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Exame confirma: corpo carbonizado em sítio de Guarapari é de Dantinho Michelini

O corpo estava em avançado estado de decomposição, sem cabeça e carbonizado. Família ainda aguarda comunicação por parte da polícia

Por Redação em 05/02/2026 às 14:14:24
Dante Brito Michelini, Dantinho, envolvido no caso Araceli (Foto/reprodução: TV Vitória)

Dante Brito Michelini, Dantinho, envolvido no caso Araceli (Foto/reprodução: TV Vitória)

Exame da Polícia Cientifica confirmou na manhã desta quinta-feira (5) que o corpo encontrado carbonizado e decapitado em um sítio de Meaípe, Guarapari, é de Dante Brito Michelini, o Dantinho, 75 anos, um dos envolvidos no assassinato da menina Araceli Cabrera Sanchez, de 8 anos, em 1973.

Em nota, a Polícia Científica confirmou que o corpo é de um homem de 75 anos e que a identificação foi feita por meio de um exame papiloscópico.

O exame é feito com técnica deperícia criminalque estuda as cristas papilares (desenhos) presentes na pele das pontas dos dedos, palmas das mãos e plantas dos pés para identificar pessoas, no Instituto Médico Legal (IML), em Vitória.

O caso Aracelli, queganhou grande repercussão em todo o Brasil, envolveu Dantinho, o pai dele, Dante de Barros Michelini (já falecido), e Paulo Constanteen Helal, conhecido como Paulinho.

A reportagem do Folha Vitória procurou novamente Adir Rodrigues, advogado que representa um dos irmãos Michelini, para saber se a família havia sido oficialmente comunicada sobre a confirmação. Segundo o advogado, até o momento, os familiares ainda não foram acionados pela polícia.

O corpo de Dantinho foi encontrado na tarde de terça-feira (3) dentro de uma casa destruída por incêndio no Sítio Pequeira, onde ele morava sozinho há vários anos. O corpo estava em avançado estado de decomposição, sem cabeça e parcialmente carbonizado.

A descoberta ocorreu depois que uma funcionária do sítio, de 40 anos, procurou a Polícia Militar relatando que não tinha contato com ele desde o dia 7 de janeiro.

Preocupada, ela foi até a propriedade e encontrou o imóvel com portas e janelas quebradas. Ao entrar na residência, se deparou com o cenário de destruição e acionou a polícia.

Dentro da casa, os militares localizaram o corpo caído com a barriga para baixo, em meio aos escombros do incêndio. Desde o início, a principal suspeita era de que se tratasse de Dantinho, hipótese agora confirmada oficialmente pela perícia.

Família se manifestou antes da confirmação

Na ocasião, o advogado declarou que os parentes não tinham informações sobre possíveis ameaças ou desavenças envolvendo o idoso e que aguardariam a conclusão das investigações para entender o que teria motivado o crime.

Ele também disse não acreditar que o assassinato tenha relação com o histórico Caso Araceli, ocorrido há mais de 50 anos.

“O motivo de ter acontecido um massacre como esse não deve ter ligação com o caso Araceli, mas sim com algum outro fato. Segundo meu cliente, ele não tinha desavenças e a família não tinha nenhuma informação sobre ameaças”, afirmou Adir Rodrigues, em entrevista na quarta-feira.

Investigação segue em andamento

Com a confirmação da identidade, a Polícia Civil agora concentra as investigações para esclarecer as circunstâncias da morte e identificar possíveis autores do crime.

Até o momento, não há informações sobre suspeitos ou sobre a motivação do assassinato. A corporação informou que novas diligências serão realizadas e que outras perícias ainda estão em andamento. O caso é investigado pela Delegacia de Guarapari.

Caso Araceli: crime em 1973

A menina Araceli Cabrera Sanchez tinha 8 anos quando foi assassinada.Ela desapareceu no dia 18 de maio de 1973, e esta data se tornou símbolo de luta contra violência infanto-juvenil e deu origem ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.

O caso é considerado um dos mais emblemáticos da história judicial brasileira. A menina morava em Bairro de Fátima, na Serra, ehavia saído de casa para ir à escola, na Praia do Suá, em Vitória.

Após as aulas, ela foi vista em um bar entre o cruzamento das avenidas Ferreira Coelho e César Hilal, em Vitória. Depois disso, Araceli não foi mais encontrada e a família iniciou as buscas.

O corpo de Araceli apareceu em um matagal seis dias depois atrás do Hospital Infantil, em Vitória, e a perícia da Polícia Civil concluiu queela havia sido drogada, estuprada, assassinada, desfigurada e queimada.

Após as investigações, três suspeitos foram indiciados e denunciados pelo crime:Dante Brito Michelini, o Dantinho; seu pai, Dante de Barros Michelini; e Paulo Constanteen Helal, todos membros de tradicionais e influentes famílias capixabas.

Os dois Michelinis investigados pela morte de Araceli são filho e neto de Dante Michelini, empresário que dá nome à orla de Camburi e morreu em 1965.

Investigação e julgamento

A acusação alegou que Araceli foi raptada por Paulo Helal. No mesmo dia, a menina teria sido levada para o Bar Franciscano, na Praia de Camburi, pertencente à Dante Michelini, onde foi estuprada e mantida em cárcere privado sob o efeito de drogas por dois dias.

Em razão do excesso de drogas no corpo, Araceli teria entrado em coma e morreu. Paulo Helal e Dantinho teriam jogado o corpo da menina em uma mata atrás do Hospital Infantil.

Mais de 300 pessoas foram ouvidas ao longo das investigações, gerando mais de 12 mil páginas no processo de 33 volumes.

Na época, foi denunciado a forte influência dos acusados com a polícia local para dificultar as investigações. Além disso,testemunhas-chave do processo morreram durante as investigações.

Em 1980, aJustiça condenou Dantinho e Paulo a 18 anos de prisão. JáDante de Barros Michelini (que já morreu) foi condenado a 5 anospor cumplicidade.

No entanto, asentença foi anuladapelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Em 1991, 18 anos após morte de Araceli, um novo julgamento, mas desta vez a Justiça absolveu os três acusados por falta de provas e até os dias atuais ninguém foi responsabilizado pela morte da menina.

O Ministério Público chegou a recorrer, mas o TJES manteve a absolvição. O crime prescreveu em 1993.

Fonte: Folha Vitória

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