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Economia

Carteiras de investimentos: o papel do Asset Allocation

No universo dos investimentos, grande parte da atenção costuma se concentrar na escolha de ativos específicos


Foto: Magnific

*Artigo escrito por Erika Carvalho Almeida,Private Banker na Apex Partners e Membrodo Comitê Qualificado de Conteúdo de Economia e Finanças do Ibef-ES.

No universo dos investimentos, grande parte da atenção costuma se concentrar na escolha de ativos específicos, como a ação que mais subiu no ano ou o fundo que apresentou melhor desempenho recente. No entanto, a literatura financeira mostra que o principal fator de produtividade de uma carteira está na alocação estratégica entre classes de ativos, conhecida como asset allocation.

Esse conceito foi formalizado por Harry Markowitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia e autor do clássico artigo Portfolio Selection (1952). Markowitz demonstrou que os ativos devem ser analisados como parte de um portfólio, e não de forma isolada.

A combinação adequada de investimentos permite maximizar o retorno esperado para um determinado nível de risco, conceito que deu origem à chamada fronteira eficiente. Essa visão foi reforçada por um estudo amplamente citado conduzido por Brinson, Randolph Hood e Beebower, que mostrou que a política de alocação de ativos explica a maior parte da variação de retorno de uma carteira ao longo do tempo, muito mais do que a escolha individual de ativos.

Grande parte dos exemplos utilizados nesses estudos vem do mercado dos Estados Unidos, que possui séries históricas longas e consistentes. Ao observar os dados das últimas décadas, a renda variável representada pelo índice S&P 500 apresentou retornos médios próximos de 10% ao ano no longo prazo, enquanto títulos públicos americanos entregaram retornos próximos de 4% a 5% ao ano.

A partir desses números, é possível ilustrar o impacto da alocação. Imagine dois investidores que aplicam US$10 mil por 20 anos. O primeiro mantém uma carteira equilibrada, com 60% em ações do S&P 500 e 40% em títulos públicos, obtendo um retorno médio aproximado de 8% ao ano.

Ao final do período, o patrimônio alcançaria cerca de US$46 mil. Já um investidor com carteira menos eficiente, com retorno médio de 5% ao ano, chegaria a aproximadamente US$26 mil. A diferença de mais de US$20 mil não surge da escolha de um ativo específico, mas da estrutura da alocação.

Outro exemplo aparece quando se observa a diversificação internacional. Uma carteira concentrada apenas em ativos domésticos tende a depender de um único ciclo econômico. Ao incluir cerca de 30% de ativos globais, o investidor passa a acessar diferentes fontes de crescimento e reduzir correlações dentro do portfólio.

Estudos mostram que essa diversificação pode elevar o retorno médio anual em cerca de um ponto percentual em determinados períodos. Pode parecer pouco, mas o efeito composto é significativo: um investimento de US$10 mil por 25 anos a 6% ao ano se transforma em cerca de US$43 mil; a 7% ao ano, chega a aproximadamente US$54 mil.

Esse ganho adicional reflete exatamente o que defendia John Bogle, fundador da Vanguard: no longo prazo, o sucesso do investidor depende muito mais da disciplina na construção e manutenção da carteira do que da tentativa de prever movimentos de curto prazo do mercado.

Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.

Folha Vitoria

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