O suspeito pela morte deDante Brito Michelini, conhecido como Dantinho, afirmou que cometeu o homicídio “por vingança”, em um “crime de raiva”. A prisão foi anunciada nesta quarta-feira (11), após a cabeça do empresário ser encontrada em um saco plástico, em um canal de Guarapari.
O investigado é natural da Bahia e estava morando em Guarapari há alguns meses. Ele foi preso no próprio município na manhã desta quarta-feira e é apontado como responsável pelo crime que aconteceu no dia 2 de fevereiro, em um sítio na região de Meaípe.
Em entrevista à TV Vitória, o delegado Franco Malini, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari, explicou que a chácara onde a vítima morava era um local com circulação frequente de pessoas da região, apesar de ser cercado.
Segundo o delegado, o suspeito estava dormindo em uma parte do terreno sem autorização da vítima. Ele contou que foi acordado pelo morador e os dois entraram em luta corporal. “A vítima conseguiu expulsá-lo da chácara com um pedaço de madeira”.
Ainda de acordo com Malini, o homem teria ficado com raiva da situação, retornado ao local pela mata e esperado a vítima sair novamente. Nesse momento, houve uma segunda briga, que terminou com a morte e a decapitação da vítima.
Foi um crime de raiva, que ele estava com raiva pelo fato de ter sido expulso, de ter sido agredido num primeiro momento e ele planejou voltar para matar.
Franco Malini, delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari
Suspeito estava preso por outro crime
A Polícia Civil também destacou que o suspeito, que é natural da Bahia, estava em Guarapari desde dezembro de 2025. O homem estava detido, desde o dia 28 de janeiro, pelo crime descumprimento de medida protetiva por violência doméstica.
Assim que foi identificado como o autor do crime, foi retirado do presídio, prestou depoimento, confessou o crime e indicou onde jogou a cabeça no canal em Guarapari.
Em depoimento, relatou que chegou à cidade próximo do Ano Novo e passou a viver em situação de vulnerabilidade. “Ele se mantinha com trabalhos informais, como flanelinha e conseguindo comida em restaurantes. Sem moradia, dormia em locais improvisados”.
O que se sabe sobre a morte de Dante Michelini?
De acordo com o chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegadoFabrício Dutra, duas marcas de facadas foram encontradas no tórax de Dante Michelini.
O delegado destacou que a sofisticação da decapitação da cabeça chamou a atenção dos policiais. Isso porque na maior parte dos casos em que ocorrem decapitações, o criminoso realiza cortes grosseiros, o que não ocorreu desta vez, em que foi feito um corte fino.
“A nossa Polícia Científica fez um trabalho muito rápido. Ela nos trouxe à luz que ali realmente era uma cena de homicídio. Houve uma secção de corte fino, então provavelmente uma faca que separou a cabeça do corpo. E também o indicativo de que ele teve duas lesões cortantes na região do tórax. Em tese, ele poderia ter levado duas facadas também”, disse Fabrício Dutra.
Ligação com caso Araceli não pode ser descartado
Dantinho ficou conhecido nacionalmente por ter sido um dos investigados nocaso Araceliem 1973, quando a menina Araceli Cabrera Sanchez, de 8 anos, foi assassinada em Vitória. Ele chegou a ser condenado pelo crime, mas acabou inocentado anos depois.
Na mesma entrevista coletiva, o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, afirmou que a ligação de Dantinho com o caso não pode ser descartada como um motivo para o assassinato.
“Temos um caso de mais de 50 anos atrás, que é o caso Araceli, em que ele esteve envolvido, depois foi inocentado, mas isso também não pode ser descartado. Todas as possibilidades. Também estavam em venda do imóvel, tem a família. Será que ele tinha um bom relacionamento? Tudo vai ser trabalhado, para que a gente não cometa erros”, afirmou.
Folha Vitória