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Inteligente, mas tão distraído: quando altas habilidades e TDAH aparecem na mesma criança

Entenda o que é dupla excepcionalidade e quais sinais observar

Por Redação em 11/08/2026 às 09:00:17
Imagem: Magnific

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Uma criança que aprende com facilidade, faz perguntas surpreendentes para a idade e demonstra um raciocínio muito acima do esperado pode, ao mesmo tempo, esquecer o material escolar, perder objetos, não terminar tarefas ou ter enorme dificuldade para se organizar. Para muitos adultos, essa combinação parece contraditória: “Se é tão inteligente, por que não consegue prestar atenção ou fazer algo tão simples?”

A resposta pode estar em uma condição ainda pouco conhecida pela população: a dupla excepcionalidade.

Quando inteligência e dificuldade de atenção aparecem juntas

O termo é utilizado quando uma pessoa apresenta altas habilidades ou superdotação e, simultaneamente, alguma condição que traz desafios ao desenvolvimento ou à aprendizagem, como TDAH, transtorno do espectro autista ou transtornos específicos de aprendizagem. Neste caso, estamos falando da combinação entre altas habilidades/superdotação (AH/SD) e TDAH.

Essas crianças podem apresentar um perfil que, à primeira vista, parece cheio de contradições. Podem aprender rapidamente assuntos complexos e, ainda assim, esquecer uma instrução que acabaram de receber. Conseguem permanecer muito envolvidas em temas de grande interesse, mas têm dificuldade para sustentar a atenção em atividades repetitivas ou pouco estimulantes. Podem ter ideias extremamente criativas, enquanto enfrentam dificuldades para planejar, organizar e finalizar aquilo que começaram.

Isso acontece porque ter uma capacidade intelectual elevada não impede a existência do TDAH. São aspectos diferentes do funcionamento da criança. Estudos sobre dupla excepcionalidade mostram justamente a importância de compreender simultaneamente suas potencialidades e suas dificuldades.

Quando uma condição pode esconder a outra

Um dos grandes desafios é que uma condição pode mascarar a outra. Uma criança com altas habilidades pode utilizar seus recursos cognitivos para compensar dificuldades relacionadas ao TDAH e continuar apresentando boas notas. Por isso, seus problemas de atenção, organização e funções executivas podem demorar a ser percebidos.

O contrário também acontece: dificuldades decorrentes do TDAH podem prejudicar tanto o desempenho que as altas habilidades ficam escondidas. Em alguns casos, a criança acaba sendo vista simplesmente como um aluno de desempenho “mediano”, apesar de existir uma grande discrepância entre seu potencial e seu funcionamento cotidiano.

É aí que surgem frases perigosas: “Ele é inteligente, mas preguiçoso”, “só faz quando quer”, “se prestasse mais atenção, conseguiria”. Antes de atribuir o comportamento à falta de esforço, precisamos compreender o que está acontecendo.

Nem sempre boas notas significam ausência de dificuldades

A identificação da dupla excepcionalidade exige uma avaliação cuidadosa. Não se trata apenas de verificar o QI ou observar as notas escolares. É necessário investigar diferentes habilidades cognitivas, atenção, memória, funções executivas, aprendizagem, comportamento e aspectos emocionais, além de considerar informações da família e da escola.

Uma avaliação ampla é especialmente importante porque crianças com altas habilidades podem encontrar estratégias próprias para compensar determinadas dificuldades. Isso pode fazer com que o TDAH passe despercebido por familiares e professores durante anos.

Da mesma forma, quando os sintomas do TDAH são muito evidentes, existe o risco de que as altas habilidades não sejam reconhecidas. O resultado pode ser uma criança que recebe apenas intervenções para suas dificuldades, sem ter acesso aos estímulos e desafios necessários para desenvolver plenamente seu potencial.

Potencial e dificuldade podem coexistir

Reconhecer a dupla excepcionalidade não significa colocar mais um rótulo na criança. Significa compreender que potencialidades e dificuldades podem coexistir.

Uma criança pode precisar de ajuda para se organizar e, ao mesmo tempo, necessitar de desafios intelectuais maiores. Quando enxergamos apenas suas dificuldades, limitamos seu potencial. Quando enxergamos apenas sua inteligência, podemos deixar de oferecer o suporte de que ela realmente precisa.

Compreender esse perfil permite que família, escola e profissionais construam estratégias mais adequadas, respeitando tanto as necessidades da criança quanto suas habilidades. Afinal, inteligência não elimina dificuldades de atenção, assim como o TDAH não apaga capacidades que podem se destacar muito acima da média.

Fonte: Folha Vitória

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