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Tosse insistente, garganta irritada e dificuldade para eliminar o catarro costumam levar muita gente até uma receita conhecida há gerações. Feito com uma planta comum em quintais brasileiros, o xarope de guaco voltou a despertar interesse durante o período de maior circulação de gripes e resfriados.
Embora seja vendido como medicamento fitoterápico e também preparado em casa, o produto não deve ser tratado como uma mistura inofensiva. O guaco possui substâncias ativas, pode interagir com medicamentos e não é indicado para todas as pessoas.
Xarope de guaco serve para quê?
O guaco é o nome popular dado a espécies como a Mikania glomerata e a Mikania laevigata. A planta está presente em materiais oficiais do Ministério da Saúde e em formulações reconhecidas pela Farmacopeia Brasileira.
Sua utilização tradicional está relacionada principalmente ao alívio de sintomas respiratórios. O xarope apresenta ação expectorante e pode ajudar a deixar as secreções menos espessas, facilitando a eliminação do catarro.
O produto também é associado a uma ação broncodilatadora, que contribui para o relaxamento da musculatura das vias respiratórias. Isso não significa, porém, que possa substituir medicamentos prescritos para asma, bronquite ou outras doenças pulmonares.
O xarope de guaco costuma ser empregado como auxiliar em situações como:
dificuldade para eliminar secreções.
A presença de febre alta, falta de ar, chiado intenso, dor no peito, tosse com sangue ou sintomas persistentes exige avaliação médica. Nesses casos, recorrer apenas ao xarope pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado.
Como tomar o xarope de guaco com segurança?
Não existe uma dose única que sirva para todos os xaropes de guaco. Os produtos encontrados nas farmácias apresentam diferentes concentrações, extratos e composições. Alguns ainda combinam o guaco com mel, própolis ou outras plantas.
Por esse motivo, a quantidade indicada deve ser conferida na bula e na embalagem do medicamento. A orientação de um médico ou farmacêutico é especialmente importante quando o produto será usado por crianças, idosos ou pessoas que já tomam outros remédios.
Antes do uso, normalmente é necessário agitar o frasco, pois parte dos componentes pode se acumular no fundo. Também não se deve aumentar a dose na tentativa de acelerar o alívio da tosse.
O fato de ser fitoterápico não torna o xarope livre de riscos. Plantas medicinais possuem princípios ativos capazes de produzir efeitos no organismo, provocar reações adversas e interferir na ação de outros medicamentos.
Receita de xarope de guaco caseiro
O xarope preparado em casa não possui a mesma padronização dos medicamentos industrializados. A quantidade de substâncias presentes nas folhas pode variar conforme a espécie, o cultivo, a conservação e o modo de preparo.
Para quem recebeu orientação profissional e deseja preparar a versão tradicional, a CATI apresenta uma receita simples com folhas, água e açúcar.
Ingredientes
2 colheres de sopa de folhas frescas de guaco picadas, equivalentes a aproximadamente oito folhas grandes;
2 xícaras de café de açúcar cristal ou mascavo.
Modo de preparo
Lave cuidadosamente as folhas de guaco em água corrente.
Pique as folhas já higienizadas.
Coloque a água em uma panela e espere levantar fervura.
Acrescente as folhas picadas e deixe ferver por três minutos.
Desligue o fogo e coe a mistura.
Volte o líquido coado para uma panela limpa.
Adicione o açúcar e leve ao fogo baixo.
Mexa até que o açúcar esteja completamente dissolvido.
Espere esfriar antes de transferir para um recipiente limpo e bem fechado.
A receita também apresenta uma versão com mel, utilizando a mesma proporção entre o chá preparado e o mel. Entretanto, mel não deve ser oferecido a crianças menores de 1 ano, devido ao risco de botulismo infantil.
Preparações caseiras não devem receber automaticamente o mesmo prazo de validade dos xaropes industrializados. Sem controle de temperatura, higiene e estabilidade, existe risco de contaminação. Mudanças de cheiro, cor, textura ou presença de bolor indicam que a mistura deve ser descartada.
Xarope caseiro não é igual ao vendido na farmácia
O medicamento industrializado passa por processos de controle que determinam a concentração do extrato, a estabilidade e o prazo de validade. A versão doméstica não permite saber exatamente quanto dos componentes ativos foi extraído das folhas.
Outro cuidado está na identificação da planta. Usar uma espécie errada ou uma folha contaminada por agrotóxicos, fungos e outras substâncias pode causar problemas. O guaco destinado ao preparo deve ter origem conhecida e identificação segura.
Também não é recomendável acrescentar várias plantas à mesma receita sem orientação. A combinação de guaco, própolis, gengibre, hortelã e outros ingredientes pode aumentar o risco de alergias e interações.
Quem não deve tomar xarope de guaco?
As contraindicações podem variar conforme a fórmula e a concentração do produto. A bula deve sempre ser consultada antes do primeiro uso.
Em geral, o xarope de guaco requer atenção especial nos seguintes casos:
gestantes e mulheres que amamentam;
crianças pequenas, principalmente menores de 2 anos;
pessoas com doenças no fígado;
pacientes que utilizam medicamentos anticoagulantes;
pessoas com alergia ao guaco ou a outro ingrediente da fórmula;
pacientes com diabetes, quando o produto contém açúcar ou mel.
O guaco possui compostos relacionados à cumarina e pode interferir na coagulação do sangue. Por isso, seu uso junto a anticoagulantes precisa ser avaliado por um profissional de saúde.
Diabéticos também devem verificar atentamente a composição. Grande parte dos xaropes tradicionais contém uma quantidade elevada de açúcar, utilizada para dar consistência e conservar a preparação.
Guaco pode causar efeitos colaterais?
O consumo acima da quantidade recomendada ou por períodos prolongados pode provocar reações indesejadas. Entre os efeitos relatados estão náusea, vômito, diarreia e desconforto gastrointestinal.
Sinais de alergia, como inchaço, coceira, piora da tosse ou dificuldade para respirar, exigem interrupção imediata do uso e atendimento médico.
O xarope também não deve ser usado para esconder uma tosse que continua por vários dias. A tosse é um sintoma que pode ter diferentes causas, incluindo alergias, infecções, refluxo, asma e problemas pulmonares.
Mesmo sendo uma preparação tradicional, o xarope de guaco funciona como auxiliar para aliviar sintomas. Ele não combate sozinho a causa de uma infecção, não substitui antibióticos quando estes são indicados e não deve ocupar o lugar de medicamentos prescritos para doenças respiratórias.
Fonte: Folha Vitória