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O câncer de pele não melanoma é o tipo mais frequente no Brasil, representando cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. O Espírito Santo registrou, em 2023, cerca de 5.410 novos casos, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Segundo a médica Marianne Lobato Baptisti, o envelhecimento da população, atividades profissionais ao ar livre e hábitos inadequados de fotoproteção contribuem para esse cenário.
Os principais tipos de câncer de pele não melanoma são o carcinoma basocelular e o carcinoma epidermoide (ou espinocelular). Eles costumam apresentar crescimento mais lento e, quando diagnosticados precocemente, possuem altas taxas de cura. Já o melanoma é menos frequente, porém mais agressivo, devido ao maior potencial de metástase e mortalidade.
Marianne Lobato Baptisti, médica pós-graduada em dermatologia
Regiões mais afetadas e fatores de risco
As áreas mais acometidas são aquelas que recebem maior exposição solar ao longo da vida. Incluem face, nariz, orelhas, couro cabeludo (principalmente em pessoas calvas), pescoço, colo, antebraços e dorso das mãos.
No melanoma, além das áreas fotoexpostas, as lesões podem surgir em qualquer região do corpo, na pele ou mucosas, inclusive em áreas pouco expostas ao sol.
Além da radiação UV, outros fatores aumentam o risco de desenvolver a doença. Entre eles estão pele clara, olhos claros, histórico pessoal ou familiar de câncer de pele e presença de múltiplas pintas.
A imunossupressão (transplantados, uso de imunossupressores), exposição a câmaras de bronzeamento artificial, idade avançada e algumas doenças genéticas associadas à sensibilidade solar também elevam as chances.
Existem sinais específicos que podem indicar um câncer de pele não melanoma e merecem atenção. As principais características incluem:
Feridas que não cicatrizam após quatro semanas;
Lesões que sangram facilmente;
Nódulos ou caroços de crescimento progressivo;
Áreas avermelhadas, ásperas ou descamativas;
Feridas que parecem melhorar e depois voltam a aparecer.
A regra do ABCDE é uma ferramenta simples e útil para identificar lesões suspeitas, principalmente de melanoma. A técnica avalia cinco critérios específicos nas pintas e manchas.
AAssimetriaUma metade da lesão é diferente da outraBBordasBordas irregulares, mal definidas ou recortadasCCorPresença de múltiplas cores ou tonalidades diferentesDDiâmetroGeralmente maior que 6 mmEEvoluçãoQualquer mudança recente na lesão
Entre os critérios, a evolução costuma ser considerada um dos sinais mais importantes. A maioria das pintas benignas apresenta simetria, bordas regulares, coloração homogênea e permanece estável ao longo do tempo.
“A regra prática é: qualquer alteração persistente ou progressiva deve ser avaliada por um dermatologista”, orienta a especialista.
As principais medidas preventivas incluem uso diário de protetor solar de amplo espectro (FPS 30 ou superior) e reaplicação a cada duas horas durante exposição solar. Também são recomendados chapéus, bonés, óculos escuros e roupas com proteção UV.
É importante buscar locais sombreados, evitar exposição solar entre 10h e 16h e não utilizar câmaras de bronzeamento artificial. O autoexame periódico da pele e consultas regulares ao dermatologista completam as medidas.
Uma dica prática que a dermatologista dá aos pacientes é acompanhar o Índice Ultravioleta (IUV) nos aplicativos de previsão do tempo do celular. Muitos aplicativos informam o valor do índice em cada horário e orientam sobre as medidas de proteção recomendadas.
Com essas informações, é possível programar atividades ao ar livre para horários em que a radiação ultravioleta esteja mais baixa. A prevenção do câncer de pele deve ser encarada como um hábito diário
Marianne Lobato Baptisti, médica pós-graduada em dermatologia
Fonte: Folha Vitória