Dante de Brito Michelini, o Dantinho, foi esfaqueado antes de ser decapitado. É o que aponta a investigação da Polícia Civil. Em entrevista coletiva realizada na tarde desta sexta-feira (6), o chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Fabrício Dutra, informou que duas marcas de facadas foram encontradas no tórax da vítima.
Além disso, relatou que a sofisticação da decapitação da cabeça chamou a atenção dos policiais. Isso porque na maior parte dos casos em que ocorrem decapitações, o criminoso realiza cortes grosseiros, o que não ocorreu desta vez, em que foi feito um corte fino.
“A nossa Polícia Científica fez um trabalho muito rápido. Ela nos trouxe à luz que ali realmente era uma cena de homicídio. Houve uma secção de corte fino, então provavelmente uma faca que separou a cabeça do corpo. E também o indicativo de que ele teve duas lesões cortantes na região do tórax. Em tese, ele poderia ter levado duas facadas também”, disse.
Dantinho usou celular pela última vez em 13 de janeiro
A polícia acredita que o assassinato tenha ocorrido entre os dias 13 a 20 de janeiro. Isso porque no dia 13, Dantinho usou o telefone celular pela última vez.
Já no dia 20, testemunhas teriam visto fumaça saindo da propriedade dele. De acordo com o delegado, o caso tem um grande dificultador: a forma isolada como Dantinho vivia.
Ele era conhecido por ter pouco ou quase nenhum contato com as pessoas. Uma mulher, que realizava serviços no sítio, e que comunicou o assassinato à polícia, teria o visto pela última vez no dia 7 de janeiro.
O marido dela, que também tinha contato com Dantinho, o viu por último em dezembro do ano passado.
Ele saía de casa apenas para comprar mantimentos, utilizando uma moto e sem falar com ninguém para onde ia.
“Ao verificar o corpo, não há uma precisão, mas nos foi passado que o óbito dele ocorreu entre o dia 13 de janeiro até o dia 20. Por quê? No dia 13 foi a última vez que ele utilizou o celular. O dia 20 por quê? Foi visto fumaça na propriedade dele. Mas a forma como o indivíduo vivia, muito individualizado, tivemos que ter um lapso de cena de crime muito distante”, relatou Fabrício Dutra.
Local de passagem de pessoas
O delegado também relatou que o sítio onde o corpo foi encontrado era um local de passagem de pessoas que transitavam pela região. Muitas delas entravam na área sem qualquer tipo de autorização.
Além disso, o delegado também relatou que corretores de imóveis passavam pelo local e que havia um interesse da família em vender a propriedade, por conta disso, familiares também serão ouvidos no caso.
Ligação com caso Araceli não pode ser descartado
Dantinho ficou conhecido nacionalmente por ter sido um dos investigados no caso Araceli em 1973, quando a menina Araceli Cabrera Sanchez, de 8 anos, foi assassinada em Vitória. Ele chegou a ser condenado pelo crime, mas acabou inocentado anos depois.
Na mesma entrevista coletiva, o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, afirmou que a ligação de Dantinho com o caso não pode ser descartada como um motivo para o assassinato.
“Temos um caso de mais de 50 anos atrás, que é o caso Araceli, em que ele esteve envolvido, depois foi inocentado, mas isso também não pode ser descartado. Todas as possibilidades. Também estavam em venda do imóvel, tem a família. Será que ele tinha um bom relacionamento? Tudo vai ser trabalhado, para que a gente não cometa erros”, afirmou.
Ainda de acordo com Arruda, a polícia chegou a trabalhar com a hipótese inicial de latrocínio, pois alguns objetos de Dante não foram encontrados durante a primeira vistoria ao sítio.
A hipótese acabou descartada após os objetos, que a polícia acreditava terem sido roubados, serem encontrados em escombros da casa onde ele vivia, que foi incendiada após o assassinato.
“A princípio surgiu a possibilidade de ter sido um latrocínio, porque vários objetos não foram encontrados, mas agora foi atualizado que os objetos estão lá, abaixo dos escombros. É um trabalho que vamos ter que fazer com calma, porque o local é ermo. Agora é o corpo que vai contar sua própria história”, disse.
Piscina de sítio chegou a ser esvaziada
Arruda também esclareceu que a cabeça de Dante, decapitada após o crime, ainda não foi encontrada. Uma piscina no sítio em que ele morava chegou a ser esvaziada para checar se ela estaria na água, mas apenas duas carcaças de tartaruga foram encontradas.
De acordo com ele, o ato de arrancar a cabeça pode ter dois motivos: um crime contratado em que o executor levou a cabeça para o contratante para comprovar que o serviço foi feito. Ou se tratar apenas de sadismo por parte de quem cometeu o assassinato.
Folha Vitória