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A 5 dias do fim do prazo, os 5 nós que as convenções ainda precisam desatar

Apesar do calendário apertado, o tabuleiro político capixaba ainda está incompleto e as definições devem ficar para o último minuto

Por Redação em 31/07/2026 às 17:00:23
Convenção do PSB com Casagrande e Ricardo Ferraço (Crédito: Rodrigo Zaca)

Convenção do PSB com Casagrande e Ricardo Ferraço (Crédito: Rodrigo Zaca)

Daqui a cinco dias termina o prazo legal para a realização das convenções partidárias – período em que as legendas oficializam candidaturas e definem coligações. Mas, apesar do calendário apertado, o tabuleiro político capixaba ainda está incompleto.

As principais forças políticas do Estado chegam à última semana dos eventos partidários com impasses em aberto, negociações de última hora e decisões capazes de redesenhar a corrida eleitoral.

Da composição das chapas ao Senado à definição de coligações para as candidaturas ao governo, passando pela escolha dos vices e pela posição de partidos estratégicos, ainda há peças importantes a serem encaixadas.

E, tudo indica, que as principais definições ficarão para o último dia – ou para o último minuto. A coluna elencou cinco questões que prometem movimentar os bastidores até o próximo dia 5.

1. A definição dos vices

Dos três pré-candidatos ao governo do Estado hoje colocados, apenas um definiu quem o acompanhará na chapa como vice.

Ontem (30), durante a convenção da federação Brasil da Esperança – composta pelos partidos PT, PV e PCdoB – o deputado federal e pré-candidato ao governo do Estado Helder Salomão (PT) confirmou Professora Valdirene (PT) como sua vice.

Quilombola, vereadora de São Mateus e bastante atuante em movimentos sociais e sindicais, Valdirene ganhou favoritismo no grupo, que também tinha à disposição o nome do médico Neio Lúcio, presidente estadual do PCdoB.

Com a definição de Valdirene, Helder encerra uma das principais incógnitas da composição de sua chapa. Nas outras pontas da disputa, porém, o mistério continua: quem acompanhará os pré-candidatos Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB) na corrida ao Palácio Anchieta?

Até duas semanas atrás, havia um bom encaminhamento para o PSD indicar o nome de vice na chapa de Pazolini. Os cotados eram a primeira-dama de Colatina, Lívia Vasconcelos, e o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon.

Porém, com o distanciamento do PSD, o cálculo precisou ser refeito e é grande a chance do partido lançar chapa puro-sangue para o governo – com a possibilidade de ter uma mulher militar – ou reservar a vaga para algum partido que sele a aliança agora, nos últimos dias.

O diálogo foi reaberto com a federação União Progressista – que já tinha declarado apoio a Ricardo, estava na base e negociava a vaga de vice.

A convenção do Republicanos, que deve definir sobre o nome de vice, ocorre no próximo dia 4.

Do lado do governador, a situação também é delicada. Cinco partidos e ao menos 10 nomes estão querendo a vaga de vice – o último a entrar na disputa foi o PSDB, que durante a convenção, anunciou que deve indicar um nome para Ricardo apreciar.

Da semana passada pra cá, tem ganhado adesão a defesa dos prefeitos Euclério Sampaio (MDB) e Enivaldo dos Anjos (PSB) em prol do ex-prefeito da Serra Sergio Vidigal (PDT) como vice de Ricardo.

A definição de Ricardo também deve ficar para a convenção do MDB, marcada para o dia 5.

2. Quem serão os candidatos ao Senado?

Duas vagas ao Senado estarão em jogo nesse ano, o que sinaliza para uma disputa com mais candidatos. Até o momento, três foram confirmados: o vereador de Vitória Leonardo Monjardim (Novo), o ex-governador Renato Casagrande (PSB) e o senador Fabiano Contarato (PT).

Professor Fabian (Psol) terá o nome homologado hoje (31) na convenção da federação Psol-Rede. Já o senador Marcos do Val (Avante) e Maguinha Malta (PL) serão confirmados amanhã (1º) para a disputa. No próximo dia 4 será a vez do deputado estadual Callegari (DC) ter o nome garantido.

Porém, além desses sete nomes, há outros cotados que ainda dependem do aval do partido ou do grupo político que integram.

Um deles é o da ex-senadora Rose de Freitas (MDB). Embora encontre adesão no MDB e em boa parte do grupo de aliados do governador Ricardo Ferraço, sua candidatura corre o risco de não acontecer a depender das negociações envolvendo o governador e o PSD – que quer espaço no Senado.

Como o MDB já tem um cargo majoritário – o do governador –, a vaga de Senado poderá ser usada pelo partido para selar aliança com outra legenda.

Outro que está em compasso de espera é o deputado federal Evair de Melo (Republicanos), que também deseja concorrer à Câmara Alta. Ele argumenta, ter a seu favor, o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A questão envolvendo Evair é a mesma de Rose. O Republicanos também vai usar as vagas de Senado para atrair aliados. Uma das vagas já está separada para Maguinha, mas a outra ainda não tem definição.

A situação mais dramática, porém, é a do deputado estadual Sergio Meneguelli (PSD), que trocou de partido apenas para disputar o Senado e corre o risco de não conseguir.

