Alimentação inadequada, sedentarismo e consumo excessivo de álcool estão entre os fatores que elevam o risco de câncer colorretal.
Por que isso importa: 53 mil pessoas podem desenvolver esse tipo de tumor em 2026, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). No entanto, apesar de ser considerado comum, o câncer colorretal é um dos mais evitáveis.
Neste Março Azul-Marinho, mês de conscientização sobre a doença, confira cinco atitudes que podem elevar o risco de desenvolver o tumor, segundo especialistas.
1- Consumir carne processada com frequência
Desde 2015, a International Agency for Research on Cancer (IARC) classifica carnes processadas como carcinogênicas do Grupo 1, com evidência suficiente de associação ao câncer colorretal, explica a gastroenterologista Marilia Majeski.
Estima-se que o consumo diário de mais de 50 g de carne processada por dia aumentaria o risco de câncer colorretal em cerca de 18%. Quantidade essa contida, por exemplo, em uma salsicha, uma fatia de pizza de calabresa, 4 fatias de presunto ou 3 fatias de mortadela.
Marilia Majeski, gastroenterologista
Baixa ingestão de fibras reduz a proteção natural do intestino.
Fisiologicamente, as fibras favorecem bactérias intestinais benéficas, que produzem substâncias anti-inflamatórias, fortalecem a barreira mucosa e reduzem a exposição a agentes carcinogênicos.
“Existem diversos estudos que comprovam que a ingestão diária de cerca de 10 g de fibra por dia poderia ser capaz de reduzir o risco de câncer colorretal”, afirma Marilia Majeski.
3- Ter uma rotina sedentária
O sedentarismo é fator de risco independente. Segundo Marília, “a prática regular de atividade física pode reduzir o risco em aproximadamente 20%.”
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda ao menos 150 minutos semanais de atividade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa, meta considerada mínima também para prevenção oncológica.
A obesidade também é considerada um fator de risco. “O excesso de gordura corporal pode causar aumento dos níveis de certos hormônios no corpo e aumento da inflamação sistêmica, aumentando consequentemente o risco de desenvolvimento de células cancerígenas”, complementa Majeski.
4- Evitar ou adiar a colonoscopia
O medo do exame ainda afasta pacientes do rastreamento. No entanto, a colonoscopia é realizada com sedação, costuma ser indolor e é considerada segura quando feita por equipe experiente.
“Para pessoas sem fatores de risco adicionais, o rastreamento deve iniciar aos 45 anos. Quando há parente de primeiro grau com câncer colorretal, recomenda-se iniciar o rastreamento aos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o familiar foi diagnosticado”, orienta a oncologista do Ellas Oncologia, Juliana Alvarenga.
5- Consumo exagerado de álcool
O consumo de álcool é um fator de risco estabelecido e o risco aumenta conforme a quantidade ingerida.
“Mesmo níveis moderados já se associam a aumento de cerca de 10% a 20% no risco, enquanto consumos elevados podem elevar o risco em até 40% a 50%”, destaca Juliana Alvarenga.
O efeito é potencializado quando o álcool está associado ao tabagismo, à obesidade e à dieta rica em carnes processadas.
Sinais que não devem ser ignorados
Alteração persistente do hábito intestinal
Dor abdominal leve e crônica
Sensação de evacuação incompleta
Cansaço progressivo e perda de peso discreta.
Qualquer alteração intestinal que persista por mais de três a quatro semanas deve ser avaliada por um profissional de saúde.
Juliana Alvarenga, oncologista do Ellas Oncologia
Folha Vitória