Os principais tumores que podem surgir na glândula adrenal são:
O câncer raro na glândula adrenal, doença que causou a morte da estudante Manoela Vilela Ferreira de Lima, de 19 anos, chamou a atenção para um tipo de tumor que pode permanecer silencioso por meses e, em alguns casos, só ser descoberto em estágio avançado. Segundo especialistas, os sintomas costumam ser inespecíficos, o que pode dificultar o diagnóstico precoce.
Manoela morreu no último dia 19 de julho, após enfrentar um câncer na glândula adrenal esquerda, descoberto no fim de 2025. A jovem era estagiária do Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCE-ES) e sonhava em cursar Direito.
A mãe dela, Paula Cássia Bezerra Ferreira, contou ao Folha Vitória que decidiu compartilhar a história para alertar outras famílias sobre a importância de investigar sintomas persistentes.
Segundo a oncologista clínica Juliana Alvarenga, a neoplasia na adrenal esquerda é o crescimento anormal de células na glândula adrenal, também chamada de suprarrenal, localizada acima do rim. Esse crescimento pode dar origem a tumores benignos ou malignos.
A médica explica que a glândula adrenal produz hormônios essenciais para o funcionamento do organismo. Por isso, alguns tumores provocam alterações hormonais importantes, enquanto outros podem evoluir sem causar sintomas perceptíveis nas fases iniciais.
Tipo de câncer é considerado raro
O câncer adrenal é considerado raro, com incidência estimada em cerca de um caso por milhão de habitantes ao ano. De acordo com dados exploratórios do Instituto Nacional de Câncer (Inca), ele pode ser mais frequente em mulheres e em crianças de até quatro anos.
Adenoma adrenal: tumor benigno e o mais comum, geralmente descoberto por acaso em exames de imagem;
Feocromocitoma: produz adrenalina e noradrenalina, podendo causar hipertensão e outros sintomas cardiovasculares;
Carcinoma adrenocortical: câncer raro, porém agressivo, que pode produzir hormônios em excesso;
Metástases: tumores originados em outros órgãos, como pulmão, mama, rim e melanoma, também podem atingir a adrenal.
Segundo Juliana Alvarenga, principalmente nos casos de carcinoma adrenocortical, o diagnóstico muitas vezes ocorre apenas quando a doença já está avançada.
“Como os sintomas podem ser inespecíficos ou até inexistentes nas fases iniciais, alguns pacientes acabam recebendo o diagnóstico quando o tumor já cresceu ou quando houve disseminação para outros órgãos. Quando há produção excessiva de hormônios, os sinais podem ajudar a antecipar a investigação”, explica a oncologista.
Entre os principais sinais de alerta estão hipertensão de difícil controle, crises de palpitação acompanhadas de suor intenso e dor de cabeça, ganho de peso associado à fraqueza muscular, queda de potássio sem explicação, dor abdominal ou nas costas e alterações hormonais.
Sintomas persistentes não devem ser ignorados
A especialista orienta que sintomas persistentes não devem ser ignorados.
“Quando os sintomas continuam, pioram ou não respondem ao tratamento inicial, é fundamental retornar ao médico, relatar essa evolução e, se necessário, buscar uma segunda avaliação especializada.”
No caso de Manoela, os primeiros sintomas surgiram em novembro de 2025. Inicialmente, a família recebeu a informação de que as alterações poderiam estar relacionadas ao estresse do vestibular. O diagnóstico do tumor veio em dezembro. Em fevereiro deste ano, durante uma cirurgia, os médicos constataram que o câncer já havia se espalhado para o fígado.
Ao relembrar a trajetória da filha, Paula Cássia faz um alerta para que outras famílias insistam na investigação quando perceberem que algo não está bem.
“A mensagem que eu deixo para as mães é que a gente nunca pode, no primeiro momento, aceitar um laudo ou o que o médico disser. Eu acho que a gente tem que investigar até o final”, aconselha a mãe.
Fonte: Folha Vitória