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Investir em formação faz diferença no contracheque dos profissionais da saúde. No Espírito Santo, trabalhadores com ensino superior recebem, em média, mais de 130% acima daqueles com ensino fundamental, segundo o RAIS Saúde 2025, estudo do Connect Fecomércio-ES elaborado a partir de dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), base oficial do Ministério do Trabalho e Emprego.
O levantamento revela uma transformação no mercado: hospitais, clínicas e demais serviços vêm buscando profissionais cada vez mais preparados para atuar em um cenário marcado pelo avanço das tecnologias, pelo envelhecimento da população e pela crescente complexidade da assistência à saúde.
Mercado exige novas competências
A remuneração acompanha o nível de escolaridade. Enquanto profissionais com ensino superior recebem, em média, R$ 4.989,49, aqueles com ensino médio têm rendimento médio de R$ 2.815,81. Entre os trabalhadores com ensino fundamental, a média é de R$ 2.152,57.
Para a professora do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e pesquisadora em Saúde, Karina Tonini, o levantamento evidencia uma transformação no perfil dos profissionais que o mercado procura.
“O setor da saúde vive uma mudança importante. A incorporação de novas tecnologias, o aumento das doenças crônicas e o envelhecimento da população exigem profissionais com maior capacidade técnica, pensamento crítico e atualização permanente. A formação deixou de ser apenas um diferencial para se tornar um requisito essencial para acompanhar a complexidade crescente da assistência.”
Segundo a pesquisadora, o estudo também demonstra que investir em educação significa ampliar oportunidades de crescimento profissional e contribuir diretamente para a qualidade do atendimento prestado à população.
“Quando os serviços investem em profissionais mais qualificados, os ganhos vão além da remuneração. Há impacto na segurança do paciente, na qualidade do cuidado e na eficiência dos próprios serviços de saúde.”
Retrato do mercado capixaba
Para o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, os dados do RAIS Saúde ajudam a compreender como o mercado de trabalho vem evoluindo no Estado. “O levantamento mostra que a saúde continua sendo um dos setores mais dinâmicos da economia capixaba. Ao mesmo tempo em que gera empregos, também aumenta a demanda por profissionais mais qualificados, refletindo as transformações tecnológicas e organizacionais que vêm ocorrendo nas instituições de saúde, destaca o coordenador.
Ele observa ainda que a tendência é de continuidade desse movimento nos próximos anos. “Os dados indicam que a valorização da qualificação profissional tende a crescer à medida que o setor incorpora novas tecnologias, amplia serviços especializados e passa a exigir competências cada vez mais diversificadas.”
Aprendizagem contínua passa a fazer parte da profissão
A necessidade de atualização também é percebida pelas instituições de ensino. Além da formação inicial, cursos de aperfeiçoamento e educação continuada ganham espaço para acompanhar a velocidade das mudanças tecnológicas na assistência.
Para Thaís Cristina Kiefer, especialista de Educação Profissional em Saúde do Senac-ES e mestre em Ciências da Saúde, o mercado já espera profissionais preparados para atuar em ambientes cada vez mais digitalizados.
“Hoje não basta dominar apenas as técnicas da profissão. O mercado procura profissionais capazes de utilizar tecnologias digitais, interpretar informações, trabalhar de forma colaborativa e tomar decisões com foco na segurança do paciente. Essas competências passaram a fazer parte da prática cotidiana da saúde.”
Para ela, a aprendizagem deixa de acontecer apenas na graduação. “A formação na saúde passa a ser permanente. As mudanças acontecem em ritmo acelerado e exigem atualização constante. Investir em educação continuada significa acompanhar a evolução da assistência e oferecer um cuidado mais seguro, eficiente e humanizado”, ressalta Thaís.
Qualificação como investimento
O levantamento reforça uma tendência observada em todo o setor: a valorização profissional está cada vez mais associada ao conhecimento e à capacidade de adaptação às transformações da assistência. Em um cenário marcado pela inovação tecnológica e pelo envelhecimento da população, investir em qualificação deixou de representar apenas uma oportunidade de crescimento na carreira. Tornou-se uma estratégia para acompanhar as novas demandas do mercado e contribuir para uma assistência em saúde mais resolutiva e de melhor qualidade.
Fonte: Folha Vitória