O Grupo Lamoia, dono de marcas como Paletitas, Luigi e Natuzon, com fábricas em Piúma e na Itália, decidiu avançar em uma estratégia clara de diversificação e verticalização. O grupo comprou uma fazenda de 144 hectares em Anchieta, no Sul do Estado, com foco no cultivo de açaí. Ao mesmo tempo, o avanço no campo acompanha a expansão industrial e internacional. Um novo projeto nos Estados Unidos, em análise em estados como Oklahoma e Texas, indica o próximo salto.
A exportação já é realidade para o grupo, com embarques regulares de açaí para o Havaí. É apenas o primeiro passo, já que o mercado dos EUA, um dos maiores do mundo, apresenta potencial e recebe muito bem o produto brasileiro. Do mesmo modo, a fábrica de Piúma será ampliada, com aumento de capacidade de produção já a partir deste ano. Tanto para sorvetes como para o açaí. A expansão deve estar completa até 2029. Paralelamente, a operação na Itália atende mercados europeu e asiático.
No movimento de expansão do açaí no Brasil, o grupo Lamoia quer tracionar ainda mais a nova marca Natuca. Em apenas dois meses, inaugurou seis unidades da loja entre Espírito Santo e Minas Gerais. A meta é chegar a 30 açaiterias até o fim do ano. Ou seja, a estratégia não é isolada: ela conecta produção, indústria e ponto de venda.
Ao produzir parte do próprio insumo, o açaí, o Grupo Lamoia reduz dependência de fornecedores, ganha previsibilidade de custos e melhora margens. Ao mesmo tempo, cria uma base para expansão sustentável, especialmente em um mercado sujeito à sazonalidade. A técnica de fertirrigação, adotada na nova fazenda, permite produtividade ao longo do ano, inclusive na entressafra. Ou seja, segue a lógica de eficiência operacional.
“Fizemos esse investimento porque acreditamos no potencial da cultura do açaí. Além de nos abastecer com uma parte do insumo que precisamos, nosso propósito é estimular produtores capixabas a aderirem à cultura”, explicou o presidente do grupo, Wanderson Lamoia.
Por outro lado, o movimento também revela um olhar estratégico para o desenvolvimento regional. A ideia de transformar a propriedade em uma fazenda modelo, com transferência de tecnologia para produtores capixabas, aponta para uma cadeia produtiva mais estruturada. O grupo pretende estimular o cultivo local de açaí e, posteriormente, comprar a produção, criando um ciclo de crescimento compartilhado. Nesse sentido, o investimento deixa de ser apenas empresarial e passa a ser um vetor de desenvolvimento econômico.
Folha Vitoria