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A saúde bucal pode influenciar a performance esportiva? Saiba a relação

Problemas bucais podem afetar dor, sono, alimentação e recuperação

Por Redação em 14/09/2026 às 13:00:08
Imagem: Magnific

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Em 1958, poucos meses antes de conquistar sua primeira Copa do Mundo, a Seleção Brasileira passou por um tratamento que dificilmente aparece nos livros de futebol. O dentista da equipe, Dr. Mário Trigo, avaliou os jogadores e encontrou inúmeros focos de infecção dentária. O tempo era curto até o embarque para a Suécia.

Para eliminar rapidamente dores, infecções e limitações que poderiam comprometer o desempenho dos atletas, foram realizadas 118 extrações dentárias entre jogadores e membros da delegação.

Hoje, uma abordagem como essa certamente seria diferente. Com os recursos da odontologia moderna, muitos desses dentes provavelmente seriam tratados e preservados. Mas, naquela época, a prioridade era devolver saúde aos atletas antes da competição.

A boca como parte da preparação esportiva

Ninguém pode afirmar que o Brasil conquistou seu primeiro título mundial por causa desse tratamento. Futebol se vence com talento, preparo físico, estratégia e trabalho em equipe. No entanto, esse episódio marcou um dos primeiros reconhecimentos de que uma boca doente pode interferir no desempenho esportivo e ajudou a consolidar a Odontologia do Esporte como uma área importante da medicina esportiva.

Mais de seis décadas depois, a ciência começa a demonstrar aquilo que o Dr. Mário Trigo já havia percebido na prática. Recentemente, um relatório elaborado pela Economist Enterprise, a pedido da European Federation of Periodontology (EFP), reuniu as evidências científicas disponíveis sobre a relação entre saúde bucal, desempenho esportivo e saúde geral.

A principal conclusão é bastante clara: a boca deve ser considerada parte integrante da preparação de um atleta, assim como a alimentação, o sono, o treinamento e a recuperação física.

Como problemas bucais podem afetar o desempenho

À primeira vista, pode parecer estranho imaginar que uma gengivite ou uma cárie possam influenciar uma competição. Mas o problema não está apenas no dente.

Dor, dificuldade para mastigar, noites mal dormidas, infecções e processos inflamatórios podem prejudicar a alimentação, a recuperação muscular, a concentração e o bem-estar. Em atletas de alto rendimento, cuja diferença entre a vitória e a derrota pode ser medida em centésimos de segundo, qualquer fator que comprometa a preparação merece atenção.

Atletas também estão sujeitos a problemas bucais

Curiosamente, diversos estudos mostram que atletas apresentam uma frequência elevada de problemas bucais. O consumo frequente de bebidas isotônicas, géis energéticos e alimentos ricos em carboidratos aumenta o risco de cáries e erosão dentária.

Durante exercícios intensos, a redução do fluxo salivar diminui um importante mecanismo natural de proteção da boca. Além disso, viagens constantes, competições e rotinas de treinamento fazem com que muitos atletas adiem consultas odontológicas e tratamentos preventivos.

Outro aspecto importante é a doença periodontal, conhecida popularmente como doença da gengiva. Ela provoca uma inflamação persistente que não permanece restrita à boca.

Substâncias inflamatórias produzidas nesses tecidos podem alcançar a corrente sanguínea e aumentar a carga inflamatória do organismo. Embora ainda sejam necessários mais estudos para determinar exatamente quanto isso interfere na performance esportiva, existe plausibilidade biológica suficiente para que a saúde periodontal seja considerada um componente da saúde geral do atleta.

O papel do dentista no esporte

A Odontologia Esportiva também vai muito além do tratamento de urgências. O dentista participa da prevenção de traumatismos, confecciona protetores bucais individualizados, orienta sobre higiene, acompanha desgastes dentários, controla doenças gengivais, monitora alterações na articulação temporomandibular e ajuda a minimizar os efeitos que a alimentação esportiva pode causar sobre os dentes.

Mas talvez a maior mensagem desse relatório não seja destinada apenas aos atletas profissionais. Ela vale para qualquer pessoa que pratique atividade física em busca de saúde.

Durante muito tempo, acostumamo-nos a separar o corpo em especialidades. O coração é do cardiologista. Os músculos são do ortopedista. Os dentes são do dentista.

A ciência mostra, cada vez mais, que essa divisão é artificial. O organismo funciona como um sistema integrado, no qual pequenas alterações em uma região podem repercutir em todo o corpo.

Cuidar da boca não significa apenas manter um sorriso bonito. Significa eliminar focos de dor, controlar infecções, reduzir inflamações e favorecer uma melhor qualidade de vida.

Talvez seja exatamente por isso que, mais de 60 anos depois da histórica campanha da Seleção Brasileira na Suécia, aquela antiga lição continue atual: não existe alto desempenho sem saúde integral. E a saúde começa, também, pela boca.

Fonte: Folha Vitória

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