Foto: Thiago Soares/Folha Vitória
A bióloga Tatiana Sampaio esteve no Espírito Santo nesta quinta-feira (26), onde recebeu do governo do Estado a comenda “Jerônimo Monteiro” e da Assembleia Legislativa a comenda “Domingos Martins”, as duas maiores honrarias dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado.
A pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que coordena os estudos com polilaminina para o tratamento de lesões medulares, agradeceu pelos reconhecimentos e, pregando cautela, comentou sobre a possibilidade de “estar fazer história”.
Procuro não pensar. É difícil porque não está fechado ainda. Essa cautela não é ‘fazer gênero’, é uma cautela de verdade. A gente precisa de mais demonstração, mais pacientes e uma coleta de dados mais estruturada. Como pessoa, eu quero ajudar, mas causa uma angústia como cientista”.
Ainda assim, a bióloga afirma que tem boas expectativas para atingir resultados positivos com o estudo, mas que só o tempo irá dizer. “Espero que esse trabalho seja tudo isso mesmo que se espera, porque se não for vai ser um vexame”, brincou.
Parece um ‘Big Brother’, todo mundo sabe o que a gente está fazendo e isso é um pouco desconfortável. Receber esse tipo de apoio, de carinho e vibração é uma forma de sentir que estamos fazendo escolhas acertadas. Fico feliz com isso”.
Comitê aprovou nova fase do estudo
Tatiana também falou sobre a primeira fase de testes clínicos, que foi aprovada nesta quarta-feira (25) pelo Comitê de Ética do Hospital das Clínicas e será realizada com um grupo de cinco pacientes em São Paulo.
Segundo a pesquisadora, os tratamentos atualmente realizados por meio de liminares judiciais dificultam uma coleta de dados estruturada. Com os testes clínicos, os estudos serão realizados em um grupo controlado, com acompanhamento próximo e regular.
Nos vários casos de uso compassivo, a coleta de dados não é estruturada. Os médicos ficam voando de um hospital para o outro, muitas vezes não dá tempo de fazer os testes que permitem dizer se a pessoa está melhorando ou não. Não há garantia da coleta de dados ideal. O ideal são os testes clínicos”.
Até o momento, foi feito um estudo clínico com oito pacientes e seis apresentaram melhora. Atualmente, outros pacientes têm recebido o tratamento por decisão judicial, incluindo cinco no Espírito Santo. Eles são acompanhados pela equipe por meio de relatórios, mas sem estudo clínico.
Tatiana e equipe receberam homenagens no ES
Além de Tatiana Sampaio, representantes do Laboratório Cristália parceiro da UFRJ nas pesquisas, e participantes do estudo também foram homenageados, sendo dois deles capixabas. A bióloga agradeceu pelas honrarias e pelo reconhecimento à ciência.
Esse reconhecimento é uma forma de demonstrar o quanto a sociedade brasileira reconhece a ciência. A sociedade brasileira gosta de ciência, dá valor e vibra quando é uma mulher”.
Olavo Borges Franco, Bruno Alexandre Cortes, Ogari de Castro Pacheco, Marco Aurélio Braz de Lima e Mitter Mayer Volpasso Borges foram os outros homenageados.
Fonte: Folha Vitória