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Saúde

Internações de ciclistas cresceram 51% no ES; veja cuidados com saúde e segurança

Internações de ciclistas no SUS passaram de 373 para 565 em um ano; mortes também cresceram no Estado


Imagem: Magnific

O uso da bicicleta ganhou espaço como meio de transporte, atividade física e lazer, mas o aumento da circulação também chama atenção para a segurança de quem pedala. No Espírito Santo, as internações de ciclistas no Sistema Único de Saúde (SUS) passaram de 373, em 2024, para 565, em 2025. O crescimento foi de 51,5%, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

O cenário também aparece nas estatísticas de mortes. No primeiro semestre de 2025, 26 ciclistas morreram em acidentes no Estado, contra 19 no mesmo período de 2024, uma alta de 36,8%. Em todo o ano de 2024, foram 38 mortes de ciclistas, de acordo com dados do Anuário de Segurança Pública.

No Dia do Ciclista, comemorado em 19 de agosto, especialistas reforçam a importância de cuidar da saúde de quem pratica o esporte.

Queda pode provocar lesões nos braços e na coluna

Durante uma queda, é comum que o ciclista tente proteger a cabeça e o tronco usando os braços como apoio. O movimento, porém, pode concentrar uma grande quantidade de força nos membros superiores e também na coluna.

Em uma queda de bicicleta, a pessoa geralmente tenta proteger a cabeça e o tronco, usando os braços como apoio. Esse movimento pode concentrar muita força nos ombros, cotovelos, punhos e provocar impactos na coluna.

Amauri Chaves Filhos, do Instituto Santa Mônica de Ortopedia e Traumatologia (ISMOT)

Segundo o médico, a gravidade da lesão depende de fatores como velocidade, posição do corpo e forma como ocorre o impacto. O trauma pode provocar desde lesões musculares até fraturas e outros problemas mais graves.

“Uma queda não precisa necessariamente causar uma fratura para provocar uma lesão importante. Traumas podem atingir músculos, ligamentos e estruturas da coluna e provocar dor persistente e limitação de movimentos”, orienta Amauri.

Por isso, sintomas como dor intensa, formigamento, perda de força ou dificuldade para se movimentar após uma queda devem ser avaliados por um médico.

Ombros e joelhos estão entre as regiões mais atingidas

Os ombros e os joelhos também ficam particularmente expostos ao impacto durante acidentes. Dependendo da intensidade da queda, podem ocorrer fraturas e lesões de ligamentos.

“O ciclista está muito exposto durante uma queda. O ombro pode sofrer um impacto direto contra o chão, assim como o joelho. Em acidentes com maior impacto, podem ocorrer fraturas e lesões de ligamentos”, explica o ortopedista George Alfred Delatorre, especialista em cirurgia do ombro, cotovelo e joelho do ISMOT.

Além da dor, o inchaço e a dificuldade para movimentar uma articulação são sinais que não devem ser ignorados.

Segundo Delatorre, um dos problemas é que a pessoa pode minimizar a lesão logo após o acidente. A descarga de adrenalina pode fazer com que alguns sintomas sejam percebidos apenas horas depois.

Às vezes, a adrenalina do momento faz com que a pessoa continue pedalando ou volte para casa acreditando que foi apenas uma pancada. Mas alguns sintomas podem aparecer ou se intensificar horas depois.

George Alfred Delatorre, especialista em cirurgia do ombro, cotovelo e joelho do ISMOT

Postura também merece atenção

Nem todo problema relacionado ao ciclismo está ligado a uma queda. O uso frequente da bicicleta também exige atenção à postura, ao condicionamento físico e à carga transportada.

Uma posição inadequada sobre a bicicleta pode favorecer dores musculares e articulares, especialmente quando há esforço repetitivo ou falta de preparo físico.

“A bicicleta é uma excelente forma de atividade física e mobilidade, mas o corpo precisa estar preparado para esse esforço. Uma postura inadequada, falta de condicionamento ou excesso de carga podem favorecer dores musculoesqueléticas”, explica o ortopedista e cirurgião da coluna José Lucas Batista Júnior, também do ISMOT.

Em caso de acidente, no entanto, a atenção precisa ser redobrada. Segundo o especialista, algumas lesões podem não apresentar sinais imediatamente após o impacto.

Segurança depende também do trânsito

Além dos cuidados individuais, os especialistas apontam que a segurança dos ciclistas depende das condições de circulação nas cidades. A convivência entre bicicletas, carros, motocicletas e pedestres exige infraestrutura adequada e respeito às regras de trânsito.

“O ciclista precisa estar atento, mas a segurança também depende de um ambiente viário que permita a convivência entre carros, motocicletas, bicicletas e pedestres. Quanto maior a exposição do ciclista ao trânsito, maior a importância de medidas que reduzam a possibilidade de colisões e quedas”, afirma José Lucas.

O uso de capacete e de equipamentos adequados, além do respeito às regras de circulação, são medidas que podem reduzir riscos. Mas, após uma queda, a recomendação é não ignorar sinais persistentes.

Pedalar traz inúmeros benefícios, mas não significa que seja uma atividade sem riscos. Equipamentos adequados como o capacete e respeito às regras de circulação são importantes. E, diante de um acidente, não se deve subestimar uma dor ou limitação que persista.

Amauri Chaves Filhos, do Instituto Santa Mônica de Ortopedia e Traumatologia (ISMOT)

Folha Vitória

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