Cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale. Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal e Câmera de videomonitoramento
O cabo da Polícia Militar,Luiz Gustavo Xavier do Vale, que matou a tirosFrancisca Chaguiana Dias VianaeDaniele Toneto Rocha, após uma confusão no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, vai ficar preso no quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória, após prestar depoimento na Corregedoria.
O comandante-geral da PM, coronel Ríodo Rubim, informou que o cabo e os outros policiais envolvidos na ocorrência foram ouvidos.
Rubim disse que o caso será apurado pela própria PM, uma vez que o cabo estava de serviço no momento em que matou as mulheres. Luiz Gustavo é policial desde 2008 e está lotado na guarda da 1ª Companhia do 7º Batalhão, em Itacibá, Cariacica.
“Ele estava fardado e de serviço, embora a versão que será apurada de que ele teria chamado policiais para auxiliar em uma ocorrência envolvendo a sua família, tudo isso virá à tona no inquérito policial militar que será feito paralelamente, o flagrante será enviado à Justiça nas próximas 24 horas”, disse.
Além das mortes de Francisca e Daniele, Luiz Gustavo também estava envolvido namorte de uma mulher trans conhecida como Lara Croft, 34 anos, no bairro Alto Lage, também em Cariacica, em julho daquele ano.
Na ocasião, ele estava acompanhado de outro policial. De acordo com o coronel Rubim, pelo que consta nos autos da PM, a mulher trans que morreu teria avançado contra os policiais com uma lâmina.
O comandante explicou que o policial atualmente responde por este caso, uma vez que uma denúncia foi encaminhada pela Justiça, que aceitou o pedido de investigação da conduta do cabo.
Por conta do entendimento da Justiça, a corporação afastou o cabo de atividades de rua e ele estava, atualmente, em atividades de ocorrência do dia a dia e em atividades internas, de guarda de quartel.
Por estar em atividades internas no quartel, o policial não tinha autorização para abandonar seu posto.
Possível abandono de posto
A corporação agora apura se ele teria recebido qualquer tipo de autorização de um superior para ir até o local da ocorrência.
“A partir do momento que ele abandona o posto, a situação se agrava. Abandono de posto já é um crime por si só. Aí vêm as circunstâncias, se ele recebeu autorização de um superior para se deslocar até lá. Ele não pegou a viatura, ele pediu o apoio de uma viatura para ir até lá e possivelmente os colegas foram dar esse apoio, sem saber que fosse ter o desfecho infeliz”, relatou.
Histórico de violência, diz vizinha de vítimas
Segundo uma vizinha das vítimas, que não quis se identificar, o policial já tinha histórico de violência e descontrole em discussões banais.
Uma das vítimas teria dito já ter presenciado o cabo apontar a arma para pessoas que participavam de uma festa de fim de ano.
“Ele, para sair atirando em todo mundo, pouco custa. Essa menina que ele matou hoje, eu vi ela comentando com uma pessoa um dia que no final do ano ele botou a arma na cara de todo mundo no quintal. O lugar dele não é fora da prisão, ele é um cara perigoso”, relatou.
*Com informações da repórter Luciana Leicht, da TV Vitória/Record
Fonte: Folha Vitória