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Nos últimos anos, a testosterona passou a ocupar um espaço crescente nas conversas sobre saúde masculina. Popularizada nas redes sociais e frequentemente associada a desempenho físico e sexual, a reposição hormonal tem sido tratada, muitas vezes, como solução simples para sintomas complexos. Mas é preciso cautela: nem todo cansaço, queda de libido ou alteração de humor está ligado à chamada “baixa testosterona”.
Do ponto de vista médico, o diagnóstico de deficiência de testosterona, ou hipogonadismo, exige critérios bem definidos. Não basta um exame isolado com níveis reduzidos. É necessário avaliar sintomas clínicos associados, repetir dosagens em horários adequados e investigar causas subjacentes, como obesidade, diabetes, distúrbios do sono ou uso de medicamentos.
Estilo de vida também influencia os níveis hormonais
Um dos principais equívocos é acreditar que a reposição hormonal é indicada para qualquer homem com sinais inespecíficos de fadiga ou envelhecimento. A testosterona não é um “elixir da juventude”. Quando utilizada sem indicação adequada, pode trazer riscos importantes, como alterações cardiovasculares, infertilidade e supressão da produção natural do hormônio.
Outro ponto que merece atenção é a influência do estilo de vida sobre os níveis hormonais. Sedentarismo, alimentação inadequada, estresse crônico e privação de sono estão diretamente ligados à redução da testosterona. Em muitos casos, mudanças nesses hábitos podem trazer melhora significativa, sem necessidade de intervenção medicamentosa.
Envelhecimento não é doença
Além disso, há um fenômeno crescente de medicalização do envelhecimento masculino. É natural que os níveis hormonais diminuam com o passar dos anos, e isso não significa, necessariamente, doença. Transformar esse processo em algo patológico pode levar a tratamentos desnecessários e expectativas irreais.
Por isso, o papel da Endocrinologia é fundamental para diferenciar o que é fisiológico do que é patológico. A abordagem deve ser individualizada, baseada em evidências e sempre focada na saúde global do paciente, e não apenas em números laboratoriais.
Informação de qualidade é a melhor forma de combater mitos e exageros. Quando bem indicada e acompanhada, a terapia hormonal pode ser benéfica. Mas, fora desse contexto, pode representar mais risco do que solução.
Fonte: Folha Vitória