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79,7% dos médicos que atuam em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no Brasil precisam de algum tipo de atenção relacionada à saúde mental. Os dados são de um levantamento da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), realizado com profissionais de todos os estados e do Distrito Federal.
De acordo com o “Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras“, 48,5% dos médicos apresentam níveis elevados de esgotamento mental, enquanto 31,2% indicam esgotamento moderado.
A pesquisa também identificou baixa satisfação com o trabalho e distanciamento emocional entre colegas, fatores que podem dificultar a percepção de que é necessário buscar ajuda e contribuir para a naturalização do sofrimento dentro da própria profissão.
Pandemia aumentou pressão sobre profissionais
A pandemia de Covid-19 tornou essa realidade ainda mais evidente. Foi nesse período que o nutrólogo e especialista em clínica médica Vitor Dalla, que escolheu a profissão ainda na infância, passou a lidar com uma rotina marcada pela incerteza e pela necessidade de tomar decisões diante de uma doença até então desconhecida.
Nós vimos, no meio de uma doença desconhecida, que a gente não sabia exatamente como tratava, como é que ela ia evoluir e o que ela ia se tornar no mundo. A gente não tinha noção do tamanho que ela ia se tornar.
Vitor Dalla, nutrólogo e especialista em clínica médica
O período exigiu dos profissionais adaptação rápida e enfrentamento de uma situação para a qual ainda não havia respostas consolidadas. Para quem trabalhava diretamente com pacientes graves, a pressão se somava ao contato diário com a possibilidade de agravamento e morte.
Estado de alerta pode esconder esgotamento
Outro ponto levantado é a dificuldade de reconhecer o próprio desgaste. Acostumados a permanecer em estado de alerta durante o atendimento, profissionais podem acabar tratando sintomas de esgotamento como parte normal da rotina.
São profissionais que cuidam de pacientes em situações críticas. Lidam com pacientes que precisam de um cuidado bastante intensivo e muitas vezes um cuidado que não é somente de ponto de vista técnico.
Eduardo Luchi, presidente da Associação Brasileira de Medicina Intensiva
Para Vitor, o profissional, com o passar do tempo, acaba banalizando a própria situação. “Ele está sempre em estado de alerta, ou seja, está sempre com o pé no burnout.”
O burnout está relacionado ao estresse crônico no trabalho e pode envolver exaustão, distanciamento emocional e redução da percepção de realização profissional. No caso dos médicos intensivistas, a exposição constante a situações de alta complexidade pode ampliar essa sobrecarga.
Espírito Santo tem mais de 1,3 mil leitos de UTI
No Espírito Santo, são 1.337 leitos de UTI, além de 315 médicos especialistas e 67 profissionais em formação na área. O estudo da Amib não apresenta um recorte específico sobre burnout entre médicos que atuam no Estado.
Para Vitor, apesar das dificuldades da profissão, a medicina continua representando uma realização pessoal.
“Eu sou muito realizado com a profissão que eu tenho, por ter me tornado médico. Na infância, significava meu sonho e, hoje, eu posso dizer que eu sou realizado com a minha profissão”, afirma.
*Com informações do repórter Lucas Pisa, da TV Vitória/Record.
Fonte: Folha Vitória