A eleição presidencial de 2026 terá segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O candidato do PL terminou a primeira rodada à frente, mas sem alcançar a maioria absoluta dos votos válidos, levando a disputa para 25 de outubro e abrindo uma nova etapa da corrida pelo Palácio do Planalto.
A vantagem nacional é estreita. Na totalização até 21h30, Flávio aparecia com cerca de 47,2% dos votos válidos, contra 44,9% de Lula, diferença de aproximadamente 2,3 pontos percentuais. O resultado coloca frente a frente dois projetos políticos que representam campos distintos da política brasileira. Flávio chega à segunda rodada carregando a força eleitoral do bolsonarismo, enquanto Lula busca ampliar novamente a votação entre os eleitores das demais candidaturas.
O resultado das urnas capixabas chama atenção pela diferença significativamente maior entre os dois candidatos. Segundo os dados da totalização do TSE, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno no Espírito Santo com 54,78% dos votos válidos, ou 1.233.194 votos, enquanto Lula obteve 37,76%, ou 850.028 votos.
A diferença chegou a aproximadamente 383 mil votos, ou pouco mais de 17 pontos percentuais. Os demais candidatos tiveram votação bastante inferior: Augusto Cury alcançou 2,89%, Renan Santos 2,36%, Ronaldo Caiado 1,74% e Zema 0,26%.
O desempenho capixaba mostra que o Espírito Santo integrou o conjunto de Estados em que Flávio terminou à frente de Lula. Levantamento realizado pelo Poder360 antes da votação já apontava que o candidato do PL tinha vantagem em Estados que, somados, concentravam parcela expressiva do eleitorado brasileiro.
Para a disputa nacional, entretanto, o comportamento do eleitorado capixaba tem peso limitado diante da dimensão do eleitorado brasileiro. O dado estadual funciona principalmente como indicador de uma das regiões em que Flávio construiu uma vantagem expressiva no primeiro turno.
Leitura do primeiro turno
O primeiro dado político é a capacidade de transferência da força eleitoral associada ao bolsonarismo para uma candidatura que não é a de Jair Bolsonaro. Flávio conseguiu chegar à primeira posição nacional e, ao mesmo tempo, apresentar desempenho superior a 50% dos votos válidos em diversos Estados.
Mas o resultado também mostra que essa força não foi suficiente para produzir uma vitória no primeiro turno. Mesmo liderando, Flávio ficou alguns pontos abaixo da maioria necessária e terá agora de buscar votos entre eleitores que escolheram outras candidaturas.
No Espírito Santo, a situação é diferente da média nacional. A vantagem sobre Lula foi muito maior, mas também será necessário observar como os eleitores que escolheram outras candidaturas se comportarão na segunda rodada.
Para Lula e para o PT, o resultado do primeiro turno representa a necessidade de recuperar terreno, mas não encerra a disputa. A diferença nacional de pouco mais de dois pontos percentuais deixa uma parcela expressiva do eleitorado entre os dois candidatos.
O presidente terá como desafio ampliar a votação entre eleitores que não escolheram nem o PT nem o PL no primeiro turno. Essa movimentação dependerá também dos posicionamentos dos candidatos derrotados e das alianças que serão construídas nas próximas semanas.
A campanha de Lula deverá ainda trabalhar para transformar a segunda rodada em uma escolha entre dois projetos nacionais, buscando reduzir a vantagem obtida por Flávio na primeira votação.
O candidato do PL já parte para o segundo turno na condição de mais votado, mas a liderança não representa vitória antecipada. A nova etapa exige uma maioria nacional, e os votos dos candidatos eliminados passam a ser disputados diretamente pelos dois concorrentes.
A situação capixaba oferece um contraste importante. Flávio teve desempenho muito superior ao nacional no Estado, mas essa vantagem regional não pode ser simplesmente projetada para o conjunto do país.
A campanha terá de ampliar sua votação em regiões onde Lula terminou à frente e, simultaneamente, preservar os índices obtidos nos Estados em que o candidato do PL foi mais forte.
Disputa pelo espólio
A segunda rodada começa com milhões de eleitores que escolheram candidatos diferentes de Flávio e Lula. Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Zema, entre outros, somaram votos que passam a integrar a disputa política do segundo turno.
Não há, entretanto, transferência automática desses votos. O comportamento do eleitorado pode envolver adesão a um dos dois candidatos, mudança de preferência, voto branco ou nulo e abstenção. Por isso, as próximas semanas deverão ser marcadas por negociações políticas, manifestações de apoio e uma disputa intensa pela ampliação das alianças.
Para o Espírito Santo, o resultado estabelece uma situação particular. Flávio terminou o primeiro turno com mais de 1,2 milhão de votos no Estado, contra 850 mil de Lula, e abriu uma vantagem superior a 380 mil votos. O desempenho também dialoga com o resultado das demais disputas estaduais. A votação presidencial ocorreu no mesmo ambiente eleitoral em que o eleitor capixaba escolheu governador, senadores e deputados, compondo um quadro político próprio do Estado.
O segundo turno será, na prática, uma nova eleição. Os dois candidatos precisarão reorganizar as campanhas, ampliar alianças e disputar diretamente os eleitores que ficaram fora da polarização. Flávio começa essa etapa com a vantagem de ter sido o candidato mais votado no país e com desempenho particularmente forte no Espírito Santo. Lula, por sua vez, precisa reverter uma diferença pequena no resultado nacional e construir uma maioria entre os eleitores que não o escolheram na primeira rodada.
A perspectiva para 25 de outubro, portanto, é de uma disputa concentrada em três frentes: transferência dos votos dos candidatos eliminados, mobilização dos eleitores que se abstiveram e capacidade de cada campanha de ampliar a coalizão eleitoral.
O post Flávio sai na frente de Lula, mas segundo turno reabre disputa pela Presidência apareceu primeiro em Século Diário.
Século Diário