Invasão, briga e decapitação: o assassinato de Dante Michelini, mais conhecido como Dantinho, encontrado decapitado e carbonizado, ganhou novos capítulos na manhã de quarta-feira (11), quando o suspeito, Willian Santos Manzoli, de 28 anos, confessou o crime e indicou onde estava a cabeça do empresário.
Dantinho ficou conhecido nacionalmente por ter sido um dos investigados nocaso Araceliem 1973, quando a menina Araceli Cabrera Sanchez, de 8 anos, foi assassinada em Vitória.
A operação para localizar a cabeça de Dantinho contou com o auxílio de uma equipe de mergulhadores do Corpo de Bombeiros e foi realizada após a prisão e o interrogatório do suspeito realizado no Centro de Detenção Provisória de Guarapari(CDPG).
Mesmo cercado de mistérios, algumas perguntas do assassinato de Dante Michelin já foram respondidas ao longo dos dias por meio da Polícia Civil.
O que se sabe sobre a morte de Dante Michelini?
Corpo foi encontrado em casa incendiada
O corpo foi encontrado sem cabeçae em meio a escombros de uma casa incendiada na propriedade rural em Meaípe, em Guarapari, no dia 3 de fevereiro de 2026. Dantinho, segundo informações recebidas pela Polícia Militar, morava sozinho no sítio.
O assassinato foi descoberto após uma mulher de 40 anos procurar a Polícia Militar por encontrar a casa onde estava o corpo destruída, com janelas e portas quebradas.
Marcas de facadas foram localizadas no corpo
O chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegadoFabrício Dutra, informou que duas marcas de facadas foram encontradas no tórax de Dante Michelini.
O delegado destacou que a sofisticação da decapitação da cabeça chamou a atenção dos policiais. Isso porque na maior parte dos casos em que ocorrem decapitações, o criminoso realiza cortes grosseiros, o que não ocorreu desta vez, em que foi feito um corte fino.
Suspeito de matar Dante Michelini foi preso
O suspeito da morte de Dante foi preso pela Polícia Civil. Willian Santos Manzoli, de 28 anos, veio da Bahia e estava morando há alguns meses em Guarapari.
Os policiais identificaram que o homem se mantinha com trabalhos informais, como flanelinha, e conseguindo comida em restaurantes. Além disso, por não ter moradia, dormia em locais improvisados.
Cabeça foi localizada em um saco plástico
Na manhã desta quarta-feira (11), a cabeça de Dante Michelini foi encontrada em um saco plástico, que estava no canal de Guarapari. A operação contou com o auxílio de uma equipe de mergulhadores do Corpo de Bombeiros.
Dantinho teria sido morto por “vingança”
O delegadoFranco Malini, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari, explicou que o sítio onde a vítima morava era um local com circulação frequente de pessoas da região, apesar de ser cercado.
O suspeito estava dormindo em uma parte do terreno sem autorização da vítima. Ele contou que foi acordado pelo morador e os dois entraram em luta corporal.“A vítima conseguiu expulsá-lo da chácara com um pedaço de madeira”.
Ainda de acordo com Malini, o homem teria ficado com raiva da situação, retornado ao local pela mata e esperado a vítima sair novamente. Nesse momento, houve uma segunda briga, que terminou com a morte e a decapitação da vítima.
Sítio era local de passagem de pessoas
O delegado Fabrício Dutra também relatou que o sítio onde o corpo foi encontrado era um local de passagem de pessoas que transitavam pela região. Muitas delas entravam na área sem qualquer tipo de autorização.
Além disso, o delegado também relatou que corretores de imóveis passavam pelo local e que havia um interesse da família em vender a propriedade, por conta disso, familiares também serão ouvidos no caso.
Durante as investigações, uma mulher que frequentava o sítio para realizar a limpeza e um homem ligado a ela prestaram depoimento como possíveis testemunhas no caso.
A polícia também informou que familiares do empresário também devem ser chamados para depor nos próximos dias.
Ligação com caso Araceli não pode ser descartada
Dantinho ficou conhecido nacionalmente por ter sido um dos investigados nocaso Araceliem 1973, quando a menina Araceli Cabrera Sanchez, de 8 anos, foi assassinada em Vitória. Ele chegou a ser condenado pelo crime, mas acabou inocentado anos depois.
O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, afirmou que a ligação de Dantinho com o caso não pode ser descartada como um motivo para o assassinato.
“Temos um caso de mais de 50 anos atrás, que é o caso Araceli, em que ele esteve envolvido, depois foi inocentado, mas isso também não pode ser descartado. Todas as possibilidades. Também estavam em venda do imóvel, tem a família. Será que ele tinha um bom relacionamento? Tudo vai ser trabalhado, para que a gente não cometa erros”, afirmou.
Ainda de acordo com Arruda, a polícia chegou a trabalhar com a hipótese inicial de latrocínio, pois alguns objetos de Dante não foram encontrados durante a primeira vistoria ao sítio.
A hipótese acabou descartada após os objetos, que a polícia acreditava terem sido roubados, serem encontrados em escombros da casa onde ele vivia, que foi incendiada após o assassinato.
“A princípio surgiu a possibilidade de ter sido um latrocínio, porque vários objetos não foram encontrados, mas agora foi atualizado que os objetos estão lá, abaixo dos escombros. É um trabalho que vamos ter que fazer com calma, porque o local é ermo. Agora é o corpo que vai contar sua própria história”, disse.
*Com informações da repórter Ana Carolini Mota, da TV Vitória/ Record
Folha Vitória