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É uma das perguntas mais frequentes depois do procedimento de congelamento de óvulos: “Os que eu congelei são suficientes?” A resposta depende de dois fatores que andam juntos — e que a tecnologia hoje ajuda a entender com muito mais precisão do que há alguns anos: a idade no momento da coleta e a qualidade de cada óvulo.
Por que a idade importa tanto?
Os óvulos não envelhecem no nitrogênio líquido. A qualidade que você congela hoje é a qualidade que estará disponível no futuro — independentemente de quando você decidir usá-los. É por isso que o momento da coleta é tão determinante.
De forma geral, modelos preditivos baseados em grandes estudos indicam as seguintes referências:
Até 35 anos: 10 a 15 óvulos maduros tendem a oferecer boa probabilidade de pelo menos uma gravidez bem-sucedida.
Entre 35 e 37 anos: recomenda-se buscar entre 15 e 20 óvulos para manter chances próximas às de mulheres mais jovens.
Entre 38 e 40 anos: pode ser necessário chegar a 20 ou 30 óvulos, muitas vezes com mais de um ciclo de estimulação.
Esses números são referências, não garantias. O que define o resultado real não é apenas a quantidade, mas a qualidade de cada óvulo — e é aqui que a tecnologia mudou o jogo.
O que a IA Violet faz diferente?
Até pouco tempo atrás, a avaliação da qualidade dos óvulos era feita exclusivamente pelo olhar do embriologista ao microscópio. Um trabalho especializado e criterioso, mas com limites: o olho humano não consegue captar todos os detalhes que uma imagem carrega.
A Violet é uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pela empresa Future Fertility que analisa as fotografias de cada óvulo coletado após a punção ovariana. O sistema foi treinado com mais de 650.000 imagens de óvulos e seus respectivos resultados clínicos, o que permite identificar padrões que indicam o potencial de desenvolvimento de cada um.
O resultado é um relatório personalizado que mostra, óvulo por óvulo, a probabilidade de cada um se desenvolver em um blastocisto — o embrião no quinto ou sexto dia de desenvolvimento, estágio em que as chances de implantação são mais altas. O relatório também traz uma estimativa geral das chances de gravidez com o conjunto de óvulos congelados.
Essa informação é valiosa em dois momentos: logo após a coleta, para decidir se um segundo ciclo de estimulação seria recomendável para ampliar as chances; e anos depois, quando a paciente decide usar os óvulos, para planejar o tratamento com mais dados em mãos.
A Violet não garante gravidez. Nenhuma tecnologia faz isso. Ela oferece uma camada extra de informação que complementa — e não substitui — a avaliação médica e embriológica. A decisão sobre quantos ciclos fazer, quando usar os óvulos e qual protocolo seguir continua sendo do médico, em conjunto com a paciente.
O que muda é a qualidade da conversa: em vez de trabalhar apenas com estimativas baseadas na idade, é possível olhar para os seus óvulos especificamente e tomar decisões com dados mais individualizados.
Se você já passou pelo congelamento e tem dúvidas sobre o que fazer com as informações que tem, ou ainda está pensando em preservar a fertilidade, converse com seu médico sobre o que os seus números significam para o seu caso. A resposta certa não é a mesma para todas as mulheres — e é exatamente por isso que a medicina reprodutiva continua avançando.
Fonte: Folha Vitória