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Rins também precisam entrar no check-up do coração; entenda o motivo

Novas recomendações reforçam a conexão entre coração e rins

Por Redação em 15/09/2026 às 09:00:17
Imagem: Magnific

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Quando falamos em prevenção cardiovascular, quase todo mundo já sabe que é importante acompanhar a pressão arterial, o colesterol, a glicose, o peso e manter uma rotina de atividade física. Mas existe um órgão que nem sempre recebe a mesma atenção nessa conversa: o rim.

E uma das mensagens importantes das novas recomendações europeias de 2026 é justamente que não podemos mais pensar em coração e rins como estruturas independentes.

Coração e rins estão mais conectados do que parece

Essa relação é muito mais próxima do que parece. Os rins ajudam a controlar a pressão arterial, o equilíbrio de líquidos e sais e participam de mecanismos hormonais fundamentais para o funcionamento do sistema cardiovascular. Ao mesmo tempo, precisam de uma circulação adequada para manter sua capacidade de filtração.

Por isso, quando o coração adoece, os rins podem sofrer; e quando a função renal se deteriora, o risco cardiovascular também aumenta.

Doença renal pode permanecer silenciosa

O problema é que a doença renal crônica pode permanecer silenciosa durante muito tempo. A pessoa pode se sentir perfeitamente bem e já apresentar alterações capazes de aumentar o risco de complicações no futuro.

É justamente por isso que identificar a doença precocemente se tornou uma parte tão importante da prevenção.

E existe um detalhe que merece atenção: avaliar os rins não significa simplesmente olhar a creatinina no exame de sangue.

Hoje, uma avaliação mais adequada combina a estimativa da taxa de filtração glomerular, conhecida pela sigla eGFR, com a pesquisa de albumina na urina, geralmente feita pela relação albumina/creatinina urinária, a UACR.

Albumina na urina também indica risco cardiovascular

A albuminúria merece destaque porque pode aparecer mesmo quando a capacidade de filtração dos rins ainda parece relativamente preservada.

Em outras palavras, é possível ter uma creatinina que não chama atenção e, ainda assim, já existir um sinal de lesão renal. Além disso, a presença de albumina na urina não fala apenas sobre os rins: ela também funciona como um marcador de risco cardiovascular.

Quanto maior a albuminúria, de maneira geral, maior o risco de progressão da doença renal e de eventos cardiovasculares.

É por isso que a nova diretriz europeia reforça o rastreamento da doença renal crônica nos pacientes com doença cardiovascular.

Para o cardiologista, portanto, perguntar como estão os rins deixa de ser uma preocupação paralela e passa a fazer parte do próprio cuidado cardiovascular.

Os mesmos fatores podem prejudicar coração e rins

Essa mudança é ainda mais importante porque coração, rins e metabolismo compartilham muitos dos mesmos inimigos.

Hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e doença vascular podem, ao longo dos anos, comprometer simultaneamente esses órgãos.

E a boa notícia é que hoje também temos tratamentos que conseguem atuar em mais de uma dessas frentes. Controlar adequadamente a pressão arterial e o colesterol e, quando indicado, utilizar medicamentos com benefícios cardiovasculares e renais comprovados pode não apenas proteger o coração, mas também retardar a progressão da doença renal.

A obesidade também precisa entrar nessa conversa. Cada vez mais entendemos que ela não deve ser encarada somente pelo número da balança ou por uma questão estética.

O excesso de adiposidade participa de alterações metabólicas, inflamatórias e hemodinâmicas que podem repercutir sobre o coração e os rins. Por isso, tratar adequadamente a obesidade também pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de proteção cardiorrenal.

Uma pergunta para levar ao próximo check-up

Talvez, então, esteja faltando uma pergunta no seu próximo check-up. Além de querer saber “como está meu colesterol?”, “como está minha glicose?” e “minha pressão está boa?”, vale perguntar ao seu médico: como estão meus rins e eu preciso pesquisar albumina na urina?

Isso não significa que todas as pessoas devam fazer os mesmos exames ou repeti-los na mesma frequência. A avaliação precisa considerar idade, doenças existentes e risco individual.

Mas, especialmente para quem já apresenta doença cardiovascular, diabetes, hipertensão ou outros fatores de risco importantes, os rins não deveriam ser esquecidos.

Cuidar dos rins também é cuidar do coração

Durante muito tempo, a medicina dividiu o organismo em especialidades. Isso continua sendo necessário, mas hoje sabemos que algumas das melhores oportunidades de prevenção aparecem justamente quando conectamos esses diferentes sistemas.

Coração e rins contam partes da mesma história. E proteger os rins é também uma maneira de proteger o coração.

Fonte: Folha Vitória

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