Meneguelli tem a palavra dos dirigentes da sua legenda, mas a situação do PSD não é das mais confortáveis. O partido pode caminhar sozinho e lançar candidaturas próprias. Mas, se decidir coligar, pode ter que sacrificar a indicação ao Senado.

3. A escolha dos suplentes

Outro posto que é muito visado, embora não alcance tanta visibilidade, é o de suplente de senador. Cada candidato tem dois suplentes, que podem assumir o mandato em caso de licença, afastamento, renúncia, enfim, qualquer situação em que o cargo se encontre vago.

E isso não é raro de acontecer. No Estado, em pelo menos quatro situações os suplentes de senadores assumiram.

A suplente Ana Rita Esgário herdou a cadeira de senadora em 2011 quando o titular, o então senador Renato Casagrande, foi eleito governador.

Depois, em 2017, o empresário Sérgio de Castro assumiu o mandato após o então senador Ricardo Ferraço se licenciar por 120 dias.

E o também empresário Luiz Pastore, que foi suplente da ex-senadora Rose de Freitas, assumiu a cadeira por duas vezes – em 2019 e em 2022 – após a titular pedir licença por motivos de saúde e por questões particulares.

No Estado, Leo Monjardim já definiu seus dois suplentes. Serão a médica oncologista Kítia Perciano e o advogado Vinicius Fregonazzi.

Contarato também bateu o martelo ontem, durante a convenção da federação Brasil da Esperança. A gari e presidente do Sindilimpe, Evani Reis (PT), vai ocupar a 1ª suplência e o presidente do PCdoB capixaba, Neio Pereira, a segunda.

O ex-governador Renato Casagrande (PSB) teve o nome homologado para a disputa ao Senado, mas ainda não definiu quem serão seus suplentes.

“Vou definir até o dia 15, na última hora”, disse Casagrande, no último dia 29, ao repórter do Folha Vitória Enzo Bicalho, durante a convenção do PSDB. A data mencionada remete ao prazo final da definição dos partidos à Justiça Eleitoral.

Fabian deve definir seus suplentes amanhã e os demais ainda não divulgaram quem os acompanhará na chapa.

4. Quais serão os rumos do PSD e do União Progressista?

Como já mencionado acima, o PSD e a federação União Progressista estavam bem encaminhados a fecharem aliança com Pazolini e com Ricardo Ferraço, respectivamente, mas o cenário mudou e o rumo que os dois partidos irá tomar é uma incógnita.

O PSD tem o compromisso de garantir espaço para o deputado estadual Sergio Meneguelli disputar o Senado. E o União Progressista quer indicar a vaga de vice na chapa ao governo.

No caso do PSD, que em abril declarou apoio a Pazolini, a parceria começou a ruir quando o Republicanos fechou aliança com o PL e privilegiou o novo aliado no espaço ao Senado.

O PSD, então, resolveu abrir conversas com outros pré-candidatos ao governo – já se reuniu com o governador Ricardo Ferraço – e cogita até mesmo lançar candidaturas próprias e caminhar sozinho.

O partido adiou sua convenção para o último dia do prazo, para ter tempo para tomar a decisão.

O União Progressista também já tinha declarado apoio a Ricardo (em março) e pleiteava protagonismo e espaço na majoritária – na segunda vaga ao Senado ou de vice na chapa.

Com o tempo, o interesse pelo Senado diminuiu e o foco da federação passou a ser a conquista pela vaga de vice – tendo o PP quatro nomes cotados e o União Brasil, um nome indicado.

A federação não esperava, porém, o levante dos prefeitos Euclério e Enivaldo na defesa do nome de Vidigal para a vice.

A campanha crescente em prol do ex-prefeito da Serra e a ausência de uma definição pública por parte de Ricardo, fizeram com que a federação também abrisse – ou melhor, reabrisse – uma frente de diálogo com o Republicanos.

Nenhuma decisão, até o momento, foi tomada e a federação também adiou sua convenção para o mesmo dia e horário da convenção do MDB, ou seja, ainda que a aliança seja mantida, um não estará no evento do outro.

Embora não tenha, ele mesmo, colocado o nome para o processo eleitoral, o ex-governador Paulo Hartung (PSD) sempre é lembrado como opção nas eleições majoritárias.

Nos últimos dias, após as movimentações do PSD, seu nome entrou novamente no radar como uma aposta do partido, numa eventual estratégia de lançar chapa puro-sangue para o governo e o Senado.

“Sobre as definições no Espírito Santo, nós ainda estamos conversando com todos os lados, com possibilidade do Paulo (Hartung) disputar a majoritária, e nós termos chapa pura”, disse o presidente do PSD capixaba, Renzo Vasconcelos, à coluna, no início da semana.

No mercado político, a avaliação é de que, para além do desejo do PSD, são remotas as chances de Hartung disputar qualquer cargo eletivo neste ano.

A citação constante ao nome do ex-governador seria mais para alimentar o jogo político e colocar uma pulga atrás da orelha dos adversários do que de realmente montar uma estratégia para o processo eleitoral.

Porém, na política, nunca é prudente descartar uma possibilidade antes que ela esteja definitivamente fora da mesa. E, enquanto Hartung não disser isso com todas as letras, seu nome continuará sendo uma peça capaz de movimentar o tabuleiro capixaba.

Presidente do PSD capixaba diz que Hartung está disposto a disputar o governo do ES

Fonte: Folha Vitória

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