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Uma entrevista recente da influenciadora e educadora física Carol Borba, ao videocast “PodShape” tem chamado a atenção da internet. Isso porque ela afirmou que oferece os suplementos whey protein e creatina à sua filha de três anos.
“A mamadeira da minha filha antes de dormir é leite com whey“, afirmou durante a entrevista. “A internet cai matando em cima de mim. Eu dou whey e dou creatina para ela; já pesquisei e já me falaram…”, complementou.
Essa fala levantou a dúvida: crianças podem consumir estes produtos? Segundo especialistas ouvidas pelo Folha Vitória, a suplementação em crianças não deve ser rotina e só é indicada em situações específicas, após avaliação profissional.
O que são e para que servem os suplementos?
O whey protein é um suplemento, geralmente derivado da proteína do leite, que auxilia na ingestão proteica. O produto é muito comum entre pessoas que praticam atividades físicas, principalmente por auxiliar no ganho de massa muscular.
Já a creatina é um composto formado pelos aminoácidos glicina, metionina e arginina. É naturalmente formado pelo nosso corpo, mas também pode ser consumido durante a ingestão de alimentos como peixes e carnes e por meio do suplemento.
A creatina é associada à melhora da força e ao tônus muscular, já que é fonte de produção de energia para as células.
Crianças podem consumir whey e creatina?
Apesar de serem aliados para muitas pessoas, é preciso ter cuidado, especialmente quando estamos falando de crianças. Segundo Bruna Rabello, nutricionista clínica do Hospital Vitória Apart, a alimentação saudável é sempre a prioridade.
Em crianças, a prioridade é alimentação equilibrada, como cereais, frutas, verduras, legumes, proteínas animais e vegetais. Suplementos só entram quando há indicação clínica bem definida e com acompanhamento profissional muito bem monitorado.
Bruna Rabello, nutricionista clínica do Hospital Vitória Apart
Sobre a creatina, a pediatra Patrícia Saraiva acrescenta que o cuidado deve ser ainda maior. “O whey pode até ser indicado em alguns casos específicos, mas a creatina não é recomendada antes dos 18 anos”, explica a pediatra do Vitória Apart.
Quando a suplementação pode ser indicada?
De acordo com Patrícia, os casos em que o whey pode ser indicado são:
Doenças crônicas específicas;
Seletividade alimentar severa;
Baixa ingestão de proteína.
“Mesmo nesses casos, deve ser sempre sob prescrição do pediatra e acompanhamento nutricional”, acrescenta.
Outros suplementos, também com acompanhamento, podem ajudar em casos como deficiências comprovadas de ferro, vitamina D ou B12, prematuridade ou baixo peso ao nascer.
Quais os riscos do uso inadequado?
Bruna Rabello aponta que o uso indiscriminado pode trazer mais riscos do que benefícios, tanto para crianças quanto para adultos. “Os principais perigos incluem excesso de nutrientes, sobrecarregando rins e fígado, e desequilíbrio alimentar quando suplementos substituem refeições.”
Há também, segundo ela, o risco de interferência no crescimento e desenvolvimento, toxicidade por vitaminas em altas doses, contaminação ou uso de produtos inadequados para a faixa etária, além do uso desnecessário sem benefício real.
“O whey é inclusive considerado ultraprocessado. Não é necessário para o crescimento de uma criança saudável”, complementa Patrícia Saraiva.
Como melhorar a alimentação das crianças?
Para quem deseja melhorar a alimentação das crianças, algumas estratégias podem ajudar sem a necessidade de recorrer à suplementação. Bruna Saraiva recomenda recomenda constância e exemplo dos pais.
Outras dicas incluem criar rotina de horários, pois refeições organizadas reduzem beliscos e melhoram aceitação, e deixar a criança ajudar a escolher ou preparar os alimentos, o que aumenta o interesse por opções mais saudáveis.
Não é sobre obrigar, mas criar um ambiente saudável onde a criança aprenda, aos poucos, a comer melhor
Bruna Rabello, nutricionista clínica do hospital Vitória Apart
Fonte: Folha Vitória