Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Com o ajuste de quarta-feira (16), este é o quinto corte dos juros em 2026, que já acumulam uma redução de 1,25 ponto percentual desde março. Apesar da queda, o efeito não chega imediatamente ao bolso do consumidor.
Segundo Erika Almeida, membro do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (Ibef-ES) e assessora financeira, existe um intervalo até que os bancos ajustem suas taxas, já que as instituições também consideram fatores como custo de captação, risco de inadimplência e expectativas para os próximos meses.
A redução da taxa básica de juros pode, no entanto, melhorar o ambiente para a renegociação de dívidas. Não existe uma resposta única sobre o melhor momento para renegociar. Esperar novos cortes pode resultar em taxas potencialmente menores, mas também há o risco de a dívida continuar acumulando juros durante esse período.
Em dívidas com juros elevados, como as do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial, o custo de esperar pode superar o eventual benefício de conseguir uma taxa menor no futuro.
Quando a queda da Selic chega ao consumidor?
Segundo Erika, a redução da Selic não significa uma queda automática nas taxas cobradas pelos bancos. As instituições precisam avaliar seus próprios custos e o risco de cada operação antes de alterar os juros.
Além disso, os bancos não precisam esperar uma decisão do Banco Central para mudar suas taxas. Quando o mercado já prevê novos cortes, parte desse movimento pode ser antecipada e aparecer nos juros de algumas modalidades de crédito.
Por isso, de acordo com a assessora, o consumidor pode perceber taxas mais baixas antes, durante ou algum tempo depois de uma redução da Selic. O repasse ocorre de forma gradual e varia de acordo com a instituição, o produto financeiro e o perfil do cliente.
Por que os juros do cartão continuam altos?
Erika explica que a Selic é apenas um dos componentes que influenciam os juros cobrados no cartão de crédito.
“A Selic é apenas uma parte da conta. O banco também considera o risco de inadimplência, custos da operação, impostos e sua margem. Por isso, mesmo com a Selic caindo, o cartão pode continuar cobrando juros muito altos”, destaca.
Por isso, mesmo em um cenário de queda da taxa básica de juros, o cartão de crédito pode continuar apresentando taxas elevadas.
O banco é obrigado a reduzir os juros?
Não. Segundo a assessora financeira, a queda da Selic não obriga os bancos a reduzir automaticamente os juros de cartões, empréstimos ou financiamentos.
“A queda da Selic não obriga o banco a reduzir automaticamente os juros do cartão, empréstimo ou financiamento. Ela cria um ambiente de crédito mais barato, mas cada instituição define suas taxas de acordo com seus custos e o risco de cada cliente”, ressalta.
Selic menor reduz os juros do financiamento?
Erika afirma que a queda da Selic pode contribuir para a redução dos juros de novos financiamentos, mas isso não ocorre de maneira automática. A taxa cobrada também depende do tipo de financiamento, prazo, condições do mercado e perfil do consumidor.
“A taxa também depende do tipo de financiamento, do prazo, das condições do mercado e do perfil do cliente. Quem já tem um contrato com taxa fixa, por exemplo, não terá a parcela reduzida só porque a Selic caiu”, disse.
Como a Selic afeta o empréstimo pessoal?
“A Selic influencia o custo do dinheiro para os bancos e, indiretamente, os juros cobrados no empréstimo pessoal. Quando ela cai, pode abrir espaço para taxas menores”, afirma Erika Almeida.
O repasse, porém, não ocorre necessariamente na mesma proporção para todos os consumidores. Segundo a assessora, os bancos também analisam fatores como risco de crédito, histórico de pagamento, prazo da operação e outros custos.
Assim, uma redução da Selic não significa que o empréstimo pessoal ficará automaticamente mais barato na mesma proporção.
*Texto sob a supervisão da editora Erika Santos
Fonte: Folha Vitoria