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Politica

PF pede novo inquérito contra Lulinha: entenda o caso e o que pode acontecer

Filho do presidente Lula é alvo de um novo pedido de investigação por suspeita de tráfico de influência


Lulinha é filho mais velho do presidente da República. Foto: Divulgação

A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um novo inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pedido envolve suspeitas de tráfico de influência para beneficiar empresas com contratos junto ao governo federal.

Caso o Supremo autorize a investigação, este será o terceiro inquérito envolvendo Lulinha.

A solicitação ocorre após o ministro André Mendonça autorizar outra apuração para investigar suspeitas de tráfico de influência e corrupção passiva relacionadas ao Ministério da Saúde.

O que motivou o novo pedido?

De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que Lulinha teria utilizado a condição de filho do presidente da República para favorecer empresas parceiras em negociações e investimentos.

Entre elas está a 3Structure IT Ltda, empresa de tecnologia fundada em 2019 e sediada em Florianópolis. Segundo a investigação, a companhia possui contratos com órgãos do governo federal que somam R$ 55,7 milhões ainda em vigor.

Esse contrato foi firmado em novembro de 2022 com o Centro Integrado de Telemática do Exército, para fornecimento de soluções de tecnologia da informação e infraestrutura de armazenamento. Inicialmente avaliado em R$ 21,8 milhões, o contrato recebeu um aditivo de R$ 3,6 milhões neste ano.

Até o momento, não há decisão judicial que conclua pela prática de qualquer crime por parte de Lulinha.

Investigação surgiu durante Operação Sem Desconto

O novo pedido de investigação tem como base informações reunidas durante a Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de descontos irregulares aplicados em aposentadorias e pensões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo os investigadores, as análises de dados e das quebras de sigilo indicaram possíveis relações entre Lulinha e pessoas investigadas na operação.

Entre elas está o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado pela PF como um dos principais operadores do esquema de fraudes envolvendo benefícios previdenciários.

A investigação também apura se Lulinha teria atuado para favorecer interesses ligados à comercialização de canabidiol, substância utilizada para fins medicinais.

Outro inquérito já foi autorizado

Na última quinta-feira (30), o ministro André Mendonça autorizou a abertura de outro inquérito para investigar se Lulinha cometeu os crimes de tráfico de influência e corrupção passiva em negociações envolvendo o Ministério da Saúde.

Além disso, o ministro determinou outra investigação para apurar suspeitas de atuação em favor de um empresário em negociações com a Dataprev, empresa pública responsável pelo processamento de dados de programas sociais como INSS e Bolsa Família.

O que pode acontecer agora?

O pedido da Polícia Federal será analisado pelo ministro relator no STF. Caso a Corte autorize a abertura do novo inquérito, será iniciada uma investigação formal para reunir provas e esclarecer os fatos.

Nessa fase, a Polícia Federal poderá realizar diligências, ouvir testemunhas e solicitar novas medidas investigativas. Ao final da apuração, a PF encaminhará um relatório à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se há elementos suficientes para apresentar denúncia ao Supremo ou pedir o arquivamento.

A abertura de um inquérito não significa que o investigado seja considerado culpado. Trata-se de uma etapa destinada à apuração dos fatos.

Folha Vitória

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