O FIP Funses 1, fundo de venture capital do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses), já avaliou 5.070 empresas desde sua constituição, em maio de 2022. Desse total, apenas 48 receberam aportes efetivos, uma conversão de menos de 1% do topo do funil.
O processo de seleção é estruturado em etapas progressivas. Na fase de mapeamento, 68,5% das empresas avançam para análise. Na etapa de lead, a taxa de aprovação cai para 32,6%. Quando o fundo demonstra interesse pelo investimento, passa para a etapa de negociação, onde 87,5% concluem o processo. O resultado final é um portfólio de 48 empresas aprovadas e investidas sobre um universo inicial de mais de cinco mil candidatas.
Apesar de o fundo exigir sede no Espírito Santo para realizar aportes, o funil de prospecção é nacional. São Paulo lidera o volume de empresas avaliadas, com 2.003, quase 40% do total. O Espírito Santo aparece em segundo lugar, com 591 empresas, seguido por Santa Catarina (530), Paraná (384), Rio de Janeiro (336) e Minas Gerais (319).
No entanto, mesmo com a forte presença de São Paulo no funil, dentre as 48 investidas, a região metropolitana de Vitória concentra a maior parte dos aportes.
Fintechs (startups de finanças e crédito) e healthtechs (saúde) dominam as candidaturas. As primeiras representam 15% do total de empresas avaliadas pelo fundo; as segundas, 10%. Juntas, respondem por um quarto de todas as startups analisadas.
No portfólio efetivamente investido, fintechs e healthtechs também lideram, com cinco empresas cada. Na sequência aparecem hrtechs, de recursos humanos (4), seguidas por Big Data, outros e retailtechs (varejo), com três empresas cada. Setores como inteligência artificial, alimentação, serviços jurídicos, gestão e marketing têm duas empresas cada no portfólio.
Metas e distância a percorrer
O fundo de investimento em startups tem horizonte de dez anos e ainda está na fase de investimentos, sem desinvestimentos realizados até o momento. O capital comprometido é de R$ 250 milhões, dos quais R$ 115,6 milhões já foram integralizados e R$ 84,2 milhões efetivamente alocados nas empresas. Outros R$ 8,9 milhões estão comprometidos a investir em operações já aprovadas.
Em número de empresas, as metas originais preveem até 50 acelerações com investimento e até 30 aportes diretos. O realizado até março de 2026 é de 36 e 12, respectivamente, o que representa 72% e 40% das projeções. O fundo, portanto, está mais adiantado na frente de aceleração do que na de investimento direto, modalidade que demanda empresas em estágio mais avançado de maturidade e tickets maiores.
Folha Vitoria