Sede da Apex: companhia informou que quer continuar operando apesar de recuperação judicial. Foto: Thiago Soares/Folha Vitória
A Apex Partners apresentou nesta segunda-feira (14) o pedido formal de recuperação judicial, abrindo uma nova e decisiva fase da crise financeira que atinge a companhia. O pedido agora está nas mãos da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória e ainda precisa passar por análise da Justiça. A medida tenta organizar a negociação com credores e preservar as atividades e os ativos da empresa diante de um endividamento bruto declarado de aproximadamente R$ 985,6 milhões.
O pedido era o próximo passo previsto desde agosto. Foi quando a Apex conseguiu uma proteção judicial temporária contra execuções e bloqueios enquanto organizava suas contas e preparava uma possível recuperação. Ou seja, agora, a companhia decidiu seguir por esse caminho.
Em nota, a Apex afirmou que a medida busca criar condições para uma “reestruturação organizada da Companhia, com a preservação de seus ativos e a proteção dos interesses dos investidores e credores”. Do mesmo modo a empresa informou que continua funcionando e pretende preservar os projetos dos quais participa.
Quase R$ 1 bilhão em dívidas e contas sob análise
O tamanho e a composição da dívida ajudam a mostrar a complexidade do processo que chega agora à Justiça. Segundo dados oficiais divulgados pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), a Apex declarou aproximadamente R$ 985,6 milhões em endividamento bruto. Desse total, cerca de R$ 452,1 milhões estão relacionados a debêntures e resgates.
Outros R$ 309,8 milhões surgiram inicialmente como obrigações de “cashback”, ligadas a aproximadamente 1.600 posições de clientes. Do mesmo modo, o passivo tributário encontrado pela perícia chega a cerca de R$ 92 milhões, embora o valor informado inicialmente pelas empresas fosse de apenas R$ 35,2 milhões.
O pedido de recuperação também chega ao juiz em um momento no qual ainda existem dúvidas importantes sobre as contas do grupo. Nesse sentido a Laspro, responsável pela constatação determinada pela Justiça, conseguiu analisar demonstrações financeiras de apenas 23 das 177 sociedades examinadas. Ou seja, 12,9% do total. Em 18 dessas 23 empresas foram encontradas operações com partes relacionadas. Do mesmo modo, em oito delas mais de 85% das dívidas eram com empresas do próprio grupo.
Também foram identificadas duas versões das demonstrações financeiras de 2025 da Apex Partners Gestão de Ativos, com uma reclassificação de aproximadamente R$ 58,2 milhões relacionada à distribuição de lucros.
A Apex afirma que pretende usar a recuperação para reorganizar a companhia sem interromper suas operações. “O grupo segue operando de forma a garantir a continuidade das suas atividades, preservando os projetos dos quais participa”, informou a empresa.
A companhia também declarou compromisso com “a verdade, a transparência e o respeito” a investidores, funcionários, parceiros e credores. O próximo movimento será a decisão da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória sobre o pedido. E, do mesmo modo, quais empresas serão admitidas na recuperação e quais dívidas ficarão dentro do processo. Bem como quais condições a Justiça poderá impor diante das pendências já apontadas pela Laspro e pelo MPES.
Fonte: Folha Vitoria