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Cinco pontos que explicam a crise doFlamengoneste início de temporada

Início de temporada do Flamengo é decepcionante para a torcida, que já vaia o time e o técnico Filipe Luís

Por Redação em 27/02/2026 às 19:00:11
Jogadores e o técnico Filipe Luís cabisbaixos após a derrota na final da Recopa (Foto: Jorge Rodrigues/Estadão Conteúdo)

Jogadores e o técnico Filipe Luís cabisbaixos após a derrota na final da Recopa (Foto: Jorge Rodrigues/Estadão Conteúdo)

O início de 2026 tem sido turbulento para oFlamengo. Em 14 partidas disputadas, o time teve cinco vitórias, dois empates e já soma sete derrotas, mais da metade do total de tropeços de toda a temporada passada, quando perdeu 11 vezes ao longo do ano inteiro.

Com os resultados, foi vice da Supercopa Rei para o Corinthians, ficou ameaçado de disputar o quadrangular do rebaixamento no Carioca e foi vice da Recopa Sul-Americana para o Lanús em pleno Maracanã. No Brasileirão, é apenas o 11º colocado, com um jogo a menos.

Entre resultados ruins, desempenho instável e sinais claros de desgaste, a equipe do técnico Filipe Luís ouve vaias da torcida a cada tropeço.

A sequência irregular é fruto de um conjunto de fatores que se acumulam desde os primeiros jogos do ano. OFlamengosente o peso físico de uma temporada anterior extenuante, convive com peças caras longe do rendimento esperado, perdeu a solidez defensiva que sustentava resultados e passou a transformar volume ofensivo em poucos gols.

Sem a pressão alta que definia seu modelo de jogo, a equipe se tornou previsível, abusando de cruzamentos e encontrando dificuldade para furar defesas organizadas.

A base do elenco do Flamengo iniciou 2026 praticamente sem tempo para respirar. O time veio de um ano em que disputou todos os títulos possíveis, venceu competições importantes — Carioca, Supercopa, Brasileirão e Libertadores — e foi vice no Mundial no final do ano. A carga física acumulada pesa, e isso já foi reconhecido internamente.

Ficou muito evidente que ainda falta muito da parte física dos jogadores. Como eles não estão bem fisicamente ainda, da forma que eu espero que estejam e que eles estão acostumados a jogar, estão chegando um metro tarde, chegando na pressão um pouco de forma atrasada, a bola está escapando um pouco do pé. E isso também vai ligado com o mental, com decisões erradas. Então a parte física, você cansa mais, você pensa pior, você toma decisões erradas, os jogadores ainda estão pegando, pelo que eu conheço deles, ainda vai levar um pouquinho, mas a gente vai voltar”

Filipe Luís, técnico do Flamengo

2º — Contratações com nível abaixo do esperado

OFlamengomontou um elenco caro, mas parte das principais contratações ainda não entregou o retorno imaginado. Nomes como Paquetá, De la Cruz e Samuel Lino lidam com problemas físicos ou oscilações de desempenho.

Até mesmo o centroavante Pedro, peça-chave do ataque, passou períodos fora ou longe da melhor forma. O resultado é um time pesado financeiramente, mas que nem sempre consegue transformar investimento em rendimento esportivo, o que pressiona o planejamento e reduz margem para erros ao longo da temporada.

3º — Perda de solidez defensiva

Em 2025, oFlamengoconstruiu sua campanha com base em uma defesa muito sólida: foram apenas 27 gols sofridos em todo o Brasileirão. Esse pilar ruiu em 2026.

Hoje, o time mostra lentidão nas coberturas, dificuldade para defender em profundidade e falhas recorrentes em transições defensivas. Mesmo em jogos de controle da bola, o sistema defensivo não consegue proteger a área quando perde a bola.

A estatística de gols sofridos nesta temporada ajuda a ilustrar esse desempenho defensivo abaixo do esperado: em 14 partidas disputadas, a equipe rubro-negra teve sua meta vazada 20 vezes: média de quase 1,5 gol sofrido por jogo.

4º — Muito volume, pouca efetividade

Os números mostram domínio, mas o placar não acompanha. Contra o Lanús, no segundo jogo da final da Recopa, por exemplo, oFlamengoteve mais de 70% de posse de bola, trocou mais que o triplo de passes em relação ao adversário e finalizou mais do que o dobro. Ainda assim, marcou apenas dois gols e sofreu três.

O padrão se repete no Brasileirão: posse alta, presença ofensiva constante, mas baixa conversão em chances claras. A equipe cria muito em quantidade, pouco em qualidade, e acaba pagando caro por erros pontuais.

5º — Previsibilidade ofensiva

Sem a pressão alta que marcou o DNA recente do time — responsável por grande parte dos gols em recuperações rápidas —, oFlamengopassou a depender quase exclusivamente da construção lenta e dos cruzamentos.

Foram 44 cruzamentos contra o Lanús. Essa estatística também surpreende em partidas válidas pelo Brasileirão e ajudam a explicar a falta de criatividade e repertório doFlamengoneste início de temporada. A posse de bola é alta, mas o jogo se torna previsível, especialmente contra times fechados na defesa. O resultado é um ataque facilmente neutralizado, mesmo com volume.

Fonte: Folha Vitória

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