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Série da TV SIM estreia com debate sobre violência no ES

Uma mulher sofre violência doméstica a cada 27 minutos no Espírito Santo. O dado aparece no primeiro episódio da série especial “O Espírito Santo que Queremos”, da TV SIM/SBT, que

Por Redação em 04/09/2026 às 01:00:25
Maria Ferreira também foi vítima de violência doméstica. Foto: Reprodução
Na mesma região, a reportagem da TV Sim/SBT encontrou outra mulher que também relatou ter sido vítima de violência praticada p

Maria Ferreira também foi vítima de violência doméstica. Foto: Reprodução Na mesma região, a reportagem da TV Sim/SBT encontrou outra mulher que também relatou ter sido vítima de violência praticada p

Uma mulher sofre violência doméstica a cada 27 minutos no Espírito Santo. O dado aparece no primeiro episódio da série especial “O Espírito Santo que Queremos”, da TV SIM/SBT, que estreia nesta quinta-feira (3) e coloca a violência contra a mulher no centro da discussão sobre segurança pública no Estado.

Apresentada pelo jornalista Tiago Américo, a série foi produzida em meio à cobertura das Eleições 2026 e às comemorações dos 40 anos do Grupo SIM. Ao longo de sete episódios, a produção discute problemas que fazem parte da rotina dos capixabas e os desafios para o futuro do Espírito Santo.

No episódio de estreia, a violência doméstica é apresentada a partir de histórias de mulheres que sobreviveram a agressões dentro de casa. Entre elas está Marciane Pereira dos Santos, vítima de uma tentativa de feminicídio em 8 de setembro de 2018, no bairro Jardim Tropical, na Serra.

Sobrevivente de uma tentativa de feminicídio

Aos 36 anos, Marciane foi chamada pelo então marido para conversar. O encontro, porém, segundo o relato apresentado na série, era uma emboscada. O homem levou um recipiente com combustível e jogou o líquido sobre ela antes de atear fogo.

Marciane teve mais de 50% do corpo queimado, perdeu dedos e uma perna e passou dois meses em coma. Ao acordar, precisou aprender a viver com as consequências do ataque.

“Eu tive que me adaptar. Então no começo, para mim, foi um pouco mais difícil. Pouco não, né? Foi bastante difícil até eu aprender a me virar”, lembrou.

Hoje cadeirante, ela também recorda a justificativa dada pelo ex-marido para o crime. “Ele disse que foi por causa de ciúme e queimou quase 50% do meu corpo. Ele sabe que não vai dar nada para eles, eles batem, matam, esquartejam, queimam, fazem tudo o que é necessário, chega lá, se entrega, fala o que eles fizeram e depois eles são soltos. Aí a vítima fica presa, escondida, com medo, com sequelas. Você tem situações e situações. Eu não condeno, mas eu tenho a capacidade também de se levantar. É fácil? Não. É difícil”, desabafou Marciane.

Na mesma região, a reportagem da TV Sim/SBT encontrou outra mulher que também relatou ter sido vítima de violência praticada por ex-companheiros. Maria Ferreira contou que foi atacada com uma faca e só não sofreu um ferimento mais grave porque o filho interveio.

“Ele me pegou por trás, colocou a faca, ele só pressionou a faca quando eu senti queimar e aí eu passei a mão, tinha um tecido de sangue. A faca estava tão afiada, tão amolada, que ela chegou a arranhar, ele não conseguiu, de fato, cortar de verdade, porque o meu filho, na hora, interveio. E por que ele fez isso? Os ciúmes”, contou.

Violência contra a mulher também é segurança pública

Para o mestre em Segurança Pública Rusley Medeiros, enfrentar a violência contra as mulheres exige uma atuação conjunta entre diferentes áreas.

“A violência contra a mulher é um dos principais problemas de segurança pública, não apenas do Brasil, mas do mundo. E nós não estamos melhorando, pelo contrário, os nossos índices têm demonstrado que há um aumento dessa criminalidade. Então, nós estamos tendo uma maior violência contra a mulher, principalmente o crime de feminicídio, e isso é em decorrência justamente da cultura que nós estamos inseridos, uma cultura da violência, uma cultura que prioriza o homem e destrói a capacidade de convivência da mulher”, pontuou Rusley.

A discussão apresentada pelo episódio também passa pela educação. Uma das entrevistadas defende que a formação desde a infância pode contribuir para a convivência em sociedade e para a redução da violência.

“Eu acredito que a educação infantil é a base da educação. Quanto maior a ampliação desse contato das crianças com os processos de aprendizagem, vai impactar diretamente na sociedade, na diminuição da violência, porque ali a criança vai aprender o convívio com o outro, a cooperação, a dividir, a respeitar o espaço do outro. Então, dentro do cotidiano escolar, são trabalhadas diferentes possibilidades para que se tenha um adulto que consiga viver melhor em sociedade.”

Para Rusley, a resposta também depende da integração entre as políticas públicas. “Não existe nenhuma solução que passe a não ser pela interligação e pela comunicação entre a política social e a política de segurança pública”, frisou.

Tecnologia entra no debate sobre segurança

A tecnologia aparece como uma das ferramentas utilizadas para tentar enfrentar parte desses desafios. A série mostra o uso de totens, centrais de câmeras com inteligência artificial e sistemas capazes de auxiliar na identificação de pessoas procuradas pela Justiça.

Eduardo Glazar, CSO da Globalsys, destaca que o Estado utiliza tecnologia na segurança, mas ainda precisa avançar na produção de soluções próprias.

“Somos um estado que utiliza bem a tecnologia, mas é um estado que precisa construir novas tecnologias. E aí, quando eu digo construir, eu falo para o segmento de 2020, para os próximos 5 anos. Exemplo, inteligência artificial. O estado hoje não tem nenhum data center de renome, o estado hoje não tem poder de processamento de silício, assim como o Brasil não tem. Então quando a gente fala de crescimento tecnológico, a gente vai chegar numa barreira tecnológica e eu preciso de ter empresas que construam soluções de hardware, construam soluções de silício. O Espírito Santo mais seguro não vai acontecer se ele não alinhar segurança com tecnologia”, explicou.

O desafio vai além de consumir ferramentas desenvolvidas por outros mercados. “Eu comentei que a gente bebe da tecnologia, a gente consome, a gente precisa estar um passo além, a gente precisa construir uma tecnologia, a gente precisa deter uma propriedade intelectual em cima de alguma tecnologia. E isso eu digo que não é um problema só do estado, é um problema do Brasil. Hoje a IA virou um tema geopolítico, então virou um tema de estado, virou um tema que países começam a discutir nas suas bancadas. O Brasil ainda não discutiu, o Brasil ainda está um passo atrás, a gente está discutindo de segurança da informação, de LGPD, a gente precisa discutir agora o além, poxa, eu tenho que construir esse tipo de tecnologia dentro de casa”, frisou Glazar.

O próximo episódio de “O Espírito Santo que Queremos” será exibido na quinta-feira (10), no SBT Espírito Santo. A reportagem vai abordar a presença da tecnologia ao longo da BR-101, com 23 câmeras e alcance de até três quilômetros, além dos desafios de mobilidade no Estado.

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Fonte: Rede sim Noticias - ES

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