Foto: PCES
A Polícia Científica do Espírito Santo identificou falhas graves no sistema de freios do ônibus que tombou na BR-262, em Ibatiba, no dia 27 de setembro. A perícia também apontou que o veículo entrou na Curva da Ferradura a aproximadamente 90 km/h, velocidade considerada incompatível com as características do trecho. O acidente deixou três pessoas mortas e 44 feridas.
Os resultados dos exames foram apresentados nesta terça-feira (20), durante uma coletiva de imprensa. Segundo a equipe pericial, o comprometimento do sistema de frenagem contribuiu para a perda de dirigibilidade do ônibus e teve influência significativa na ocorrência.
Perícia identificou desgaste completo dos freios
De acordo com o chefe do Departamento de Engenharia Forense da Polícia Científica, Temístocles Macedo, os exames identificaram que as lonas de freio do segundo eixo estavam completamente desgastadas. Na prática, isso fez com que o sistema de frenagem daquele eixo deixasse de atuar.
O perito explicou que o ônibus não estava totalmente sem freios, mas havia perdido uma parte significativa da capacidade de frenagem. A condição comprometia a segurança do veículo, especialmente em um trecho sinuoso como a Curva da Ferradura.
A análise também apontou que o coletivo teria saído da garagem com deficiência no sistema de freios. Segundo Macedo, o nível de desgaste identificado indica que uma manutenção adequada poderia ter detectado o problema antes da viagem.
A equipe realizou exames complementares no veículo para verificar se falhas mecânicas poderiam ter contribuído para o acidente. O trabalho incluiu análises do local do tombamento e dos sistemas do ônibus.
Velocidade foi considerada incompatível com a curva
Além dos problemas mecânicos, a perícia identificou que o ônibus trafegava a aproximadamente 90 km/h ao passar pela Curva da Ferradura. Segundo o perito, a velocidade era incompatível com as características do trecho, que exige redução para a realização da curva com segurança.
A análise técnica apontou que a deficiência nos freios comprometeu a capacidade de desaceleração do veículo e contribuiu para a perda de controle durante a passagem pelo trecho.
Investigação policial continua
O delegado Hélio Flávio Martins, que representou a Polícia Civil durante a apresentação dos resultados, informou que o inquérito foi instaurado inicialmente para apurar possíveis crimes de homicídio culposo e lesão corporal culposa.
Segundo o delegado, a conclusão da investigação depende da incorporação dos laudos periciais e da análise dos demais elementos reunidos. O inquérito ainda estava em fase inicial na data da coletiva.
Questionado sobre a responsabilidade pela manutenção e pela liberação do ônibus para a viagem, o delegado informou que a eventual oitiva de representantes da empresa responsável pelo veículo ficará a critério da autoridade que conduz a investigação. Até a apresentação dos resultados, segundo ele, ainda não havia sido ouvido um representante da empresa no inquérito.
A Polícia Científica informou que o laudo ainda estava em fase de conclusão. Os resultados apresentados deverão subsidiar a investigação da Polícia Civil, que apura as circunstâncias do acidente e eventuais responsabilidades.
Acidente deixou três mortos e 44 feridos
O tombamento ocorreu na noite de domingo, 27 de setembro, na BR-262, em Ibatiba, no trecho conhecido como Curva da Ferradura. O ônibus transportava 47 pessoas e fazia o trajeto entre Itaoca, no litoral sul do Espírito Santo, e Contagem, em Minas Gerais.
Conforme as informações divulgadas após o acidente, três pessoas morreram e outras 44 ficaram feridas. Equipes do Corpo de Bombeiros, do Samu, da Polícia Rodoviária Federal e de outros órgãos participaram do atendimento às vítimas.
Na ocasião, a rodovia precisou ser interditada nos dois sentidos durante os trabalhos de resgate. As circunstâncias do tombamento passaram a ser apuradas pelos órgãos responsáveis.
Fonte: A Notícia do Caparaó