia Mieloide Crônica?

A LMC é um câncer da medula óssea caracterizado pela produção excessiva de células da linhagem mieloide.

“A doença costuma evoluir lentamente e, especialmente em sua fase inicial, pode não provocar sintomas. Por isso, não é incomum que seja identificada por acaso em um exame de sangue solicitado por outro motivo”, diz Marcelo Aduan, hematologista e coordenador do Serviço de Onco-Hematologia e Transplante de Medula Óssea do Hospital Santa Rita.

Na doença, o hemograma costuma mostrar um aumento importante dos glóbulos brancos, principalmente dos neutrófilos. Também podem aparecer aumento das plaquetas e dos basófilos. O aumento do número de glóbulos brancos evidenciado no hemograma não significa automaticamente LMC. O diagnóstico diferencial é com infecções. O hemograma levanta a hipótese. Ele não confirma sozinho o diagnóstico.

Marcelo Aduan, hematologista e coordenador do Serviço de Onco-Hematologia e Transplante de Medula Óssea do Hospital Santa Rita.

Doença pode demorar a apresentar sintomas

Como a LMC geralmente apresenta evolução lenta e as células produzidas pela medula ainda podem manter parte de suas funções, uma parcela significativa dos pacientes não apresenta sintomas no momento do diagnóstico.

“O cansaço ocasional geralmente tem explicações benignas. A preocupação aumenta quando ele é persistente, inexplicado ou acompanhado de outros sintomas, como perda de peso involuntária, suor noturno importante, febre, sangramentos ou manchas roxas sem explicação, infecções recorrentes ou desconforto abdominal.”

De acordo com Mateus Alvarenga Malacarne, hematologista e professor do Unesc, o cansaço associado à LMC pode ter diferentes mecanismos. Um deles está relacionado à anemia, isto é, à redução da quantidade de hemácias ou da capacidade do sangue de transportar oxigênio adequadamente.

“Quando a oxigenação dos tecidos fica comprometida, podem aparecer sintomas como fadiga, fraqueza, falta de ar aos esforços, palpitações e dor de cabeça. Na LMC, o cansaço isoladamente não permite suspeitar ou diagnosticar a doença.”

Outros sintomas que merecem a atenção

Quando a LMC apresenta manifestações clínicas, elas podem incluir:

Prda de peso sem causa aparente;

Suor excessivo, particularmente à noite;

Sensação de fraqueza e mal-estar;

Desconforto ou dor no lado esquerdo do abdômen;

Sensação de saciedade precoce;

Eventualmente, febre e outros sintomas.

Marcelo Aduan, pondera que esse conjunto de sintomas não é exclusivo da LMC. Nessas situações, a conduta não é presumir que exista leucemia, mas investigar a causa. A confirmação exige a identificação da alteração molecular característica da doença, mas não exclusiva ( o transcrito Bcr- abl).

“A LMC está associada ao chamado cromossomo Philadelphia, produzido por uma alteração entre os cromossomos 9 e 22. Essa alteração gera o gene de fusão BCR-ABL, que leva à produção de uma proteína com atividade de tirosina-quinase capaz de estimular a proliferação anormal das células mieloides.”

Segundo Mateus Alvarenga Malacarne, a LMC é tratada com medicamentos chamados inibidores de tirosina quinase, como o imatinibe, que atuam diretamente na mutação responsável pela doença, permitindo controle a longo prazo e boa qualidade de vida.

Terapias-alvo já são uma realidade na LMC há muitos anos. Inicialmente com Imatinib, seguindo com Nilotinib e Dasatinib e, mais recentemente, com Ponatinib e Asciminib, especialmente nos casos resistentes. O acompanhamento especializado e o diagnóstico precoce são fundamentais para o sucesso do tratamento e para o aumento das chances de cura.

Mateus Alvarenga Malacarne, hematologista e professor do Unesc

Folha Vitória

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