Preciso fazer uma confissão: a saúde da minha pele fica em segundo plano durante o inverno. Banhos muito quentes, pouca ingestão de água e até o abandono do protetor solar passam a ser meu novo normal durante a época mais fria do ano, o que, claro, leva ao ressecamento da pele.
Além dos maus hábitos, com a queda das temperaturas e da umidade do ar, a barreira natural da pele já fica mais vulnerável, o que favorece descamação, coceira e até fissuras.
Por isso, perguntei a uma dermatologista quais cuidados simples ajudam a evitar esses problemas e vou te contar o que ela me disse. Confira!
Banho quente é um dos maiores vilões
Segundo a dermatologista Priscila Passamani, um dos hábitos que mais prejudicam a saúde da pele no inverno é o banho muito quente e demorado. A água em alta temperatura remove os lipídios naturais responsáveis por proteger a pele e evitar a perda de água.
Quando essa barreira é destruída, a pele perde hidratação com muito mais facilidade. O resultado é ressecamento, descamação e coceira.
Priscila Passamani, dermatologista
A recomendação é que o banho dure entre cinco e dez minutos e seja feito, de preferência, com água morna. Para quem vai lavar os cabelos, a orientação é usar água fria, que também beneficia os fios e o couro cabeludo.
Usar o mesmo sabonete no corpo todo pode piorar o ressecamento
Outro erro frequente é usar sabonete convencional em todo o corpo, principalmente mais de uma vez ao dia.
Segundo Priscila, o produto deve ser concentrado apenas nas regiões que realmente necessitam de limpeza mais intensa, como axilas, virilhas e pés. Para o restante do corpo, ela recomenda o uso de óleos de limpeza ou produtos específicos para peles sensíveis.
“Produtos com álcool, ingredientes muito perfumados ou formulações concentradas com apelo mais de perfumaria do que dermatológico devem ser evitados, especialmente no inverno”, complementa.
Protetor solar continua sendo indispensável
O uso do protetor solar é outro hábito que precisa ser relembrado durante o inverno.
Apesar da redução da sensação de calor, a radiação ultravioleta continua presente durante o inverno. Por isso, abandonar o produto nos dias frios ou nublados não é recomendado.
Segundo a dermatologista, o filtro solar faz parte dos cuidados diários com a pele em qualquer estação do ano.
Hidratante deve ser usado todos os dias
Quem nunca deixou a pele “repuxar” para aplicar hidratante que atire a primeira pedra.
A médica explica que a hidratação deve fazer parte da rotina diária, mesmo quando não há sinais aparentes de ressecamento. O melhor momento para aplicar o produto é logo após o banho.
A orientação é secar a pele delicadamente e aplicar o hidratante nos primeiros três minutos após sair do chuveiro, quando ela ainda está levemente úmida.
Priscila Passamani, dermatologista
O que observar na composição dos produtos no inverno?
Para reforçar a hidratação no inverno, Priscila recomenda produtos que contenham ingredientes capazes de restaurar a barreira cutânea e reter água.
Quem tem pele oleosa também não deve abrir mão da hidratação.
Nesse caso, a recomendação é optar por produtos oil free, com textura em gel-creme, que hidratam sem aumentar a oleosidade ou obstruir os poros.
Lábios, mãos e pernas exigem atenção especial
Algumas áreas do corpo costumam sofrer ainda mais com o frio.
Lábios rachados, mãos ásperas e coceira nas pernas estão entre as queixas mais comuns durante a estação.
Para essas regiões, a dermatologista recomenda hidratantes específicos com ingredientes como pantenol, ceramidas e ácido hialurônico. Máscaras labiais de uso noturno também podem ajudar na recuperação dos lábios ressecados.
“Em casos mais severos, dermatologistas podem indicar produtos específicos com ureia para essas regiões”, explica.
Quando procurar um dermatologista?
Embora o ressecamento seja comum no inverno, alguns sinais indicam que é hora de procurar avaliação médica. São eles:
Existem doenças que se manifestam justamente com esse ressecamento acentuado, como psoríase e dermatite atópica, e que exigem tratamento específico e acompanhamento médico.
Priscila Passamani, dermatologista
Folha Vitória