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Saúde

Saúde vascular depois dos 40: o que muda e quais sinais merecem atenção

Especialistas explicam como idade, fatores de risco e menopausa podem influenciar a saúde vascular


Imagem de rawpixel.com no Magnific

A partir dos 40 anos, alguns fatores de risco para doenças vasculares passam a exigir acompanhamento mais próximo. Hipertensão, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo e histórico familiar podem afetar a circulação mesmo quando ainda não provocam sintomas.

O avanço da idade, por si só, não significa que uma pessoa terá problemas vasculares. A questão é que, nessa fase, alterações metabólicas e cardiovasculares se tornam mais frequentes e podem aumentar o risco de doenças que afetam artérias e veias.

É comum que o paciente chegue aos 40 anos se sentindo bem e sem imaginar que já pode ter fatores de risco para doenças vasculares. A hipertensão, o diabetes e o colesterol alto, por exemplo, nem sempre provocam sintomas no início. Por isso, o acompanhamento dos exames e dos hábitos de vida passa a ter um papel ainda mais importante.

Fanilda Barros, angiologista da Angio+

Além dessas condições, para as mulheres, a chegada da menopausa representa outra fase de atenção. A redução dos níveis de estrogênio pode estar associada a alterações na pressão arterial, no colesterol e na distribuição da gordura corporal, fatores que interferem na saúde cardiovascular.

“Essa é uma fase em que muitas mulheres percebem mudanças no corpo, mas nem sempre relacionam essas mudanças à saúde vascular. O acompanhamento deve levar em conta o histórico da paciente, os fatores de risco e os sintomas que ela apresenta, e não apenas a idade”, afirma Fanilda.

Trombose pode se tornar mais frequente

Entre as doenças que merecem atenção está a Trombose Venosa Profunda (TVP), caracterizada pela formação de um coágulo em uma veia profunda, geralmente nas pernas.

Estimativas da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) apontam uma incidência de cerca de 30 casos de TVP por 100 mil pessoas ao ano entre 25 e 35 anos. Depois dos 40, o risco pode ser influenciado pela combinação da idade com outros fatores.

Cirurgias, períodos prolongados de imobilidade, câncer, obesidade, uso de determinados medicamentos e histórico pessoal ou familiar de trombose estão entre as situações que podem aumentar a probabilidade do problema.

“A idade é apenas um dos fatores envolvidos. O risco aumenta principalmente quando ela se soma a outras condições. Uma pessoa que passou por uma cirurgia, ficou muito tempo imobilizada ou já teve uma trombose, por exemplo, precisa ser avaliada de maneira diferente”, explica Fanilda.

Dor e inchaço que aparecem de forma repentina, principalmente quando atingem apenas uma das pernas, são sinais que precisam de avaliação médica.

Cansaço e inchaço nas pernas não devem ser ignorados

Sensação de peso nas pernas, cansaço, inchaço nos tornozelos, dor durante a caminhada e aumento ou surgimento de varizes são queixas relativamente comuns. Mas isso não significa que devam ser automaticamente atribuídas ao envelhecimento.

Às vezes, o paciente convive durante anos com as pernas pesadas ou inchadas e acredita que isso é normal porque está envelhecendo. A idade pode estar relacionada a algumas condições, mas não deve ser usada para explicar qualquer sintoma. É preciso investigar.

Samira Meneguelli, cirurgiã vascular da Angio+

A insuficiência venosa crônica é uma das condições que podem provocar esses sintomas. O problema ocorre quando o retorno do sangue das pernas ao coração não funciona adequadamente e pode causar inchaço, sensação de peso e varizes.

Já a aterosclerose está relacionada ao acúmulo de placas nas paredes das artérias. Dependendo do local e da intensidade, a alteração pode comprometer o fluxo sanguíneo e aumentar o risco de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC.

Como cuidar da circulação depois dos 40

A prevenção envolve o controle dos fatores de risco e a adoção de hábitos que favoreçam a saúde cardiovascular. Estão entre os principais cuidados:

Praticar atividade física;

Evitar longos períodos sentado;

Controlar a pressão arterial, o diabetes e o colesterol;

A musculatura da panturrilha também ajuda no retorno do sangue das pernas ao coração. Ao caminhar e movimentar as pernas, ela funciona como uma bomba muscular que favorece a circulação venosa.

Samira Meneguelli também alerta para o uso de medidas que nem sempre são indicadas para todas as pessoas. “A meia de compressão, por exemplo, pode ajudar em alguns casos, mas não deve ser usada por conta própria. Antes de indicar esse tipo de tratamento, é preciso avaliar a circulação e entender qual é o problema do paciente”.

Não é preciso esperar aparecer um problema para começar a cuidar da circulação. Levantar ao longo do dia, caminhar mais e manter uma atividade física regular são medidas simples que fazem diferença. O exercício, claro, precisa respeitar as condições e os limites de cada pessoa.

Samira Meneguelli, cirurgiã vascular da Angio+

Folha Vitória

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