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IA e cuidado humano: como a tecnologia transforma tratamentos de saúde

Recursos tecnológicos ajudam a agilizar diagnósticos e tratamentos, sem substituir a avaliação médica e o acolhimento

Por Redação em 08/10/2026 às 09:00:06
Robô Da Vinci, sistema cirúrgico robótico avançado, disponível no Hospital Santa Rita. Imagem: Divulgação

Robô Da Vinci, sistema cirúrgico robótico avançado, disponível no Hospital Santa Rita. Imagem: Divulgação

A inteligência artificial já faz parte da rotina de uma parcela dos serviços de saúde no Brasil. Dados da pesquisa TIC Saúde 2025, divulgada em 2026 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), mostram que 18% dos estabelecimentos utilizaram IA em 2025. Entre os hospitais com mais de 50 leitos, o percentual chegou a 31%.

Entre os estabelecimentos que já utilizam a tecnologia, os principais usos são modelos generativos de linguagem, como ChatGPT e Gemini (76%), mineração de texto (52%) e automação de processos (48%).

Essa tecnologia também já faz parte da rotina do Hospital Santa Rita de Cássia, mantido pela Associação Feminina de Educação e Combate ao Câncer (AFECC), para apoiar diagnósticos e tratamentos médicos. No maior complexo oncológico do Espírito Santo, recursos como inteligência artificial, cirurgia robótica, exames de alta precisão e pesquisa clínica são incorporados para tornar o atendimento mais ágil e individualizado.

Além do atendimento oncológico, as inovações se estendem a todas as 30 especialidades da Instituição, como cardiologia, neurologia, ortopedia e pediatria, assim como ao pronto-socorro com atendimento 24 horas e recursos voltados a situações em que o tempo é decisivo.

A proposta, no entanto, não é substituir a avaliação médica nem o contato com o paciente. A tecnologia é utilizada como uma ferramenta de apoio para que as equipes tenham mais informações na tomada de decisões, enquanto o cuidado continua baseado na escuta, no acolhimento e na relação de confiança.

Segundo Loureno Cezana, oncologista do Hospital Santa Rita de Cássia, a evolução tecnológica não mudou a essência da instituição, fundada com a missão de cuidar de pessoas com câncer.

A tecnologia não substitui essa vocação; ela a potencializa. O Santa Rita procura unir justamente essas duas dimensões: uma tradição de mais de 70 anos de cuidado humano e a busca permanente pelo que existe de mais moderno e eficaz no tratamento do câncer.

Loureno Cezana, oncologista do Hospital Santa Rita de Cássia

Diagnóstico mais preciso depende de tecnologia e avaliação médica

O uso da inteligência artificial na saúde ainda está mais relacionado ao apoio aos profissionais do que à substituição da decisão clínica. Na área de urgência do Hospital Santa Rita, por exemplo, ferramentas computacionais associadas aos exames de imagem ajudam a identificar alterações críticas e podem reduzir o tempo entre a avaliação e o início da assistência.

O diretor clínico e cirurgião oncológico do hospital, Luiz Augusto Fagundes Filho, explica que esse intervalo é especialmente importante em situações como o acidente vascular cerebral (AVC) e o infarto.

Nas duas patologias, o tempo é extremamente importante. Ter uma equipe capaz de identificar os sinais de forma muito precoce para intervir também precocemente é o limite entre salvar uma vida ou diminuir uma sequela relacionada à doença.

Luiz Augusto Fagundes Filho, diretor clínico e cirurgião oncológico do Hospital Santa Rita de Cássia

Segundo ele, o hospital conta com uma equipe de neurologistas e neurocirurgiões 24 horas, além de um equipamento de imagem com inteligência artificial para auxiliar na identificação de sinais precoces de AVC. Na cardiologia, a estrutura inclui atendimento especializado permanente e serviço de hemodinâmica próximo ao pronto-socorro.

Cirurgia robótica amplia recursos para procedimentos complexos

A modernização também aparece na cirurgia, com o Hospital Santa Rita sendo pioneiro no uso de cirurgia robótica no Espírito Santo, com a aquisição do robô Da Vinci.

A tecnologia permite procedimentos menos invasivos, com ampliação do campo de visão e recursos de imagem que auxiliam o cirurgião na identificação de estruturas e linfonodos. O objetivo é aumentar a precisão do procedimento e contribuir para uma recuperação mais rápida.

Na oncologia, os avanços também estão presentes na patologia, na medicina molecular e na radioterapia. A análise cada vez mais detalhada das características biológicas e genéticas dos tumores permite selecionar tratamentos mais direcionados.

Outro ponto de referência é a radioterapia, com equipamentos e técnicas mais modernas possibilitam irradiar tumores com maior precisão, inclusive em órgãos como fígado e pulmão, preservando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor.

“Quando falamos em parque tecnológico, não estamos falando apenas de equipamentos. Estamos falando de integrar cirurgia robótica, diagnóstico por imagem, inteligência artificial, patologia molecular e radioterapia de alta precisão para alcançar um objetivo muito concreto: diagnosticar mais rápido, tratar com maior precisão, reduzir complicações e oferecer melhores resultados e qualidade de vida aos nossos pacientes”, explica Loureno Cezana.

Tecnologia precisa caminhar ao lado da humanização

Apesar da incorporação de equipamentos e sistemas avançados, o atendimento humanizado continua sendo um dos pilares do hospital. Para Loureno, conhecer o paciente é tão importante quanto compreender as características biológicas da doença.

“Cada ser humano tem sua história, suas particularidades, seus desejos, suas expectativas e seus sonhos. Conhecer isso é tão importante quanto conhecer as características biológicas do tumor”, destaca Loureno Cezana

O médico afirma que a precisão tecnológica deve ser acompanhada por uma atenção individualizada. Isso inclui compreender a profissão, a família, a religiosidade, os projetos e aquilo que realmente importa para cada pessoa.

“Humanizar é saber o nome, olhar nos olhos, ouvir. É compreender as dores, as angústias e os medos, mas também compartilhar as conquistas e as alegrias do paciente e de sua família”, explica.

Para o diretor clínico, a combinação entre inovação e acolhimento é parte da identidade da instituição.

A tecnologia é indispensável hoje para oferecer diagnóstico preciso, cirurgia segura e tratamentos individualizados, mas ela não substitui a escuta, o acolhimento e a presença humana.

Luiz Augusto Fagundes Filho, diretor clínico e cirurgião oncológico do Hospital Santa Rita de Cássia

Fonte: Folha Vitória

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