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Diante de uma banca cheia de frutas, a escolha costuma ser feita pelo preço, pelo sabor ou pela aparência. Mas duas opções comuns podem ganhar espaço no carrinho de quem busca aumentar o consumo de fibras e cuidar do funcionamento do intestino.
Se tivesse de escolher apenas duas frutas, o nutricionista finlandês Mikko Rinta incluiria pera e kiwi na lista de compras. A pera se destaca pelo teor de fibras, enquanto o kiwi vem sendo estudado por seus possíveis efeitos sobre a prisão de ventre e o desconforto abdominal.
POR QUE A PERA ENTRA NO CARRINHO?
A pera apresenta sabor suave, pode ser transportada com facilidade e está entre as frutas que fornecem uma quantidade relevante de fibras por porção.
Uma unidade média, com aproximadamente 178 gramas e consumida com a casca, oferece cerca de 5,5 gramas de fibras. O valor pode se aproximar de 6 gramas dependendo do tamanho e da variedade da fruta.
As fibras participam da formação do bolo fecal e ajudam no funcionamento intestinal. Também retardam o esvaziamento do estômago, o que pode prolongar a sensação de saciedade depois da refeição.
Outro benefício é a contribuição para a microbiota intestinal. Parte das fibras chega ao intestino grosso e serve de alimento para bactérias consideradas benéficas.
Para aproveitar melhor esse nutriente, a recomendação é consumir a pera com a casca. Antes disso, a fruta deve ser higienizada corretamente em água corrente e conforme as orientações sanitárias para alimentos consumidos crus.
PERA TAMBÉM TEM VITAMINAS E MINERAIS
As fibras concentram boa parte da atenção, mas não são os únicos nutrientes presentes. A pera fornece vitamina C, potássio e diferentes compostos antioxidantes.
A quantidade de cada nutriente varia conforme o tipo da fruta, o tamanho, o amadurecimento e a forma de consumo. Por isso, não é correto considerar uma pera isoladamente como suficiente para atender às necessidades diárias do organismo.
A fruta pode entrar no café da manhã, nos lanches ou depois das refeições. Também combina com aveia, iogurte natural e preparações assadas.
O consumo da fruta inteira preserva mais fibras do que o suco coado. Além disso, a mastigação e o maior volume do alimento inteiro costumam proporcionar mais saciedade.
KIWI PODE AJUDAR QUEM SOFRE COM PRISÃO DE VENTRE
O kiwi reúne fibras, água, vitamina C, potássio e outros nutrientes. O possível efeito sobre o intestino, porém, não depende apenas da quantidade de fibras.
A fruta contém actinidina, uma enzima que participa da quebra de proteínas durante a digestão. Sua atuação, combinada à presença de fibras e água, ajuda a explicar o interesse dos pesquisadores pelo kiwi.
Um ensaio clínico internacional avaliou o consumo de dois kiwis verdes por dia entre adultos saudáveis e pessoas com constipação funcional ou síndrome do intestino irritável com predomínio de prisão de ventre.
Entre os participantes com constipação, o consumo foi associado ao aumento clinicamente relevante das evacuações espontâneas completas e à melhora de medidas relacionadas ao conforto gastrointestinal.
Isso não significa que todas as pessoas terão o mesmo resultado nem que o kiwi substitui o tratamento indicado por um profissional de saúde.
FRUTA REDUZ O INCHAÇO ABDOMINAL?
O funcionamento inadequado do intestino pode provocar acúmulo de fezes, gases, sensação de peso e distensão abdominal. Quando o kiwi favorece a regularidade intestinal, parte desse desconforto pode diminuir.
Estudos realizados com pessoas constipadas encontraram melhora no conforto gastrointestinal após o consumo regular da fruta. Alguns trabalhos também observaram redução de sintomas associados à constipação e à síndrome do intestino irritável.
Ainda assim, dizer que o kiwi “elimina o inchaço” seria um exagero. A distensão abdominal pode ter diferentes causas, como:
intolerâncias alimentares;
síndrome do intestino irritável;
consumo elevado de sódio;
doenças gastrointestinais.
O benefício observado nas pesquisas está relacionado principalmente a pessoas com dificuldade para evacuar. Quando o inchaço possui outra origem, acrescentar kiwi à alimentação pode não resolver o problema.
COMER MAIS FIBRAS EXIGE AUMENTAR A ÁGUA
Incluir pera e kiwi na rotina sem manter uma hidratação adequada pode produzir um efeito diferente do esperado. As fibras precisam de água para desempenhar adequadamente seu papel na formação e no deslocamento das fezes.
Quando o consumo aumenta muito rapidamente, algumas pessoas também apresentam gases, cólicas e sensação de estufamento. O ideal é ampliar a quantidade gradualmente e observar a resposta do organismo.
Uma rotina alimentar favorável ao intestino não depende apenas de duas frutas. Ela inclui água, legumes, verduras, feijão, cereais integrais e prática regular de atividade física.
PERA PODE AUMENTAR O INCHAÇO EM ALGUMAS PESSOAS
Apesar de ser rica em fibras, a pera não é bem tolerada por todos. A fruta possui frutose e sorbitol, carboidratos que podem ser fermentados no intestino e provocar gases, cólicas ou distensão em pessoas mais sensíveis.
Esse cuidado é especialmente relevante para quem apresenta síndrome do intestino irritável. Nesse caso, o acompanhamento com nutricionista ou gastroenterologista ajuda a identificar quais alimentos desencadeiam sintomas e quais quantidades são toleradas.
Não é necessário retirar a pera da alimentação sem avaliação. A resposta varia entre as pessoas e pode depender do tamanho da porção consumida.
O kiwi verde, por sua vez, costuma apresentar baixo teor de determinados carboidratos fermentáveis em porções adequadas. Mesmo assim, a tolerância individual deve ser considerada.
QUEM PRECISA TER CUIDADO COM O KIWI?
O kiwi pode causar reações alérgicas. Coceira na boca, inchaço dos lábios, irritação na garganta, manchas na pele e dificuldade para respirar são sinais que exigem atenção.
Pessoas com alergia ao látex ou a determinados alimentos podem apresentar maior possibilidade de reação cruzada, embora isso não aconteça com todos.
Em caso de dificuldade para respirar, inchaço intenso ou outra reação grave, é necessário procurar atendimento de emergência.
Quem possui doença renal ou precisa controlar a ingestão de potássio também deve conversar com o profissional responsável antes de aumentar consideravelmente o consumo da fruta.
QUANTAS PORÇÕES DEVEM SER CONSUMIDAS?
As pesquisas sobre prisão de ventre avaliaram, em geral, o consumo diário de duas unidades de kiwi durante algumas semanas. Essa quantidade foi utilizada em condições controladas e não deve ser entendida como uma prescrição válida para qualquer pessoa.
Também não existe uma quantidade universal de pera ou kiwi que garanta melhora do intestino. A necessidade depende da alimentação completa, da ingestão de líquidos, do estado de saúde e da tolerância individual.
O mais importante é variar. Laranja com bagaço, mamão, ameixa, abacate, frutas vermelhas e outras opções também fornecem fibras e diferentes micronutrientes.
Pera e kiwi podem ocupar um lugar estratégico no carrinho, mas não precisam substituir todas as demais frutas. A diversidade alimentar aumenta a variedade de fibras, vitaminas, minerais e compostos antioxidantes disponíveis ao organismo.
Fonte: Folha Vitória