Lito Sousa foi diagnosticado recentemente com câncer de próstata. Imagem: Reprodução/Instagram/@lito
Enquanto trata um câncer de próstata recém-diagnosticado, o influenciador e especialista em aviação Lito Sousa também enfrenta outro desafio de saúde. Internado desde o último dia 20, ele apresentou um quadro de inflamação no sistema nervoso central após relatar dormência no braço esquerdo e perda dos movimentos finos cerca de 20 dias antes da hospitalização.
Segundo o boletim médico, Lito já iniciou o tratamento indicado e apresenta melhora dos sintomas neurológicos. No entanto, ele permanece internado para que a equipe médica identifique a causa da inflamação, que pode estar relacionada a infecções, doenças autoimunes ou, em situações mais raras, ao próprio câncer.
O que é a inflamação no sistema nervoso central
De acordo com o neurologista e professor do Unesc, Fábio Fieni, a inflamação no sistema nervoso central, conhecida como neuroinflamação, ocorre quando o sistema imunológico é ativado dentro do cérebro ou da medula espinhal em resposta a alguma agressão.
Ela pode atingir diferentes estruturas. Quando afeta as meninges, chamamos de meningite; quando compromete o tecido cerebral, encefalite; e, quando envolve cérebro e medula espinhal simultaneamente, encefalomielite.
Fábio Fieni, neurologista e professor do Unesc
O especialista destaca que as causas mais frequentes são infecções provocadas por vírus, bactérias, fungos e parasitas. No entanto, também existem causas não infecciosas, como doenças autoimunes e as chamadas síndromes paraneoplásicas.
“Nesses casos, o organismo produz anticorpos para combater o tumor, mas essas defesas acabam atacando também células do cérebro por semelhança estrutural. O câncer de próstata pode estar relacionado a esse mecanismo, embora essa seja uma causa menos comum do que as infecciosas”, afirma.
Dormência e perda de força são sinais de alerta
Os primeiros sintomas apresentados por Lito, dormência no braço esquerdo e dificuldade para realizar movimentos finos, são considerados sinais importantes de comprometimento neurológico e exigem avaliação médica imediata.
Segundo Fieni, outros sintomas que podem indicar um processo inflamatório no sistema nervoso central incluem:
febre associada à dor de cabeça intensa;
confusão mental ou alteração do nível de consciência;
convulsões;
dificuldade para caminhar, manter o equilíbrio ou a coordenação.
“A combinação desses sinais, principalmente quando surge de forma rápida, sugere um processo inflamatório ativo e exige investigação urgente”, alerta.
Diagnóstico depende de diversos exames
Para descobrir a origem da inflamação, os médicos combinam avaliação clínica com exames de imagem e laboratoriais.
Os primeiros exames costumam ser a ressonância magnética ou a tomografia do crânio. Em muitos casos, também é necessária a punção lombar para analisar o líquido cefalorraquidiano, permitindo identificar agentes infecciosos ou sinais de doenças autoimunes por meio de culturas, testes moleculares e sorológicos.
Dependendo da suspeita clínica, exames de sangue específicos e até biópsias podem ser necessários para definir o diagnóstico.
Tratamento muda conforme a causa
O neurologista explica que não existe um tratamento único para esse tipo de inflamação. A conduta depende diretamente da causa identificada.
Infecções bacterianas são tratadas com antibióticos específicos; infecções virais podem exigir antivirais; já doenças autoimunes e síndromes paraneoplásicas costumam ser tratadas com corticoides em altas doses, imunoglobulina e outras terapias imunossupressoras, além do tratamento do tumor quando ele está presente.
“O início rápido do tratamento é fundamental. Quanto maior a demora, maior o risco de sequelas neurológicas permanentes e pior o prognóstico”, ressalta.
Segundo Fieni, as chances de recuperação variam conforme a causa da inflamação, a gravidade do quadro e, principalmente, a rapidez com que o diagnóstico é feito e o tratamento é iniciado. Muitos pacientes conseguem recuperação completa, mas alguns podem permanecer com alterações cognitivas, dificuldades motoras, problemas de memória ou crises convulsivas.
Fonte: Folha Vitória