(Foto: Rodrigo BUENDIA / AFP)
A vermelhidão no rosto do goleiro da Seleção Brasileira, Alisson Becker, voltou a chamar a atenção durante a Copa do Mundo de 2026. O aspecto avermelhado da pele, frequentemente percebido pelos torcedores, está relacionado à rosácea, uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente a região central do rosto.
A rosácea costuma provocar vermelhidão persistente nas bochechas, nariz, testa e queixo. Além disso, pode causar sensação de calor, ardência, aumento da sensibilidade da pele, vasos sanguíneos aparentes e até pequenas lesões que lembram acne.
Segundo a dermatologista Priscila Passamani, apesar da semelhança visual, as duas doenças são diferentes.
A acne está relacionada ao excesso de oleosidade e à obstrução dos poros. Já a rosácea é uma doença inflamatória crônica da pele, com mecanismos completamente distintos.
Priscila Passamani, dermatologista
Embora não tenha cura, a rosácea pode ser controlada com tratamento adequado. Entenda!
As causas da doença ainda não são totalmente conhecidas. No entanto, alguns fatores já são reconhecidos como desencadeadores ou agravantes das crises.
exposição excessiva ao sol;
mudanças bruscas de temperatura;
consumo de bebidas alcoólicas, especialmente vinho;
alimentação rica em gordura, açúcar e alimentos fermentados;
Segundo a especialista, esses fatores favorecem a dilatação dos vasos sanguíneos do rosto, aumentando o fluxo de sangue na região e provocando a vermelhidão característica da doença.
A rosácea vai além da vermelhidão
Embora muitas pessoas associem a rosácea apenas ao rosto avermelhado, a doença pode provocar outros sintomas e, em casos mais avançados, causar complicações importantes.
Nas formas moderadas, podem surgir pápulas e pústulas, pequenas lesões semelhantes às da acne, mas com origem inflamatória. Já nos casos graves, a doença pode provocar rinofima, condição que provoca aumento progressivo do nariz, deixando-o mais espesso, irregular e com aspecto deformado.
“É uma complicação mais frequente em homens e costuma estar associada à exposição solar intensa e ao consumo excessivo de álcool”, afirma Priscila Passamani.
Outra manifestação possível é a rosácea ocular, que pode causar inflamação nas pálpebras, vermelhidão, ressecamento e sensação constante de areia nos olhos. “Muitas pessoas tratam apenas os sintomas nos olhos e não imaginam que eles podem estar relacionados à rosácea”, alerta a dermatologista.
Como se trata de uma condição crônica, o tratamento não se resume ao uso de medicamentos.
Segundo a especialista, manter uma rotina adequada de cuidados com a pele faz parte do controle da doença. Entre as recomendações estão:
uso de protetor solar todos os dias;
evitar fatores que desencadeiam as crises.
A escolha dos produtos também merece atenção, já que pessoas com rosácea costumam apresentar uma pele mais sensível.
As opções de tratamento também avançaram. “Hoje, além de cremes e géis para controlar a inflamação e a vermelhidão, existem medicamentos por via oral indicados para alguns pacientes”, explica Priscila
Procedimentos como laser vascular e luz intensa pulsada também ajudam a reduzir os vasos aparentes e a vermelhidão persistente. Mais recentemente, aplicações de toxina botulínica em microdoses passaram a ser utilizadas em alguns casos para reduzir a dilatação dos vasos sanguíneos e melhorar sintomas como calor, vermelhidão e inflamação.
Apesar das diferentes alternativas, Priscila ressalta que não existe um tratamento único para todos os pacientes. Identificar os fatores que desencadeiam as crises e adotar hábitos de vida saudáveis são medidas fundamentais para manter a doença sob controle e preservar a qualidade de vida.
A rosácea tem diferentes manifestações e gatilhos. Por isso, o tratamento deve ser individualizado e acompanhado por um dermatologista.
Priscila Passamani, dermatologista
Fonte: Folha Vitória