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Quando pensamos na região do pescoço, normalmente lembramos da tireoide. No entanto, poucas pessoas sabem que existem quatro pequenas glândulas localizadas logo atrás dela, chamadas paratireoides, que desempenham um papel fundamental no equilíbrio do cálcio, do fósforo e da vitamina D. Apesar do tamanho reduzido, alterações no seu funcionamento podem comprometer ossos, rins e até o sistema cardiovascular.
Na prática clínica, percebo que muitos pacientes só ouvem falar das paratireoides depois que um exame de sangue mostra alterações no cálcio ou quando surgem cálculos renais de repetição. Em outros casos, principalmente em pessoas com doença renal crônica, essas glândulas passam a trabalhar de forma exagerada como uma tentativa de compensar a perda da função dos rins.
As paratireoides produzem o hormônio da paratireoide, conhecido como PTH. Ele funciona como um regulador do cálcio no organismo. Quando esse hormônio é produzido em excesso, pode ocorrer retirada de cálcio dos ossos, aumentando o risco de osteoporose e fraturas. Além disso, o excesso de cálcio circulante favorece a formação de cálculos renais e pode contribuir para calcificações dos vasos sanguíneos.
Quando o excesso de PTH se torna um problema
Existem diferentes formas de hiperparatireoidismo. No hiperparatireoidismo primário, o problema está na própria glândula, que passa a produzir PTH em excesso. Já no hiperparatireoidismo secundário, muito frequente em pacientes com doença renal crônica, os rins deixam de controlar adequadamente o equilíbrio do cálcio, do fósforo e da vitamina D, estimulando continuamente as paratireoides.
Os sintomas nem sempre aparecem no início. Cansaço, dores ósseas, fraqueza muscular, cálculos renais recorrentes e fraturas podem ser manifestações da doença, mas muitos pacientes são diagnosticados apenas por alterações em exames de rotina.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento
Felizmente, o diagnóstico costuma ser simples. A dosagem do cálcio, do fósforo, da vitamina D e do PTH, associada à avaliação da função renal, permite identificar a maioria dos casos. Em pacientes com doença renal crônica, esse acompanhamento é essencial para prevenir complicações ósseas e cardiovasculares.
Nos últimos anos, o tratamento também evoluiu. Hoje dispomos de melhores estratégias para controlar o hiperparatireoidismo, incluindo reposição adequada de vitamina D quando indicada, medicamentos específicos para reduzir a produção de PTH e, em situações selecionadas, tratamento cirúrgico. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de preservar a saúde dos ossos, proteger os rins e melhorar a qualidade de vida.
Embora pequenas, as paratireoides exercem um papel gigantesco no equilíbrio do organismo. Conhecer sua função e valorizar alterações precoces pode evitar complicações que muitas vezes se desenvolvem de forma silenciosa.
Fonte: Folha Vitória