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*Artigo escrito por Milena Zambom, nutricionista da Bluzz Saúde
Recentemente, a atriz Isis Valverde chamou atenção nas redes sociais para uma dificuldade que milhares de brasileiros enfrentam diariamente: encontrar restaurantes e estabelecimentos que informem de forma clara quais alimentos contêm glúten. O relato gerou debate e trouxe visibilidade a uma realidade que vai muito além de uma simples preferência alimentar.
Para quem convive com a doença celíaca, consumir glúten não é uma escolha. É um risco à saúde.
A doença celíaca é uma condição autoimune em que a ingestão de glúten desencadeia uma resposta do organismo capaz de provocar inflamação e lesões no intestino delgado.
Como consequência, a absorção de nutrientes fica comprometida e podem surgir sintomas como diarreia, dor abdominal, anemia, perda de peso, fadiga e distensão abdominal.
Em alguns casos, porém, os sinais são discretos ou até inexistentes, o que dificulta o diagnóstico e faz com que muitas pessoas convivam durante anos com a doença sem saber.
Quando o diagnóstico é confirmado, existe apenas um tratamento eficaz: retirar totalmente o glúten da alimentação por toda a vida. Não há exceções, nem espaço para “só um pouquinho”.
Mesmo pequenas quantidades são capazes de desencadear a resposta imunológica e provocar inflamação intestinal, ainda que o paciente não apresente sintomas naquele momento.
É justamente por isso que a informação correta faz tanta diferença.
A identificação dos alimentos que contêm glúten nos cardápios representa um importante avanço para a segurança alimentar das pessoas com doença celíaca. Saber o que está sendo servido permite escolhas mais conscientes e reduz o risco da ingestão acidental dessa proteína.
Entretanto, apenas informar não basta. Um dos maiores desafios continua sendo a contaminação cruzada.
Um alimento naturalmente sem glúten pode se tornar inadequado quando é preparado na mesma superfície, com os mesmos utensílios ou no mesmo óleo utilizado para produtos que contêm trigo, cevada ou centeio. Muitas vezes, esse detalhe passa despercebido, mas é suficiente para causar prejuízos à saúde.
Também é importante lembrar que o glúten está presente em alimentos que nem sempre despertam suspeitas.
Além de pães, massas e bolos, ele pode aparecer em molhos industrializados, temperos prontos, embutidos, chocolates, sorvetes, suplementos alimentares e até alguns medicamentos.
Por isso, aprender a ler rótulos e fazer perguntas sobre o preparo dos alimentos passa a fazer parte da rotina de quem recebe esse diagnóstico.
Ao mesmo tempo, é preciso combater outro equívoco que se popularizou nos últimos anos: retirar o glúten da alimentação sem orientação profissional.
Para pessoas que não possuem doença celíaca ou outra condição que justifique essa restrição, não existem benefícios cientificamente comprovados.
Pelo contrário, a exclusão desnecessária pode reduzir a variedade alimentar e favorecer deficiências nutricionais.
A discussão iniciada pela atriz vai além da experiência individual. Ela nos lembra que inclusão também acontece à mesa.
Quando restaurantes investem em treinamento das equipes, evitam contaminação cruzada e oferecem informações claras sobre seus pratos, demonstram respeito, responsabilidade e compromisso com a saúde de todos os clientes.
Mais do que adaptar cardápios, precisamos fortalecer uma cultura de acolhimento. Afinal, para quem vive com doença celíaca, segurança alimentar não é um diferencial. É uma necessidade.
Fonte: Folha Vitória