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Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) mostram que, até a semana epidemiológica 24, encerrada em 20 de junho, três em cada quatro casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza no Espírito Santo ocorreram em pessoas que não haviam recebido a vacina.
Os idosos que ainda não se vacinaram contra a gripe continuam sendo o grupo mais afetado pelas formas graves da doença. Segundo o levantamento do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), o Estado registrou 168 casos de SRAG provocados pelo vírus influenza neste período. Destes, 127 ocorreram em pessoas não vacinadas, sendo 59 em idosos com 60 anos ou mais.
O cenário também se reflete nos óbitos. Dos 21 registrados até o momento em decorrência da forma grave da gripe, 14 foram de idosos que não estavam imunizados.
De acordo com a referência técnica do Programa Estadual de Imunizações da Sesa, Danielle Grillo, muitas pessoas ainda subestimam os riscos da influenza, principalmente na população idosa.
A vacina contra a influenza é a principal medida para evitar que a gripe evolua para uma internação ou um óbito. A gripe não é um simples resfriado. Em pessoas com 60 anos ou mais, ela pode provocar pneumonia, agravar doenças crônicas e levar à hospitalização.
Danielle Grillo, referência técnica do Programa Estadual de Imunizações da Sesa
Cobertura vacinal está abaixo da meta
Apesar de os idosos fazerem parte do público prioritário da campanha, a cobertura vacinal ainda está distante do objetivo estabelecido pelo Ministério da Saúde.
Até a última quinta-feira (25), apenas 45,13% dos idosos haviam recebido a vacina contra a gripe no Espírito Santo. A meta é alcançar 90% desse público. No ano passado, o Estado também não atingiu esse índice: a cobertura ficou em 56,45%.
A especialista lembra que a vacina é atualizada todos os anos para acompanhar as cepas do vírus que estão em circulação e reforça que a imunização continua sendo recomendada mesmo durante o período de maior circulação da doença.
“A vacina nem sempre impede totalmente a infecção, mas reduz significativamente o risco de desenvolver formas graves, precisar de internação ou morrer. A proteção começa cerca de duas semanas após a aplicação da dose. Quanto antes a pessoa se vacinar, melhor”, explica Danielle Grillo.
Crianças pequenas também preocupam
Além dos idosos, as crianças menores de 6 anos também aparecem entre os grupos mais vulneráveis às complicações causadas pela influenza.
Entre os 127 casos graves registrados em pessoas não vacinadas, 41 ocorreram em crianças de 6 meses a menores de 6 anos. Embora não haja mortes confirmadas nessa faixa etária até o momento, a baixa cobertura vacinal preocupa a Secretaria da Saúde.
Atualmente, apenas 46,02% das crianças desse grupo receberam a vacina contra a gripe no Estado. Em 2025, a cobertura também ficou abaixo da meta, alcançando 74,35%, quando o objetivo era vacinar 90% do público.
Segundo Danielle Grillo, a vacinação infantil também ajuda a proteger os idosos, já que muitas infecções ocorrem no ambiente familiar.
“Muitos idosos acabam contraindo gripe por contato com netos, filhos ou cuidadores. Quando essas pessoas também estão vacinadas, há menor circulação do vírus e uma proteção indireta para quem tem maior risco de desenvolver complicações.”
A vacina contra a gripe está disponível em mais de 700 salas de vacinação distribuídas pelo Espírito Santo e pode ser aplicada em toda a população a partir dos seis meses de idade, enquanto houver doses disponíveis.
Para idosos, gestantes e crianças de 6 meses a menores de 6 anos, a imunização faz parte do calendário de rotina e continua sendo a principal forma de prevenir internações, complicações e mortes provocadas pela influenza.
Fonte: Folha Vitória