O acidente vascular cerebral (AVC) é a principal causa de morte no Brasil, com 11 óbitos a cada hora. A estimativa é que 1 a cada 4 adultos será acometida ao longo da vida.
Porém, os pacientes brasileiros enfrentam uma via crucis no tratamento – apenas um terço tem acesso a alguma forma de reabilitação. Mesmo em países com sistemas de saúde mais desenvolvidos, a cobertura não ultrapassa 60% dos pacientes.
Faltam profissionais, equipamentos e escala no tratamento. Um dos principais obstáculos, além da mão de obra, é o custo dos exoesqueletos de reabilitação, equipamentos de grandes dimensões que chegam ao Brasil a um custo milionário.
É nesse mercado que a startup sediada capixaba Symbios quer operar. A empresa está validando um exoesqueleto portátil que, segundo estimativas do CEO, Eduardo Fragoso, deve chegar ao mercado com um custo 10x menor que a média.
“O dispositivo carrega uma inteligência artificial que interpreta a intenção de movimento do paciente e executa mecanicamente, o que permite aumentar a intensidade e a precisão das sessões terapêuticas sem exigir proporcionalmente mais profissionais. Um único terapeuta, segundo a empresa, pode acompanhar múltiplos pacientes simultaneamente”, afirma Fragoso.
A redução de custo proposta pela Symbios mudaria o perfil dos potenciais compradores: de grandes centros privados para redes de reabilitação, hospitais menores e operadoras de saúde. “O AVC afeta 25% da população ao longo da vida e é uma preocupação do sistema de saúde”, pontua João Mello, gerente de relacionamento da Symbios.
A Symbios planeja conduzir um dos maiores estudos clínicos de reabilitação robótica já realizados no Brasil, em parceria com o Hospital Central de Vitória. A colaboração serve tanto para validação científica quanto para abrir caminho à incorporação da tecnologia no sistema de saúde – etapa que depende da aprovação da Anvisa.
Nesta semana, a empresa está em Boston, em agenda com centros de referência em reabilitação e robótica nos Estados Unidos. O objetivo é trocar conhecimento técnico e mapear caminhos para validação internacional.
Paralelamente, a Symbios inicia sua primeira rodada de captação de investimentos para validar e produzir o seu hardware em escala comercial.
Fonte: Folha Vitoria